sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Itália proíbe glifosato nos seus espaços públicos

Faja de Santo Cristo, São Jorge, Açores. Foto de Luís Godinho 23ago2106.
  • «A partir de 15 de Setembro e até ao final de Novembro, os municípios ou as entidades gestoras que fazem serviços ambientais à escala municipal poderão candidatar-se a apoios para a compra de viaturas eléctricas. O Fundo do Ambiente deverá contribuir com uma verba de dez milhões de euros. O Governo pretende apoiar, a fundo perdido, 50% do investimento necessário às autarquias para adquirirem máquinas varredouras/lavadouras e comparticipar em 25%, também a fundo perdido, o investimento necessário para a compra de outras viaturas de limpeza urbana, de jardins e de apoio a serviços ambientais.  “São veículos que circulam à noite, fazem circuitos urbanos perfeitamente delimitados e que são bem mais silenciosas”, argumenta Matos Fernandes, o ministro do Ambiente. Não pode haver mobilidade eléctrica sem os respectivos postos de carregamento, pelo que este concurso prevê que estes também possam vir a ser financiados – até ao máximo de dez milhões de euros. O executivo assumiu o compromisso de levar a rede pública de carregamento de veículos eléctricos a todos os municípios do país até ao final da legislatura.» Público.
  • A Junta de Andalucia ampliou a área de valor ambiental registada na Rede de Áreas Naturais Protegidas da Andaluzia (RENPA) para 2,904,984.38 hectares, após aumentar 14.000 hectares ao Parque Natural de Doñana e recalcular a superfície de outras áreas. 20minutos.
  • O governo italiano proibiu a aplicação de glifosato em espaços públicos do seu território como parques, jardins, pátios, bermas de estradas e de caminhos de ferro, zonas urbanas, campos de jogos e zonas de recreio, campos de jogos e zonas verdes dentro de áreas escolares e adjacentes a edifícios de saúde. PAN.
  • Sabia que tirar uma fotografia a um rio poluído com o objetivo de colher provas incriminatórias é proibido no estado do Wyoming? É a lei 15 do Senado, aprovada em março de 2015… The Weather Network.
  • A Monsanto retirou um pedido de aprovação para a sua próxima geração de sementes de algodão geneticamente modificadas na Índia. Tudo para não partilhar informação científica com a concorrência local. Reuters.

Reflexão – o direito ao ar condicionado

Imagem captada aqui.

O direito ao ar condicionado
por José Luis Fernández Casadevante in El Diário 22ago2016

Excertos:

1 Há 15anos que as temperaturas atingem recordes no verão e nada nos diz que o fenómeno não venha a intensificar-se nas próximas décadas. Por isso, o problema parece natural e há a tendência para o aceitarmos com resignação perante o inevitável e para tomarmos medidas individuais para o combater.
2 Em Espanha, os picos de consumo elétrico passaram, em muitas zonas, do inverno para o verão, produzindo-se assim um círculo vicioso em que o calor nos faz recorrer a tecnologias que funcionam para consumir energia cujos mecanismos de produção provocam as alterações climáticas que, por sua vez, aumentam as ondas de calor e a temperatura do planeta, o que nos leva a um uso mais intensivo do ar condicionado.
3 O uso generalizado do ar condicionado eleva a temperatura das ruas entre 1,5 e 2 graus, devido ao calor emitido pelos aparelhos. O que são respostas individuais, como ligar o ar condicionado para por a casa a uma temperatura confortável, tornam-se estruturalmente irracionais quando se generalizam. Não devia haver algo como o direito universal ao ar condicionado, pois é incompatível com o direito a disfrutar de um ambiente habitável a médio prazo. Por isso é mais fácil imaginar uma revolta dos consumidores indignados com restrições ao uso do ar condicionado do que uma mobilização popular maciça contra as alterações climáticas.
4 Em criança, o meu pai ensinou-me que uma pessoa responsável era a que livremente era capaz de assumir as consequências dos seus atos. Esta máxima tão lógica no comportamento individual torna-se problemática ao ser transferida para o domínio social. O elogio da responsabilidade individual converte-se na anomalia de defender a responsabilidade coletiva, pois, levada a sério, implica desenvolver a nossa sensibilidade social e ecológica. Questionar costumes que afetam a nossa comodidade, denunciar privilégios camuflados de direitos ou questionar a inércia cultural que dão por garantidos os nossos estilos de vida converte-se numa atitude suspeita de radicalismo e ressentimento e não num ato de responsabilidade. O único limite no consumo que assumimos socialmente, a única restrição moralmente aceitável de forma generalizada é a que impõe a nossa conta corrente. Logo que pagamos a fatura evitamos metermo-nos em debates incómodos.
5 Bernard Mandeville, um dos teóricos dos primórdios do capitalismo, usa a fábula das abelhas para explicar que as pessoas ao satisfazer os seus vícios privados acabam por produzir benefícios públicos. Este elogio ao egoísmo e ao individualismo como motor económico inspirou Adam Smith e foi capaz de manter a saúde dos mercados…

Mão pesada

Várias organizações comunitárias e sem fins lucrativos processaram o ministério do Ambiente dos EUA  por não ter atualizado, nos últimos 15 anos, as normas de segurança relavas às tintas à base de chumbo e pó de chumbo. NOLA.

Bico calado

Jardim D. Beatiz do Canto, Furnas, SMiguel-Açores. Foto de Vera Cymbron 24ag2016.

«Foi no dia 30 de Maio de 2013 que em Conselho de Ministro Pedro Passos Coelho, Miguel Bento Macedo e Assunção Cristas da Graça assinaram o Decreto-Lei nº 96/2013, que viria a ser conhecido por Lei do Eucalipto.(…) Na vigência da nova Lei do Eucalipto, foram plantados mais 23 mil 194 hectares de eucalipto desde 2013. (...) Os eucaliptos representam 87,4% de todas as espécies plantadas desde então(…) Desde que a lei foi aprovada, ocorreram o ano mais quente desde que há registos, 2015, o segundo ano mais quente desde que há registos, 2014, e o quarto ano mais quente desde que há registos, 2013. 2016 baterá com toda a probabilidade 2015 e será, uma vez mais, o ano mais quente desde que há registos de temperatura no planeta, e em Portugal também. Uma vez que não há até ao momento sinal de uma gigante viragem nas emissões de gases com efeito de estufa (curiosamente o sector das celuloses está entre os maiores emissores), as alterações climáticas tenderão a aumentar cada vez mais a temperatura. Portugal está num hotspot de alterações climáticas, o que significa que aqui a temperatura subirá mais que no resto do mundo e a precipitação reduzir-se-á na maior parte do território. Assim sendo, e estando Portugal no Mediterrâneo, zona de incêndios recorrentes, não existe a possibilidade de simplesmente travá-los. As ignições ocorrem muito, criminais mas principalmente naturais e por isso a fúria justiceira serve de pouco. (…) A desonestidade de falar numa discriminação em Portugal contra o eucalipto cai com dados simples: Portugal tem a maior área de eucalipto relativo do mundo. Portugal tem a 5ª maior área absoluta de eucalipto do mundo, só atrás da China, da Índia, do Brasil e da Austrália. A floresta portuguesa foi entregue nas mãos da CELPA para usar como quiser. (…) O ciclo da insustentabilidade da floresta é o rápido ciclo da vida do eucalipto: cresce rápido, corta rápido para tentar extrair rapidamente os nutrientes e sobreviver ao próximo grande incêndio, vai-se expandindo a área de eucalipto, vão-se expandindo as áreas de incêndios até se darem os incêndios históricos que cortam a biomassa a níveis de deserto e abrem espaço a mais eucaliptal, que retoma o ciclo do incêndio e da substituição da vegetação autóctone. Foram assim os ciclos curtos e longos dos incêndios: cada vez mais frequentes, cada vez queimando áreas maiores e abrindo cada vez mais espaço ao eucaliptal. Na década de 80 o número de ignições era 7380 e a área ardida anual de 73 mil hectares. Na década de 2000 o número de ignições passou aos 24949 e a área ardida anual para para os 150 mil hectares. O eucaliptal? Quase triplicou. (…) Isto permitiu às celuloses não terem sequer de expandir as suas áreas próprias, apesar de quererem mais e mais eucaliptos para produzir pasta. Mesmo os magros números de pessoas empregadas na celulose estão a diminuir: 3581 pessoas em 2005, 3221 pessoas em 2010, 2743 pessoas em 2014. O que as celuloses têm há muitos anos, por culpa da Lei do Eucalipto mas também das suas antecessoras florestais, é os pequenos proprietários na mão, definindo e controlando o que dá lucro, oferecendo o pouco escoamento de um meio rural exangue, conformando o país e o território nacional à sua necessidade. Ao contrário da publicidade do sector, o eucalipto não foi uma alternativa para a economia agrária, foi o seu fim. Reduzindo as alternativas económicas dos cada vez menos proprietários florestais, beneficiando-se de um regime florestal feito à sua medida, de mini-propriedades abandonadas, invadidas naturalmente ou plantadas com eucalipto por mão alheia, as celuloses sentaram-se a ver o país arder sem que ninguém lhes pedisse contas. E porque haveria de pedir? As áreas geridas pelas celuloses não ardem! O problema é que neste momento as áreas das celuloses não são os seus 155 mil hectares, mas também os outros 700 mil de eucaliptal, sobre os quais não têm qualquer responsabilidade, mas dos quais recebem a sua matéria prima, as áreas que os sucessivos governos deram à CELPA para a CELPA se governar. Discutir incêndios, abandono florestal e êxodo rural sem falar de uma economia de eucalipto que não precisa gente, não precisa investimento e não precisa de emprego é falar de gambozinos. Os incêndios florestais não são apenas fruto de má gestão, incúria, crime e falta de meios para o combate. São o corolário necessário e inultrapassável de um território desadaptado às condições climáticas em mutação, crescentemente insustentável porque tem cada vez menos gente, cada vez mais abandono, porque tem cada vez mais eucalipto e serve exclusivamente os interesses de uma indústria que nem 3 mil pessoas emprega. (…) Por isso, há duas maneiras de travar incêndios: desistir de ter uma floresta e arrancar tudo, ou adaptar a floresta ao novo clima. Isso implica reduzir a área de eucalipto significativamente e implica passar a gerir as áreas abandonadas. Significa desistir de acreditar em contos da carochinha de que o mercado ou os proprietários resolverão esta questão por mais multas que se imponham (e cobrar multas a falecidos, a emigrados ou a desempregados sem rendimento, alguma vez funcionou?). Significa voltar a haver um Estado a tomar posse, no mínimo dos mínimos, das áreas abandonadas. E significa construir uma floresta resistente aos incêndios e resiliente, com árvores menos atreitas aos incêndios, que formem ecossistemas que sirvam para que várias actividades possam ocorrer nessa floresta, que produzam, sei lá, madeira para móveis, castanhas, frutos, sombra, abrigo a espécies animais, aves, abelhas, que sustentem actividades que permitam às pessoas viver nessa floresta e não depender de uma esmola das celuloses a cada 7 anos, que lhes permita ter fontes variadas de rendimento e desenvolver barreiras de corte e protecção contra incêndios.» João Camargo in Limpar o rabo à florestaSábado 24ago2016

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

O Havai vai deixar os golfinhos dormir

Paramos, Espinho. Foto de Manuel Adriano Martins Teixeira 23ago2016.

  • Uma ação massiva de limpeza de aterros e lixeiras ilegais foi levada a cabo por milhares de albaneses e kosovares. Uma ação de pasmar, tendo em conta o passado recente daquela região. The Guardian.
  • Costa Rica: 113 dias seguidos com energia apenas de fontes renováveis. ER.
  • O Havai vai proibir os turistas de nadarem com golfinhos. Os simpáticos mamíferos poderão, finalmente, dormir sossegados. The Guardian.

Reflexão: Recolha inteligente de resíduos, precisa-se!

Metéora, Grécia. Imagem captada aqui.

A recolha de resíduos sólidos urbanos é um quebra-cabeças para os gestores autárquicos e um sorvedouro de recursos financeiros, para não falar num rol de desperdício. Já imaginaram o tempo, o combustível e a poluição que representa um simples camião do lixo percorrer um labirinto de ruas quase vazio?

Há gente a pensar em soluções. Em Leeds, em Brooklyn, em Queensland, os Bigbellies dão uma ajuda: os seus sensores dão ordem à máquina para compactar os resíduos logo que a caixa está cheia e tudo feito à custa da energia solar. Na Finlândia, o sistema Enevo fornece informações acerca do nível a que se encontram os contentores, pelo que os veículos de recolha de resíduos não fazem viagens em vão. T.

Em meados dos anos 90, a Holanda já pusera em prática um sistema de recolha de resíduos que faturava os munícipes de acordo com o peso de resíduos descartados...

Bico calado

Ricardo Araújo Pereira, Brincar aos reclusozinhos - in Visão 18ago2016
  • O Quénia  foi o 15º país a conseguir mais medalhas olímpicas em 2016. Houve, porém, várias nódoas: (1) só em cima da hora 40 atletas conseguiram limpar-se de suspeitas de dopagem nos olímpicos de 2012 em Londres; (2) Julius Yego, medalha de prata do lançamento do dardo, quase não viajou para o Rio por não lhe terem dado o bilhete de avião; (3) o corredor Carvin Nkanata quase falhava a sua participação por carência de documentos; (4) a delegação queniana engordou com inúmeros penduras oportunistas que nada tinham a ver com a delegação; (5) parte do equipamento fornecido pela patrocinadora Nike aos atletas desapareceu e terá sido vendida, tendo aquela marca apresentado a respetiva queixa junto das autoridades competentes; (6) dois técnicos da equipa olímpica foram expulsos por alegado doping; (7) Michael Rotich foi acusado de ter recebido um suborno de 10 mil dólares para avisar atletas da proximidade de testes anti doping; (8) um treinador foi expulso após ter-se feito passar por um atleta na altura de fornecer amostra de urina para teste anti doping. NYTimes.
  • O governo italiano vai dar, a partir de meados de setembro, um cheque de 500 euros aos jovens que fizerem 18 anos. O cheque deverá ser investido em livros, cinema, teatro, concertos, museus e visitas a parques naturais. O orçamento de 290 milhões dará para 575 mil jovens… The Independent.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Catalunha impõe restrições ao consumo de água

Terceira, Açores. Foto de Luís Godinho.
  • Na Catalunha, vários municípios impuseram restrições ao consumo de água devido à prolongada seca que afeta a região. El País.
  • Mais de mil residentes de 346 casas de um bairro social de East Chicago, Indiana, foram desalojados. Os edifícios terão de ser demolidos devido aos elevados níveis de chumbo e arsénio detetados no solo. Este bairro, maioritariamente habitado por negros e hispânicos, situa-se perto de uma antiga fundição, encerrada em 1985. RT.
  • A subida do nível das águas na costa do estado da Louisiana pode representar um pesadelo de 100 biliões de dólares para as petrolíferas. Mas quem sofre mais ao os costume: os pobres e as minorias étnicas. Bloomberg.

Reflexão – como entupir os esgotos de uma aldeia olímpica

Imagem apanhada aqui.

As centenas de milhares de preservativos distribuídos aos atletas residentes da Aldeia Olímpica do Rio2016 têm sido uma das causas para o congestionamento do sistema de esgotos. Já em 2007, por ocasião dos Jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro, o prédio da Argentina ficara com a rede obstruída, devido aos preservativos. JN. Em 9 anos os atletas parece não terem aprendido nada. Não aprenderam que os preservativos vão com os resíduos orgânicos e não na sanita…

Mão pesada

  • Um indivíduo de Sea Lane, Worthing, West Sussex, foi mutado em 3 mil libras e condenado a um mês de prisão por violação de regras de gestão de resíduos de madeira. GovUK.
  • A Harley-Davidson foi multada em 12 milhões de dólares vender acessórios que aumentam as emissões para além das que a marca declara ao ministério do Ambiente. Reuters.
  • 14 pessoas foram detidas na China por venda de marisco com radiações de Fukushima. El País.

Bico calado

Imagem apanhada aqui.
  • Os fãs do Celtic de Glasgow recolheram mais de 100 mil libras para apoiar ONGs palestinianas na sequência da multa aplicado ao clube por deixar os fãs desfraldarem bandeiras palestinianas durante um jogo contra Israel. The Guardian.
  • «Chegou tarde, mas chegou em força, a temporada de incêndios. Como sempre, nesta altura, há especialistas em incêndios nos sete canais. Todos têm teorias sobre o que já devia ter sido feito, o que não se fez e o que não deviam ter desfeito. Chegando o fresco Setembro, já nunca mais ninguém pensa nisto. Depois, passam uns meses e vêm os especialistas nas cheias em Albufeira e Santarém, e o ano termina com a falta de limpa-neves na serra da Estrela (que tem a única estância de esqui do mundo que, quando neva, fecha). Já todos sabemos que, depois, fica tudo na mesma.» João Quadros in Fogo que arde e se vêJNegócios 19ago2016.
  • «Estive a escutar, com cautela, as frases do dr. Passos Coelho na estância de turismo do Pontal. O homem está cada vez mais semelhante a um arlequim. Entendo que pouco mais pode dizer do que aquilo que disse, mas a verdade verdadinha é que ele parece cada vez mais um boneco de fala mansa e ordenada, sem uma ideia nova, uma promessa medíocre que fosseBaptista Bastos in Criminosos à soltaJNegócios 19ago2016.
  • «Isso acontece devido à hegemonia do pensamento conservador que considera “normal” que se seja de direita, e portanto não digno de ser sublinhado ou sequer referido, e “anormal” que se seja progressista, e portanto exigindo referência que sublinhe esse “desvio”. Para este pensamento hegemónico, ser de direita não é ser nada porque essa é a posição “natural”, enquanto ser de esquerda é ser algo “não natural”. Era precisamente pela mesma razão que, durante o Estado Novo, os apoiantes de Salazar “não faziam política”, por muito radicais que fossem nesse apoio em todas as facetas da sua vida, e os oposicionistas eram considerados “políticos”. É evidente que os jornalistas, de direita ou de esquerda, sabem que é tão marcadamente ideológico ser de direita como de esquerda, mas por que razão sublinham então uma coisa e passam a outra em branco? Em certos casos, por mimetismo irracional. Muitos querem apenas to blend in e seguem a onda, imitam os colegas, as revistas, os famosos, os gurus que aparecem nosmedia – e estes são esmagadoramente de direita mesmo quando “não falam de política”. Noutros casos, por mimetismo premeditado. Querem apenas passar despercebidos e não pôr em risco o seu posto de trabalho. Noutros casos por cálculo. Querem fazer carreira, seja onde for, e aprenderam na escola de antijornalismo por onde andaram que a adulação funciona e que não se pisam os calos dos poderosos. Noutros caso por medo. A direita conservadora está no poder e tem o dinheiro, a força e muito da lei do seu lado. Noutros casos, devido ao ritmo industrial de produção imposto na maior parte das redacções, que obriga a aproveitar a informação primária tal como chega de algum centro de poder e a republicá-la sem tempo para a editar, reconstruir, verificar seja o que for ou sequer pensar. Noutros casos por pura distracção, porque o vento reaccionário é tão constante que se torna hipnótico. Noutros casos ainda, uma minoria, por consciente adesão a um modelo ideológico que se pretende reproduzir. Estas circunstâncias têm todas algo em comum. São todas contrárias à deontologia que rege o jornalismo, que obriga a uma total independência dos poderes e à adopção de uma atitude de equidade e saudável cepticismo em relação à informação recebida das fontes, oficiais ou não.» José Vítor Malheiros in O jornalismo tem razões para se arrepender todos os dias - Público 23ago2016.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Vila do Bispo: autarquia censura arte pública

Imagem capturada aqui.

A câmara de Vila do Bispo acabou por censurar arte pública que criticava projeto de exploração de petróleo no Algarve. Sublinhe-se que Vila do Bispo é a terra natal de Sousa Cintra, concessionário dos dois blocos de pesquisa de hidrocarbonetos em terra, onshore, em quase metade do Algarve. Sul Informação.

Rio: atleta olímpico solidário com deslocalização do povo Oromo


Iagem captada aqui.

  • Cerca de 4 mil empregos perderam-se em Tete, Moçambe, em consequência da constante queda dos preços do carvão nos mercados internacionais. CM.

Mão pesada

Uma decisão judicial determinou a suspensão de validade de todas as licenças ambientais da empresa Samarco Mineração. Tudo porque a empresa não tomou medidas concretas para garantir a segurança das estruturas remanescentes, bem como para a contenção do carreamento de rejeitos que ainda impactam os cursos de água atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, Mariana, em 5 de novembro de 2015. EcoDebate.

Bico calado

  • Portas dá consultoria no Parlamento. Os encontros com os homens da Mota-Engil decorreram uma semana antes do congresso do MPLA. CM.
  • A administração do Casino da Póvoa de Varzim chamou a PSP para intimidar os sindicalistas que distribuíam um comunicado aos clientes a denunciar que os trabalhadores não são aumentados há sete anos. Abril, Abril.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Resíduos em Espinho: atitudes e comportamentos mudaram pouco em 9 anos

Fotos tiradas no mesmo local: Espinho, rua 23, entre a 2 e a 4. A da esquerda, publicada em 13 de agosto de 2007 pelo blogue Ondas3 (Sapo) e a da direita, publicada em 17 de agosto de 2016 pelo semanário Maré Viva.

O semanário Maré Viva de 17 de agosto de 2016 publicou uma reportagem sobre o estado da recolha de resíduos sólidos urbanos no centro turístico de Espinho. Nela ressaltam várias críticas de profissionais da restauração e cidadãos comuns. São os maus cheiros, as moscas, as escorrências no chão que mais os afligem. Tudo por causa de más práticas de utilização dos recetáculos por parte de alguns. Por exemplo, a deposição de sacos de lixo ao lado de contentores já cheios ou de contentores subterrâneos que os utentes não conseguem abrir. Ou ainda, convém acrescentar, a descarga de resíduos, com garrafas de vidro à mistura, nos contentores verdes. Não se vê, mas ouve-se alto e bom som pelo menos duas vezes por dia e no mesmo local. Estranha-se que os operadores de recolha do lixo não reportem aos serviços competentes anomalias como a existência de dezenas de garrafas de vidro nos contentores verdes...

O vereador Quirino de Jesus não gosta de ler ou ouvir críticas à recolha dos resíduos. Garante que todos os dias são efetuadas limpezas nos sítios onde há contentores e ecopontos. Não especificou que sítios têm esse privilégio, porque, passando ao lado de muitos contentores, o cheiro que deles emana não denuncia o uso de detergente ou desinfetante. A menos que Quirino de Jesus empregue o termo «limpar» querendo dizer «recolher». Para ele, a culpa é dos empregados dos restaurantes que, em vez de despejarem os sacos com os resíduos nos devidos contentores, preferem encosta-los aos ditos. Por isso, apela ao civismo dos espinhenses para que cumpram as normas e as boas práticas. Até porque, sublinha, o lixo não é um problema da cidade, é um problema de todos nós.

Claro que o lixo é um problema de todos nós, especialmente se persistirmos em consumir cada vez mais e se exibirmos esse consumismo como imagem de sucesso social e económico. Entretanto, um dos truques para pagarmos menos taxas de resíduos e de saneamento será consumirmos menos água. Pelo menos enquanto os inteligentes que podem e mandam insistirem em anexar as taxas de resíduos e de saneamento à fatura da água que consumimos e não faturam os resíduos consoante o peso com que são descartados.

Viana do Castelo: mais eucalipo, não.

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  • O presidente da Câmara de Viana do Castelo apela ao Ministério da Agricultura para «impor limites à reflorestação de eucaliptos», depois de ter perdido 30% da área florestal do concelho nos incêndios da última semana. «É preciso que, de uma vez por todas, se aposte em espécies autóctones, mais resilientes ao fogo e com menos riscos para a população, para os bombeiros e para o ambiente», sublinhou José Maria Costa, citado pelo Expresso. Como o Ambiente Ondas3 teve ocasião de referir, a autarquia de Arouca também já exigiu medida semelhante.
  • Paga-se mais pelas taxas de saneamento e resíduos indexadas ao preço da água do que o valor pago pelo que se consome, escreve João Paz no Correio dos Açores de 18 de agosto de 2016. Meu caro João Paz, esta fita é a mesma de Espinho. Ora leia.
  • Sabe por que motivo em Espanha, no verão, as faturas de eletricidade são mais altas do que no resto do ano? A Grenpeace explica: (1) O preço grossista da eletricidade varia segundo as tecnologias que a produzem e é estabelecido por um mercado grossista a cada momento; (2) as primeiras fontes de energia a aceder ao mercado grossista são as renováveis porque são mais baratas e a nuclear, que externaliza a maioria dos seus custos ambientais; (3) sendo precisa mais energia, recorre-se depois às centrais a carvão e a gás; (4) todas recebem o mesmo preço estabelecido pelo mercado grossista; (5) quanto menos renováveis forem solicitadas e entrarem no mercado grossista mais necessidade haverá de usar as centrais maios caras e poluentes, como o carvão e o gás; (6) os meses de janeiro, junho e julho são os mais exigentes em termos energéticos; (7) no verão, há menos vento e menos disponibilidade de água nas hidroelétricas, pelo que é necessário comprar mais energia de fontes mais caras; (8) Espanha, campeã de sol, reduziu drasticamente o investimento em centrais solares desde 2012…
  • A Monsanto está a ser processada por não ter levado a cabo testes sobre os ingredientes «inertes» do Roundup, nomeadamente a Polioxietilenamida (POEA). A empresa tinha sido acusada de enganar os consumidores ao dizer que os seus pesticidas são seguros e não provocam o cancro quando sabe que provoca. Project Censored.
  • A súbita subida dos preços de eletricidade no Sul da Austrália sugerem manipulação de mercado, uma vez que a capacidade de produção foi superior à procura. As centrais termo elétricas terão reduzido a sua oferta com o objetivo de provocar a subida dos preços e assim catapultar os seus lucros, denuncia um relatório da GetUp citado pelo The Guardian.

Mão pesada

A Yorkshire Water foi multada em 350 mil libras por poluição com esgotos não tratados perto de Sherwood Drive, Harrogate. GovUK.

Bico calado

  • TTIP – a privatização das justiça: O Acordo de Parceria Transatlântica de comércio e Investimento prevê a existência de tribunais arbitrais para resolver conflitos comerciais. Estão à margem e acima dos sistemas judiciais nacionais e internacionais. Isto e muitos mais truques, aqui neste vídeo de 14 minutos. Narrado em espanhol.
  • «Curiosamente, uma das grandes áreas ardidas de mato corresponde ao futuro local de construção do novo quartel dos Bombeiros do Concelho de Espinho.» Maré Viva 17ago2016.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Arouca: mais eucalipto, não

Imagem captada aqui.

Autarcas e ambientalistas de Arouca exigem do governo de António Costa a imposição de limites à plantação de eucalipto nos 170 Km2 de área ardida no concelho. «Já em 2005 perdemos 90 Km2 e não se aprendeu nada. Cada proprietário fez como lhe apeteceu, só se plantou eucalipto e ele agora ardeu todo como pólvora, enquanto as zonas que tinham árvores autóctones funcionaram muito melhor como barreira ao incêndio, por essas espécies demonstrarem maior resistência ao fogo", diz José Artur Neves, presidente da câmara de Arouca. Embora a recuperação das áreas ardidas deve obedecer a uma orientação nacional, o autarca sugere que cada concelho «adote um plano de ordenamento e gestão florestal próprio, a implementar de forma integrada com os territórios vizinhos». Margarida Belém, vereadora do Turismo, sublinha que o elevado potencial de combustão dos eucaliptais foi determinante «na desgraça que se abateu sobre o património local da Rede Natura 2000», cujos habitats de fauna e flora selvagens estavam protegidos por diretivas europeias. JN.

Príncipe trava turismo de massas

Ilhéu das Rolas.
  • Em Amsterdão, a primeira ciclovia solar do mundo já produz mais energia do que o previsto. Ecocosas.
  • O presidente do governo regional da ilha do Príncipe, em Tomé e Príncipe, recusa transformar o território num destino turístico de massas. Dinheiro Vivo.
  • Em Madagascar, há conservacionistas a trabalhar em segredo para proteger uma das mais belas tartarugas do mundo de caçadores furtivos – a tartaruga radiada. BBC.
  • A Nação Navajo vai processar o ministério do Ambiente dos EUA por nada ter feito para minimizar os estragos causados aos seus terrenos e colheitas por um derrame da mina Gold King ocorrido em agosto de 2015. Já em maio passado o estado do Novo México processara o ministério do Ambiente pelos mesmos motivos, e, em junho, proicessara o estado do Colorado acusando-o de ser responsável pelo derrame e falta de controlo dos contaminantes que há décadas fluem das suas minas. The Denver Post.
  • Em Havelock North, Nova Zelândia, centenas de pessoas sentiram-se mal após ingerirem água contaminada. As escolas foram obrigadas a encerrar e 21 pessoas foram hospitalizads por testarem positivo à bactéria campylobacter. Fox.

Mão pesada

O departamento de transportes do estado do Nevada foi multado em 60 mil dólares por infrações relativas ao controlo de poluentes que dão entrada nas suas redes de pluviais. Está ainda intimado a investir 200 mil dólares na melhoria do sistema de informação das suas redes de pluviais. EPA.

Bico calado

  • «O jazz aplicado à política? Não, não, senhores que mandam no PSD. Se eu quiser ouvir bons improvisos ponho a tocar John Coltrane.» João Miguel Tavares in Ó Passos, escreve os discursosPúblico 16ago2016. O fogoso jornalista anda desnorteado ou não pesca nada de jazz. Se soubesse música (se soubesse ler, escrever e tocar um instrumento musical) saberia que o improviso no jazz se consegue após muito estudo e muita prática. No jazz, o improviso significa libertação da partitura original, feita a compasso, como mandam as regras. A partitura é como um mapa: orienta, mas nunca condiciona ou controla e domina o intérprete. Essa libertação torna possível a verdadeira interpretação. Sem ela, temos apenas músicos a dividir compassos, a «cumprir» como se diz na gíria musical. João Miguel, inconscientemente, quase poluiu o jazz com o Passos. Devia descarregar uma  ou várias partituras de temas de Coltrane e apreciar como ele e os seus músicos as interpretaram. Devia, simultaneamente, identificar as diferenças entre a notação inserida na pauta e a respetiva interpretação da orquestra. Se é que, volto a sublinhar, sabe ler música.
  • «Os politicos suecos… e os portugueses»  por Paulo Vieira da Silva in Insónias.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Torres Novas: mapa de prevaricadores ambientais

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  • Mapa dos prevaricadores ambientais em Torres Novas, com foco no Almonda e no ribeiro da Boa Água. Fonte.
  • A Espanha registou, em 2015, um aumento de 4,23% na emissão de gases de efeito de estufa em relação a 2014. Os Ecologistas en Acción consideram este facto uma total falta de compromisso do estado espanhol na luta contra as alterações climáticas.
  • Shishmaref, Alaska, pode ser a primeira localidade norte-americana a deslocalizar-se por causa dos impactos das alterações climáticas. The Guardian.

Bico calado

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  • «(…) A floresta arde descontroladamente porque, uma vez mais, nos preocupamos mais com o aparato dos Kamov do que com a limpeza das matas, nos entretemos mais com os “teatros de operações” do que com o esforço duro e silencioso de criar aceiros ou limpar caminhos rurais. Continuamos a ser como uma mulher de casaco de peles que enverga por baixo um reles vestido de chita. Espanto? O melhor é recordar o que Sá de Miranda escreveu, já há 500 anos: “Pasmado e duvidoso do que vi, m'espanto às vezes, outras m'avergonho”. (…) Os grandes incêndios que, nos anos piores, foram responsáveis por 85% da área ardida, só se controlam se houver um trabalho prévio de prevenção, de planeamento e de ordenamento. Há anos que isto se sabe. Há anos que nos prometem atacar este problema. Há anos que nos mentem. Espanto? Ou vergonha? (…) Sem planos regionais a enquadrar as decisões individuais, o Norte e o Centro do país caminham a passos rápidos para a monocultura. O risco de incêndios incontroláveis como os que há uma década devastaram o Pinhal Interior, a outrora maior mancha de pinho da Europa, existe agora em Águeda ou Arouca, onde o eucalipto domina. A destruição a que assistimos esta semana é pois a consequência de 25 anos de irresponsabilidade política, da demissão da comunicação social (em Portugal há três ou quatro jornalistas capazes de escrever sobre a floresta para lá do lugar-comum), da negligência dos proprietários e da indiferença colectiva. É preciso o país arder para que os políticos se movam. O ministro de Administração Interna de 2006 tem agora a oportunidade de se redimir na pele de primeiro-ministro. (…) Precisa ainda de acreditar que nada se fará se não se reforçar o apoio às associações e aos proprietários que estão no terreno – ao contrário da Europa, a floresta nacional é privada e só se pode fazer exigências aos privados se o Estado os apoiar pelo bem público que gerem. Este ano está perdido, mas o Governo tem a oportunidade de ficar na História se mudar o rumo da floresta. Lutar pelo mais importante recurso renovável do país, a mola de três fileiras que respondem por mais de 11% das exportações nacionais, pela fonte de sequestro de carbono e um elemento indelével da nossa paisagem rural é um dever do Estado. Se pensarmos no futuro, o país tem poucos trunfos desta valia. Renunciar a esse potencial não é só estúpido; é criminoso.» Manuel Carvalho in Para além da cortina de fumoPúblico 14ago2016.