sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Espinho: a ESMGA merece uma prendinha


Nem as comemorações dos 60 anos de vida da ESMGA conseguiram merecer uma prendinha da autarquia local. 
Este espaço, a nascente da Escola Secundária Dr Manuel Gomes de Almeida (ESMGA), antiga Escola Comercial e Industrial de Espinho, continua a não estar adequado às necessidades de quem lá trabalha. 
Devidamente preparado, este espaço poderia servir de estacionamento aos automóveis dos professores e funcionários que lá trabalham, aliviando imenso a forte pressão que se verifica na entrada principal, no ângulo das ruas 30 e 35. Terá a ESMGA de celebrar outros tantos 60 anos para merecer esta prendinha?

Plantações de eucaliptos antecipam-se à data da aplicação da nova lei

Imagem captada aqui.
  • A Águas do Porto levou a cabo uma operação de limpeza e desobstrução do leito da ribeira da Granja, no troço da rua de Requesende, Ramalde. Era notório o crescimento excessivo da vegetação aquática e a deposição de sedimentos, pedras e outros obstáculos, que dificultavam o escoamento da água, provocando a sua estagnação e maus cheiros, com o consequente desconforto dos vizinhos. A ribeira da Granja, também conhecida por ribeira do Ouro, de Nossa Senhora da Ajuda, das Naus ou de Lordelo, possui uma das maiores bacias hidrográficas do concelho do Porto, com afluentes que atravessam as freguesias de Paranhos, Ramalde e Lordelo do Ouro. Encontra-se maioritariamente entubada (79,4%), apresenta uma extensão de 14,4 km (no Porto) e desagua no rio Douro. P.
  • Largos hectares de oliveiras e alfarrobeiras centenárias, e também amendoeiras e figueiras estão a ser arrancadas em várias zonas do Algarve, denuncia a Almargem, alertando para a destruição da paisagem mediterrânica e do património natural. Acontece no sítio da Balieira, entre Sta. Margarida e Sto. Estevão”, para instalação de um pomar de abacate. W.
  • «(…) não conseguiram fazer um plano de saneamento básico integral, negociações nas quais participei em 1998 pela Câmara de Gaia e em conjunto com as Câmaras de Espinho e Matosinhos. (…) Para cortar uma relva não é preciso dinheiro nem chegarmos à altura das eleições para arranjar os jardins e rotundas da cidade. Isso é algo que se deve fazer recorrentemente. (…) para tirar as areias dos passadiços basta lá ir um varredor. Os passeios da cidade estão por arranjar, contudo foi renovada a rua junto ao aeródromo de Paramos com candeeiros led de metro a metro. (…)». Delfim Sousa, candidato à CM de Espinho, in Maré Viva.
  • Embora o Presidente da República tenha promulgado a reforma da floresta, a lei, que entre outras medidas proíbe novas áreas de eucalipto, poderá entrar em vigor só em fevereiro. Como se temia, muitos já estão a plantar esta espécie, nalguns casos sem a devida autorização, procurando antecipar-se à implementação de uma lei que se prevê mais dura com os prevaricadores. Jornal de Leiria.

Reino Unido e EUA líderes do comércio de marfim legal

Imagem captada aqui.
  • O ministério do Ambiente da Dinamnarca acusou a Maersk Oil de derrames de substâncias químicas no Mar do Norte, em operações relacionadas com a produção de petróleo. Reuters.
  • O Reino Unido foi o maior exportador mundial de marfim legal, entre 2010 e 2015, para a China e Hong Kong. OS EUA foram o Segundo, diz o The Guardian. Fantástico: não sabia que havia tanto elefante e tanto rinoceronte nestes dois países.
  • Excrementos e preservativos após festa nas dunas de Derrynane, Irlanda. The Irish Times. Lá como
  • Um dia depois de ser processado por 15 estados, o ministro do Ambiente dos EUA, Scott Pruitt, reverteu a sua decisão anterior de adiar a aplicação da legislação da administração Obama no sentido de reduzir a poluição atmosférica. AP/San Francisco Chronicle.
  • Dezenas de leões-marinhos têm dado à costa ce2ntral da Califórnia depois de comerem peixe envenenado por uma camada de algas tóxicas que poderão espalhar-se para norte em direção à Bay Area e causar ainda mais problemas, alertaram biólogos marinhos. San Francisco Chronicle.

Mão pesada

A Abbot Point Bulk Coal Pty Ltd, do grupo indiano Adani, foi multada em mais de 12 mil dólares por despejar águas pluviais carregadas de carvão no mar, em Abbot Point, Austrália. A água descarregada contendo mais de oito vezes a quantidade de sedimentos legalmente permitida foi despejada por uma empresa ligada à família durante o ciclone Debbie em março. The Guardian.

Bico calado

Imagem captada aqui.
  • «(…) nos jogos em casa do Benfica, quem faz a realização? Quem disponibiliza as imagens ao videoárbitro? Quem as edita depois para as televisões? Como é que na TVI24 se via Seferovic e, por exemplo, na SIC, com o plano apertado, ele já não aparecia? Mistério! Queres ver que o videoárbitro também usa óculos encarnados?» Nicolau Santos in O videoárbitro só não acertou com o BenficaTribuna Expresso.
  • «(…) Mesmo os que se comportam como democratas, em países civilizados, não se coíbem de atropelar o direito internacional noutros países. Os quatro delinquentes que invadiram o Iraque foram eleitos democraticamente e jamais manifestaram a mais leve intenção de subverter nos seus países as regras democráticas sob as quais foram eleitos. Bush, Blair, Aznar e Barroso só não são julgados, e presos, por ser maior a força que os protege do que a razão que lhes assiste.(…)» Carlos Esperança, FB.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Barcelona proíbe circulação de scooters, segways e pedicabs na sua zona histórica

Garganta do Azat, Arménia.
  • A Câmara de Barcelona proibiu a circulação de cadeiras de rodas elétricas e scooters, segways e pedicabs na zona histórica da cidade após constantes queixas dos vizinhos devido ao mau uso por parte dos turistas. Isento desta proibição está o uso deste tipo de veículos por parte dos moradores na sua deslocação para o emprego ou no transporte dos seus filhos à escola, e ainda todo o tipo de bicicletas. El País.
  • Embora a Alemanha se tenha comprometido a reduzir em 40% as emissões de gases de efeito estufa até 2020, o carvão, especialmente a linhite, continua a ser explorado em força pela RWE, que continua a expandir a mina de Hambach, engolindo aldeias inteiras no processo. Por isso, muitos observadores duvidam de que o país consiga cumprir as metas estabelecidas em Paris. DW.
  • A Turquia inaugurou a sua primeira central solar flutuante. Instalada num lago que abastece Istanbul de água, a central tem uma capacidade instalada de 250 quilovátios. DS.
  • Salmão transgénico está a ser vendido no Canadá sem qualquer tipo de rotulagem, fornecido pela norte-americana AquaBounty Technologies, a partir do Panamá. As autoridades canadianas dizem que três anos de ensaios garantem que esse salmão é tão seguro e nutritivo com o selvagem. Os ambientalistas apelaram às cadeias de supermercados para o retirarem das suas bancas. France24.
  • Uma árvore de eucalipto transgénico e tolerante ao congelamento está prestes a ser aprovada pelo Ministério da Agricultura dos EUA (USDA). O anúncio ocorre seis anos depois da empresa florestal e biotecnológica ArborGen ter apresentado uma petição ao USDA para a desregulamentação desta nova espécie e mais de uma década depois do início dos testes com esta árvore. Embora o ministério garanta não haver impactos significativos sobre o Ambiente e ser uma excelente fonte de biomassa, os ambientalistas garantem que a energia produzida pela biomassa não traz benefícios para o clima e alertam para o facto de o eucalipto exigir enormes quantidades de água, estimular os incêndios e poder tornar-se uma espécie invasora. Por outro lado, 65 cientistas avisam que a nova política do eucalipto nos EUA vai acelerar a desflorestação e agravar as alterações climáticas. O eucalipto pode crescer depressa mas a sua queima liberta todo o carbono armazenado e a sua reabsorção levará dezenas de anos. Recorde-se que o Brasil já aprovou uma árvore de eucalipto transgénico desenvolvida pela FuturaGene. OIA News.
  • Republicanos do Texas suspeitam que uma offshore nas Bermudas serve para financiar ativistas contra a fraturação hidráulica nos EUA e favorecer a venda de gás natural russo. O alerta foi dado por Lamar Smith e Randy Weber, deputados com fortes ligações às energéticas locais. Responsáveis por várias organizações ambientalistas consideram as suspeitas como fazendo parte de uma nova teoria da conspiração. NP.

Reflexão - Diplomatas de rédea curta


Os diplomatas norte-americanos devem tornear e evitar responder a questões colocadas por governos sobre o que será preciso fazer para convencer a administração Trump a envolver-se novamente no processo do Acordo de Paris, diz uma mensagem revelada pela Reuters.

Enviada pelo Secretários de Estado Rex Tillerson às embaixadas, a mensagem diz que os diplomatas deviam sublinhar que os EUA querem ajudar outros países a usar combustíveis fósseis.

Mão pesada

  • A Harcros Chemicals Inc., sedeada em Kansas City, foi multada em 950 mil dólares por violações de regras na qualidade do ar, e intimada a desenvolver um programa de melhorias e instalação de equipamentos de controlo da poluição nas suas unidades no valor de 2,49 milhões de dólares. EPA.
  • O Sacramento Suburban Water District e o Rio Linda Elverta Community Water District estão a processara Força Aérea dos EUA e 10 grandes fornecedores de crómio e outras substâncias químicas à base aérea de McClellan, exigindo 1,4 biliões de dólares para a despoluição de terrenos e águas subterrâneas contaminadas. The Sacramento Bee.
  • Vários grupos de cidadãos da Carolina do Norte vão processar a Dupont e a Chemours pela contaminação das suas águas pela toxina industrial usada no fabrico do Teflon e de outros produtos antiaderentes. The Intercept.

Bico calado

Animação de FrédéricVayssouze-Faure.
  • A Polícia Judiciária investiga alteração ao PDM de Cascais suspeita de beneficiar fundo imobiliário, conta o DN.
  • «(…) Que algumas das vítimas se prestem a encenar pequenos sketches perante as câmaras da TV, quase convertendo em paródia aspetos trágicos da sua existência, é, na verdade, lastimável. Mas é lastimável sobretudo para os profissionais da comunicação que a isso as incentivam e delas se aproveitam, transformando o seu desespero real em pobre arte circense, para gáudio e uso e abuso político de uns tantos. O despudor imoral de toda esta mistificação deveria provocar a mais gritante indignação de todos quantos têm da intervenção cívica uma visão, não digo elevada, mas decente. A situação de anomia pública a que chegámos nem sequer permite que essa necessária indignação se expresse. Muitos – e de todos os quadrantes– a quem verdadeiramente caberia transmiti-la parecem ter-se demitido de o fazer. Os poucos que o tentam ou são silenciados pelos meios de comunicação ou, pior, são por eles enxovalhados na arena mediática. Alguns, raros, ainda tentam resistir; outros, vexados, claudicam e deixam, quais “prima donnas” inexperientes, o espaço público àqueles que justamente tentaram denunciar. As instituições públicas, mais do que criticadas pelo seu desempenho, são mediaticamente achincalhadas, sem dó nem piedade, pelos “cães que ladram pelas vozes dos seus donos”, como dizia o poeta catalão Fèlix Cucurull. O que releva é desautorizá-las, pois, em algum momento, elas podem, ainda assim, resistir à demagogia e refletir a verdade que incomoda. Perante o óbvio desmascaramento de falsas situações noticiadas com estrondo, nenhum órgão de comunicação social que delas se fez eco se autocritica e nenhum profissional dos media que delas fez alarde parece sentir qualquer vergonha pelo papel que, nessa artimanha, lhe coube desempenhar. Preferem, por isso, entrevistar-se uns aos outros, justificando-se mutuamente com uma indulgência que não aplicam àqueles que lhes ordenaram enxovalhar. Talvez por isso, como em artigo recente do “El País” se dava conta, o jornalismo comece hoje a ser olhado, mais do que como um instrumento necessário da democracia, como um instrumento de dominação, apenas útil à manutenção do statu quo.» António Cluny in Necrofilia, incêndios e falta de decência – A vida e a lei, via Clube de Jornalistas.
  • «O populista não ouve o povo — põe palavras na boca do povo. O populista não quer unir o povo, mas dividi-lo. O populista não quer, aliás, saber do povo para nada. Quer saber apenas de si mesmo e do seu sucesso. A palavra “povo” como raiz do termo “populista”, na sua acepção contemporânea, é apenas uma triste coincidência e um dano colateral à partida. Na verdade, nós nem deveríamos chamar populistas a estes demagogos. Chamar-lhes apenas mentirosos e desonestos seria analiticamente mais rigoroso.» Rui Tavares in Os populistas não querem saber do povoPúblico 9ago2017.
  • Ari Harow, braço direito de Benjamin Netanyahu, está a depor contra o primeiro-ministro israelita. Tudo relacionado com investigações sobre alegados subornos recebidos por Natanyhau. Público.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Espinho: a morte lenta das árvores


Em Espinho, na zona do Rio Largo e noutras, é assim que se prepara, lentamente, a eutanásia das árvores.

Festival Sudoeste é sinónimo de lixo

  • Campistas deixam rasto de lixo depois do festival Sudoeste, na Herdade da Casa Branca, Zambujeira do Mar, em Odemira. A população diz-se indignada porque muitos campistas abandonaram o recinto deixando para trás montanhas de resíduos, situação que, admitem os vizinhos, é habitual todos os anos. Funcionários da autarquia procedem à limpeza. CM. Pois claro. Só falta a autarquia publicar quanto faturou por este festival.
  • Mais de 1.400 queixas oficiais de prejuízos nas culturas onde foi aplicado o herbicida dicamba foram registradas em 17 estados norte-americanos. Os danos cobrem mais de 2,5 milhões de acres levantam questões sobre se a nova formulação de dicamba é realmente a causa do dano generalizado da deriva. Frutas e vegetais, bem como outras culturas que não são geneticamente modificadas para tolerar o dicamba transformam-se muitas vezes em conchas e aparecem distorcidas quando expostas ao produto químico. EcoWatch.
  • Jacques de Queiroz Ferreira, juiz de Minas Gerais, no Brasil, suspendeu temporariamente os processos penais contra 22 pessoas e quatro empresas acusadas de matar 19 pessoas na sequência do desastre da mina Samarco em 2015, sobre a legalidade de escutas telefónicas entre executivos envolvidos e outras provas. A Vale SA e a BHP Billiton, co-proprietárias da mina de minério de ferro de Samarco, estão entre as pessoas acusadas de crimes relacionados com uma barragem de efluentes que desencadeou uma torrente de resíduos considerado o pior desastre ambiental do Brasil. Reuters. Para recordar esta triste tragédia e alguns dos seus contornos mais sujos, convirá (re)ler o que o este blogue foi registando através destas postas.
  • Mais de 9 mil toneladas de óleo de palma derramaram de um navio de carga na sequência de uma colisão, provocando o encerramento de pelo menos 11 praias em Hong Kong, avistamentos de peixes mortos a dar à costa e relatos de maus cheiros. EcoWatch.

Bico calado

Cartoon de Carlos Latuff.
  • Eu, “antidemocrata”me confesso, por Nuno Ramos de Almeida, i: «[excertos] A subida ao poder de Hugo Chávez, eleito em 1998, e tomando posse em 1999, veio alterar os dados da situação. O novo poder colocou a companhia petrolífera nas mãos do Estado e usou os rendimentos desta para fazer um conjunto de programas sociais que permitiram às populações dos bairros pobres aceder à saúde, educação e saírem do limiar da pobreza. Esta política de redistribuição dos petrodólares, não alterou a estrutura de propriedade de poder económico do país, mas retirou dezenas de milhões de venezuelanos da pobreza e permitiu que muitos deles começassem a participar no processo político. Tal como antes, a maioria esmagadora da comunicação social era propriedade de grupos privados hostis a Hugo Chávez. Em 2002, esses grupos, criaram situações de violência e manipularam imagens, fazendo passar um incidente que começou com um tiroteio contra manifestantes chavistas, por um ataque a manifestantes da oposição por forças policiais. Com base nessa manipulação, forças militares contra o governo provocaram um golpe de Estado e prenderam o presidente eleito Hugo Chávez. Esse golpe foi imediatamente reconhecido pelos EUA. Nele participaram os órgãos de comunicação social e os atuais políticos que dirigem, nos dias de hoje, a oposição. A descida de milhares de manifestantes dos bairros populares, e a ação de forças militares fiéis ao presidente, conseguiram derrotar o golpe. Nenhum dos intervenientes passou muito tempo na prisão por aquilo que tinha sido feito. Passado um breve período, tudo estava na mesma: os grupos de comunicação social continuavam a fazer “notícias” hostis ao governo e os dirigentes golpistas mantinham-se em liberdade a dirigir a oposição. Em 20 eleições democráticas realizadas, os chavistas ganharam 18. Grande parte com enormes vantagens. Nas restantes duas, Chávez foi derrotado com margem mínima num referendo para um novo texto constitucional que pressupunha a possibilidade de voltar a candidatar-se, e, mais recentemente, Maduro, depois de ter ganho as presidenciais, num país em que o poder executivo é do presidente, perdeu as eleições legislativas em que o PSUV teve 41% e a oposição do MUD, 56%. Nessas eleições verificou-se a “deserção” do voto popular das grandes cidades, dos chavistas para a oposição, tendo o PSUV vencido apenas nas regiões pobres e rurais. Essa derrota é explicada, em grande medida por um conjunto de fatores, os governos de Chávez e de Maduro não conseguiram mudar a estrutura da economia venezuelana, nem do ponto de vista da posse e do poder económico, nem da sua dependência em relação ao petróleo. Este significa 90% das exportações venezuelanas e cerca de 12% do PIB. Aquilo que tinha contribuído para diminuir a pobreza na Venezuela, tinha sido a redistribuição através de programas sociais dos lucros do petróleo. Mesmo antes da crise de 2008, a situação mudou radicalmente, os EUA, com o apoio da Arábia Saudita, conseguiram diminuir o preço do barril de petróleo de uma forma abrupta e isso prejudicou economias de países como Angola, Irão, Rússia, Venezuela e até Brasil. No caso destes dois últimos países, a aposta dos governos de esquerda tinha sido não tocar na estrutura de propriedade do tecido produtivo e apostar apenas numa maior redistribuição social dos lucros das petrolíferas. Com a crise, este programa ficou em ponto morto. A crise económica tirou margem de manobra ao governo venezuelano e a situação agravou-se com a perda de cerca de 30% do PIB, desde os anos do início da crise. No campo partidário, a oposição, apoiada e subsidiada pelos EUA, apostou num plano que tem dado frutos em outros países, agudizar a violência nas ruas, de modo a que o resto de legitimidade democrática do chavismo termine, e se esqueça o facto de ter contribuído para o fim da pobreza de grande parte da população. Estas técnicas estudadas e sistematizadas por Gene Sharp têm-se mostrado eficientes na Sérvia, na Ucrânia, no Quirguistão, na Geórgia e noutros países em que foram utilizadas, com o apoio do Pentágono. Este processo conta com uma autêntica campanha mediática, que tem muito pouco a ver com jornalismo, cujo objetivo é multiplicar o número de mortos entre os manifestantes e esconder os atos de violência da oposição. Só assim se percebe que a maioria dos jornais espanhóis publiquem a fotografia de uma explosão, dizendo que é violência chavista, quando foi um atentado numa esquadra. As televisões afirmem que foram assassinados candidatos, “esquecendo-se”, que eram chavistas que se candidatavam à Constituinte. Que a comunicação social não divulgue notícias sobre chavistas queimados vivos por opositores. E que os média garantam que os números da consulta popular realizada pela oposição são verdadeiros, sem que os registos dos votos e cadernos eleitorais sejam públicos, enquanto contestem a legitimidade da eleição da Constituinte, dizendo-a ilegal, sem se darem ao trabalho de ler o artigo 348 da Constituição, que a regulamenta. Esta cobertura enviesada não serve para denunciar a violência política e a falta de democracia na Venezuela, ela serve para legitimar um golpe de Estado ou uma maior intervenção estrangeira. É a nova lenda das “armas de destruição maciça no Iraque”. Aquilo que os EUA e as oligarquias locais e mundiais contestam na Venezuela não é serem dirigidas por um incapaz, ou até o crescente autoritarismo do governo de Caracas: os EUA e os seus aliados europeus dão-se muito bem com regimes, como o da Arábia Saudita, que condenou, recentemente, à morte 14 pessoas pelo crime de se manifestarem contra a monarquia, e onde não há nem oposição, nem órgãos de comunicação social contrários ao governo. O que esses poderes mundiais nunca perdoaram ao chavismo foi a tentativa de promover uma maior igualdade económica e colocar os pobres no centro da ação política. É isso que é imperdoável para quem manda neste mundo. Como disse Assange, se a Venezuela tivesse a constituição da Arábia Saudita, tudo estaria bem para Washington e o petróleo em “boas mãos”
  • On the beach 2017. O sinal da guerra nuclear, por John Pilger, in TruePublica: «(Trad. Livre e sumariada] O Congresso dos EUA aprovou uma lei para fazer guerra económica à Rússia, a segunda potência nuclear mais letal do mundo. A única justificação é a promessa de pilhagem. As "sanções" visam também a Europa, principalmente a Alemanha, que depende do gás natural russo e de empresas europeias que fazem negócios legítimos com a Rússia. O embargo foi concebido para forçar a Europa a importar gás americano caro. O objetivo principal parece ser a guerra - guerra real. Nenhuma provocação pode sugerir qualquer outra coisa. Eles parecem desejá-la, embora os americanos não saibam o que é a guerra. A Guerra Civil de 1861-5 foi a última no seu país. A guerra é o que os Estados Unidos fazem aos outros. A única nação que usou armas nucleares contra seres humanos, destruiu, desde então, dezenas de governos, muitas deles democracias, e destruíram sociedades inteiras - o milhão de mortes no Iraque foi uma fração da carnificina na Indochina, que presidente Reagan chamou "uma causa nobre". O ano passado, quando eu filmava no Lincoln Memorial, em Washington, ouvi um guia a falar para um grupo de jovens estudantes. "Ouçam", disse ele. "Perdemos 58 mil jovens soldados no Vietname, e eles morreram a defender a tua liberdade". Subitamente, a verdade tinha sido invertida. Nenhuma liberdade foi defendida. A liberdade foi destruída. Um país campesino foi invadido e milhões de pessoas foram mortas, mutiladas, espoliadas, envenenadas. Faz-se uma lobotomia em cada geração. Os factos são apagados. A história é apagada e substituída pelo que a revista Time chama de "um eterno presente". Harold Pinter descreveu isso como "manipulação do poder em todo o mundo, enquanto se disfarça como uma força para o bem universal, um ato de hipnose brilhante, até mesmo espirituoso e bem sucedido [o que significava] que nunca aconteceu. Nada aconteceu. Mesmo quando estava acontecendo, não estava a acontecer. Não importava. Não interessava. Prepara-se um golpe contra o homem na Casa Branca. Não porque ele seja um odioso ser humano, mas porque ele fez saber que não quer guerra com a Rússia. Este vislumbre de sanidade ou pragmatismo simples é um anátema para os gestores da "segurança nacional" que protegem um sistema baseado em guerra, vigilância, armamentos, ameaças e capitalismo extremo. Eles cercaram a Rússia e a China com mísseis e um arsenal nuclear. Eles usaram neonazis para instalar um regime instável e agressivo na fronteira da Rússia - o seu objetivo é desmembrar a Federação Russa moderna. Mas a ameaça é simultânea. A Rússia é a primeira, a China é a próxima. Os EUA acabaram de completar um grande exercício militar com a Austrália chamado O Sabre Talisman. Treinaram um bloqueio do Estreito de Malaca e do Mar da China Meridional, as principais vias económicas da China. O almirante que comanda a frota dos Estados Unidos no Pacífico disse que, "se necessário", ´mandava bombas atómicas sobre a China. Mas isto não foi considerado notícia. A reportagem honesta já não é bem-vinda em grande parte dos media. Predominam as picaretas falantes: os editores são gestores de infodiversão ou porta-vozes de partidos. Onde havia sub-edição, há agora uma catadupa de clichês. Os jornalistas que não cumprem são descartados. A lei aprovada pelo Congresso é bipartidária. Não há diferença entre democratas e republicanos. Os termos "esquerda" e "direita" já não fazem sentido. A maioria das guerras modernas da América foi iniciada não por conservadores, mas por democratas liberais. Obama presidiu a um recorde de sete guerras, incluindo a guerra mais longa dos Estados Unidos e uma campanha sem precedentes de assassinatos extrajudiciais - assassinatos - por drones. No seu último ano, segundo o Council on Foreign Relations, Obama, o "o relutante guerreiro liberal", lançou 26.171 bombas - três bombas por hora, 24 horas por dia. Tendo prometido ajudar a "livrar o mundo" das armas nucleares, o Nobel da Paz construiu mais ogivas nucleares do que qualquer presidente desde a Guerra Fria. Trump é um fraco fanfarrão. Foi Obama - com sua secretária de estado Hillary Clinton ao seu lado - que destruiu a Líbia como um estado moderno e lançou a cavalgada para a Europa. Em casa, os grupos de imigrantes chamavam-no de "deportador em serviço". Um dos últimos atos de Obama como presidente foi assinar um projeto de lei que entregou um recorde de 618 bilhões de dólares ao Pentágono, refletindo a crescente ascensão do militarismo fascista na governança dos Estados Unidos. Trump aprovou isso.»

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Espinho: Câmara abate as últimas árvores de uma estrada


A Câmara de Espinho conseguiu abater todas as árvores de uma estrada em 8 anos. 
As últimas foram a serrar há poucos dias.
As originais cerca de 150 tinham sido plantadas quando o Sr. Artur Bártolo era Vereador do Ambiente.

Tráfico ilegal de resíduos movimenta 1,5 milhões de toneladas

Foto: The Guardian.
  • Uma operação mundial descobriu tráfico ilegal de 1,5 milhões de toneladas de resíduos. Coordenada pela Interpol, a operação cobriu 43 países durante o mês de junho. EFE Verde.
  • Um derrame subterrâneo de combustível para aviões em Parkland, Washington, forçou o encerramento de um gasoduto da US Oil & Refining Co. Este gasoduto liga a refinaria do petróleo dos EUA em Tacoma aos tanques de armazenamento na base, numa distância de 23 km. Reuters.
  • O estado de Utah processou os proprietários de minas e empreiteiros a trabalhar para o ministério do Ambiente pelo derrame de efluentes de minas que contaminava rios em três estados do Oeste com uma película de águas residuais de cor amarela brilhante manchada de arsénico, chumbo e outros metais pesados. OIA News.
  • Um oficial militar na província indonésia de Jambi afirmou que ordenara que baleassem qualquer pessoa apanhada a atear fogo a floresta de modo deliberado. Reuters.

Mão pesada

Uma empresa de resíduos, 1 dos seus diretores e um caseiro envolvido no depósito ilegal de resíduos em terras protegidas numa aldeia de Essex foram condenados a pagar uma multa de cerca de 20 mil libras. GovUK.

Bico calado

Imagem de JoshKeyes.  
  • «(…) Um tipo de uma claque mata um adepto de um clube rival e as redes sociais quase ignoram. Uma câmara faz um "zoom out" a partir do seio de uma adepta e é um escândalo nacional que obriga o realizador a  justificar-se dizendo que o plano foi acidental e não deliberado. (…)» Carlos Barbosa Oliveira
  • «(…) Perante a acusação, o presidente que tomou o poder a Dilma Rousseff - sem que sobre a presidente eleita pendesse qualquer suspeita de corrupção - está a fazer tudo para evitar o julgamento. E para isso não há limites. Até vale mesmo que ministros do seu Governo se "demitam" para, por 24 horas, assumir o lugar de deputado. No dia seguinte, voltam ao Palácio do Planalto. Entretanto cumpriram a missão, fizeram lóbi por Temer. Já fizeram todas as promessas (im)possíveis, garantiram os favores necessários para que o voto seja favorável.(…)» Paula Ferreira in O carnaval de TemerJN 3ago2017.
  • Projeto de mudança de regime na Venezuela denunciado, por David William Pear in Off Guardian: «[Trad. Livre e sumariada] Quando os EUA queriam mudar um regime, faziam-no em segredo, através da CIA. Aconteceu no Irão (1953), na Guatemala (1954), no Chile (1973), na Nicarágua (1980s), no Haiti (2006), nas Honduras (2009), na Ucrânia (2014) e na Síria. Recentemente, os EUA tornaram-se mais atrevidos e fazem as coisas às claras. Sempre em nome da «promoção da democracia», refinaram as estratégias e financiam a subversão através de instituições como a Agency for International Development (AID), o United States Information Service (USIS), o National Endowment for Democracy (NED) e o International Republican Institute (IRI). A mudança de regime tem sido aperfeiçoada através de sofisticadas técnicas de relações públicas que usam estratégias de marketing, de repetição constante, de controlo de imagem, de seleção de palavras, de campanhas negativas, da manipulação dos media, de propaganda falsa, entre outras. É essencial o apoio de milhões de dólares a partidos políticos das oligarquias. Sem esse dinheiro, os partidos da oposição na Venezuela estariam muito mais divididos e muito mais fracos. Desde 1998 que os EUA tentam mudar o regime da Venezuela. Tudo porque Hugo Chavez soube manter o seu principal recurso, o petróleo, nas mãos do Estado e, através disso, investiu no povo venezuelano. Por isso, a administração Bush não hesitou em apoiar um golpe de estado de dois dias que, em 2002, derrubou Chavez e impôs o maior empresário do país como presidente. Como o golpe falhou, os esforços para derrubar Chavez redobraram. O objetivo é conquistar o petróleo, não é promover a democracia e os direitos humanos. Se fosse para isso há muito os EUA teriam intervindo na Arábia Saudita, onde se decapita gente todos os dias, no México, onde se assassinam jornalistas com frequência, nas Honduras, onde um golpe de estado derrubou um governo eleito democraticamente e impôs uma ditadura ou no Brasil, onde a corrupção mina tudo e todos. No Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, a Venezuela é o 7º numa lista de 20 países sul-americanos. Mas isto os media de reverência omitem ou escondem.» Ora cá está mais uma tentativa

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Espinho: boca-de-incêndio desperdiça água em abundância e com frequência



Na Estrada de São Tiago, em Silvalde-Espinho, há uma boca-de-incêndio quase permanentemente a minar água. Queixa-se a D. Celeste Teixeira Silva de que os competentes serviços camarários ainda não conseguiram resolver o problema, por considerarem, por via telefónica, que o problema não é prioritário. 
E a queixosa desabafa: «Numa altura em que se fala que o país está em risco de seca extrema e que poderemos ser privados da água algumas horas do dia, aqui está a melhor forma de economizar água! Este cenário já se verifica há mais de um ano!»

Lagos estimula o registo fotográfico de boas práticas ambientais

Povoação, SMiguel-Açores
  • A ETAR do Boiço, em Tábua, não tem capacidade para receber os esgotos normais mais a descarga em simultâneo do camião limpa-fossas, pelo que os esgotos continuam a poluir as zonas adjacentes à ETAR, denuncia a CDU local. Lamenta-se a demora na resolução do problema apesar das várias chamadas de atenção em devido tempo feitas junto das entidades competentes. DN.
  • A campanha “Proteger os Golfinhos” entra na sua quarta edição, procurando sensibilizar quem navega nas áreas de ocorrência mais frequente dos roazes, sensibilizando-os para os cuidados de navegação acrescidos, sobretudo ao nível dos skippers das embarcações de recreio, alertando-os para o código de conduta a seguir no caso de avistamento de roazes no rio Sado. Green Savers.
  • A Câmara de Lagos convidou fotógrafos profissionais e amadores para registar ações e contributos de cada cidadão, ou o resultado dessas ações/contributos, para a melhoria do Ambiente. Sul Informação.

Kentucky: carvão continua a baixar

Imagem colhida aqui.
  • No Kentucky, a produção de carvão (-9,9%) e os empregos (-2,8%) a ela associados continuaram a baixar no segundo trimestre deste ano, o que colide com as promessas de Trump. Tudo consequência da baixa geral de preços do gás natural e do sucesso das renováveis. Lexington Herald Leader.
  • A Tyson Foods, a maior produtora de carne dos Estados Unidos, é uma das principais causas de uma enorme zona morta no Golfo do México, que se espera atinja o máximo este verão. Toxinas de fertilizantes e estrume lançados no rio Mississippi a partir de unidades agropecuárias do coração da América, alimentam flores de algas tóxicas que sugam o oxigénio, criando hipoxia ou asfixiando a vida. Mint Press.
  • A iluminação pública noturna pode reduzir até 62% a polinização exercida pelos insetos. Consequentemente, a produção agrícola sofre, conclui Eva Knop, coordenadora da investigação realizada na Universidade de Berna. BBC.

Bico calado

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  • «CR7 pode estar inocente, mas não tem o direito de ser arrogante e mal educado. Nem de se armar em vítima. Como qualquer outro cidadão está obrigado a respeitar a justiça. Atacar uma juíza não é nunca boa ideia. Confundir um tribunal com um campo de futebol é estupidez. Autoproclamar-se génio dentro de uma lâmpada que brilha e chamar insectos a quem dele se aproxima, não é vaidade exacerbada. É uma perigosa manifestação de loucuraCarlos Barbosa de Oliveira in Cristiano Ronaldo, ou o Elogio da Loucura.
  • «(...) Os azares do Maduro assentam no facto de ele não ser emir de uma ditadura petrolífera nas arábias, onde apenas 250 mil dos 2 milhões de habitantes têm direitos de cidadania e não se dedicar aos santificados e imaculados negócios do futebol. Também o ajudava ser aliado dos Estados Unidos, e a Venezuela abrigar o quartel-general do Comando Central da superpotência na região, como acontece com o Qatar. O futebol limpa e desinfeta! Viva a bola abaixo o bolívar.» Carlos Matos Gomes, FB.
  • «(…) Num workshop recente em Pamplona, conversei com engenheiros industriais que estudam uns armários com baterias que recebem e acumulam energia de painéis solares. Um tipo tem um botão e ou gasta da bateria ou gasta da rede. Já viu o que isto vai envolver de mudança do desenho de uma casa? É preciso desenhar e orientar a casa para receber os painéis solares que também já podem ser colocados em vidros - portanto as janelas vão alterar. Há um sistema russo que custa dez paus, uma espécie das decorações de Natal que se colam nas janelas. A própria encomenda pública acabou, pede-se mecenato aos privados. Os museus têm outdoors a dizer "Ampliação da ala de Velázquez paga pela Apple". E eu tenho de ir falar com a Apple e não com o presidente da câmara de Madrid. Não quero fazer um discurso crítico, mas apanhei isto a meio. Tem de se estabelecer novos códigos, novas estratégias, e reconheço que não me apetece, ou não consigo, isso tem um preço altíssimo e deixo de fazer as coisas de que gosto. (…) Por causa dessa obra tive cartazes a dizer "Souto Moura traidor" e houve quem pedisse a minha expulsão da Ordem dos Arquitetos. As pessoas esquecem que o Metro do Porto começou pelo jardim, para se furar sem deitar abaixo dez casas. Tem de encontrar-se um lugar para fazer o furo, e deitar abaixo duas ou três árvores. E depois planta-se 500 árvores, que foi o que fez o Metro. No Tua, a Unesco aprovou o meu projeto. Fiz como no estádio do Braga, que tem uma montanha, e meti a central lá dentro, em estilo Vale dos Reis no Egito. A Unesco perguntou: onde está a central? Está lá dentro. E por fora? Por fora é pinheiros e oliveiras. Então está aprovado. Não sou maniqueísta, não digo betão é mau e verde é bom. Há muito bom verde e muito bom betão, e as duas coisas ao contrário. (…)» Souto Moura in DN 3ago2017.
  • Sabia que há 1.652 prédios devolutos no município de Kensington-Chelsea, no mesmo em que ardeu a torre Grenfell? Todos de gente rica e poderosa, pormenoriza o The Guardian.
  • «Três meses depois da Google ter divulgado a intenção de impedir os utentes de acederem a "notícias falsas", o ranking mundial de tráfego de uma vasta gama de organizações de esquerda, progressivas, pacifistas e de direitos democráticos caiu significativamente. No fundo, o sistema de pesquisa da Google é restringir o acesso a portais alternativos cujo conteúdo e interpretação de acontecimentos colidem com os do status quo estabelecidos pelos media considerados de referência como o New York Times e o Washington Post. Ao fazer baixar, nas páginas de busca, os resultados da pesquisa de certos portais, acaba-se por esconder e enterrar conteúdos considerados inconvenientes. Não foi por acaso que, o mês passado, a Comissão Europeia multou a Google em 2,7 biliões de dólares por manipulação de resultados de busca com o objetivo de dirigir os utentes para o seu serviço de compras.(…)» Andre Damon e Niles Niemuth  in WSWS.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Espinho: Ribeira do Mocho sofre descarga poluente


Que terá feito a Ribeira do Mocho, em Espinho, para, logo no primeiro dia de agosto, merecer descargas de uma espessa espuma castanha perto da sua foz, a 50 metros de um restaurante e de casas de banho públicas?

Peniche: praias ainda sujas da descarga de nafta

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  • A Acuinova, unidade de aquacultura de Mira que pertencia à Pescanova e que foi financiada por bancos portugueses e beneficiou de incentivos fiscais, posteriormente vendida à Oxy Capital, foi declarada insolvente. No Processo Especial de Revitalização, que não passou em tribunal, o Estado, representado pelo Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, reclamava 58,7 milhões de euros. JNegócios.
  • Um mês depois da alegada descarga de 3 toneladas de nafta, que se propagaram por prais de Peniche, muito pouco foi feito pela empresa Plastimar e pelas entidades competentes nacionais (Agência Portuguesa do Ambiente) ou locais (Câmara Municipal de Peniche e pelo Capitão do Porto de Peniche. A fazer fé na nossa fonte, «o epicentro da descarga continua imundo e, contrariamente ao que vem sendo afirmado pelas entidades locais competentes, a área não está circunscrita. (…) Andei pelo terreno e, conforme atestam as fotografias, cerca uma dúzia de sacos pretos que continham pedras com nafta ainda se encontravam na praia (…) e outra dúzia concentrados acima da arriba.»
  • A ACRÉSCIMO condena o apoio público europeu às (re)plantações com eucalipto em Portugal, considerando-o inaceitável e vergonhoso por ser «um investimento marcadamente mercantil, o qual se traduz em mais um generoso financiamento indireto à indústria papeleira.» Tudo porque o Ministério da Agricultura decidiu prolongar por mais 2 meses, de 31 de julho para 29 de setembro, o prazo para a apresentação de candidaturas ao apoio público, de 9 milhões de euros, para ações de replantação com eucalipto em “zonas de elevado potencial”. O apoio público é concretizado pelo PDR2020, através da atribuição de subsídio a fundo perdido, variável entre 30 e 50% das despesas elegíveis.

Cheshire East: Câmara falsificou resultados das análises da qualidade do ar

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  • A Câmara de Cheshire East pediu desculpas públicas por, durante três anos, ter falsificado e manipulado, deliberada e sistematicamente os resultados das análises da qualidade do ar em cinco cidades do seu território. Tudo terá sido feito a bem do município, para lhe dar uma imagem pública de limpeza. The Guardian.
  • Em Birmingham, voluntários começaram a recolher o lixo acumulado nas ruas. A situação foi provocada pela greve dos lixeiros, que dura há 5 dias e deverá prolongar-se até setembro, e está relacionada com cortes nos vencimentos superiores a 21 mil libras anuais e a despedimento de trabalhadores no quadro da reestruturação da respetiva empresa. The Guardian.
  • As células solares orgânicas são flexíveis, transparentes e leves e podem ser produzidas em qualquer tipo de formas ou cores. São, por isso, adequadas a uma variedade de aplicações que não podem ser realizadas com células solares de silício convencionais. Investigadores do KIT acabam de apresentar óculos de sol com células solares coloridas e semitransparentes aplicadas em lentes que fornecem um microprocessador e duas telas com energia elétrica. Isso abre o caminho para outras aplicações futuras, como a integração de células solares orgânicas em janelas ou claraboias. Science Daily.
  • A maior central solar do Irão acaba de ser inaugurada. Construída em 6 meses, a central contou com o financiamento de 27 milhões de dólares da suíça Durion AG e com a supervisão da alemã Adore. Euronews.
  • O projeto da central nuclear de V.C. Summer, perto de Jenkinsville, na Carolina do Sul, vai ser abandonado. Os proprietários, Santee Cooper e South Carolina Gas & Electric, anunciaram o abandono de dois reatores nucleares inacabados para não sobrecarregarem os clientes com custos adicionais. NYTimes.

Reflexão – Quem tem medo dos cientistas nucleares norte-americanos?

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27 cientistas do Departamento de Energia dos EUA foram impedidos de participar na Conferência Internacional de Energia Atómica Nuclear, sobre reatores super-regeneradores a neutrões rápidos, em Ekaterimburgo, Rússia, no final de junho. 
Apesar de se terem inscrito e enviado antecipadamente os sumários das suas intervenções, o departamento proibiu os cientistas de viajarem para a Rússia. Eles próprios recusam apresentar razões para o que aconteceu e remetem para as hierarquias, que se mantêm caladas. 
Razões económicas, provocadas pelos cortes da administração Trump nos orçamentos de alguns departamentos, parecem não ter sido o principal motivo. 
Outrossim quanto à fobia de Trump contra a ciência, responsável pela proibição de divulgação de dados científicos e da participação de cientistas em eventos públicos. 
A razão principal terá a ver com o próprio local da conferência: a Rússia. É que as relações entre Trump e Putin têm vindo a degradar-se significativamente nos últimos tempos pelos imbróglios frequentemente referidos pelos media. 
As próprias relações nucleares entre os Estados Unidos e a Rússia também estão desgastadas. Em outubro passado, em resposta às sanções dos EUA, Putin suspendeu um acordo entre os EUA e a Rússia para eliminar o excesso de plutónio destinado a armas, um acordo para cooperar com os Estados Unidos em investigação relacionada com energia nuclear, e um pacto entre o departamento de Energia e a Rosatom, a empresa de energia nuclear do estado russo, para realizar estudos de viabilidade na conversão de seis reatores de pesquisa russos para urânio mais seguro e pouco enriquecido.
Sublinhe-se que nesta conferência participaram cientistas de mais de 20 países, nomeadamente a China, a França, a Alemanha, a Índia, o Japão, a Coreia do Sul e a Suécia.
HP.

Mão pesada

O Supremo Tribunal do Zimbábue ordenou a interrupção da atividade de uma empresa estatal de diamantes por carência da autorização devida. A Zimbabwe Consolidated Diamond Company (ZCDC) foi formada em março do ano passado, depoisdo governo do presidente Robert Mugabe ter expulsado todas as empresas de mineração de diamantes nos campos de Marange, no leste do país, alegando o fim das suas licenças. Reuters.

Bico calado

Colapso da PT e aldrabice da Altice
  • As autoridades holandesas confiscaram milhares de caixas de ovos que iam ser exportados para a Alemanha. Os ovos tinham vestígios do pesticida fipronil, utilizado para combater pragas de piolhos e pulgas em aviários e proibido no país por ser considerado moderadamente perigoso pela Organização Mundial de Saúde. El País.
  • A polícia do Malawi emitiu uma ordem de prisão contra a ex-presidente, Joyce Banda, acusada de abuso do cargo e pilhagem de fundos públicos. Macua.
  • A polícia moçambicana suspendeu todos os policiais estacionados na estância turística de Ponta do Ouro, no extremo sul do país, após os vizinhos os acusaram de extorquir dinheiro a turistas. CM.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Peniche: Galp Energia abandona pesquisa de petróleo em três das quatro concessões que detinha


Rio Paiva, Praia do Areinho. Foto de Fernando Brito.
  • Arrancou mais uma edição da campanha Vamos limpar o Rio Paiva. Tal como em 2013 e 2015, pretende-se realizar várias ações voluntárias, no mesmo dia e em vários locais nos diferentes concelhos do vale do Paiva, com o objetivo de recolher o lixo depositado nas margens do rio (ou afluentes do Paiva) e sensibilizar a população para este problema. Em 2013 foram recolhidos mais de 500 kg de resíduos nas margens do Paiva e em 2015 cerca de 250 kg.
  • A Galp Energia desistiu de avançar com a pesquisa de petróleo em três das quatro concessões que detinha na bacia de Peniche. Lusa/JN.
  • Uma menor foi atingida por um parapente na praia de Santa Bárbara, no concelho da Ribeira Grande, Açores. Tratou-se de um acidente com um indivíduo de nacionalidade alemã que não conseguiu dominar o parapente e acabou por aterrar na praia de Santa Bárbara, e, ao fazê-lo, embateu numa adolescente que estava no areal. SIC. Faltou a SIC contatar o empreendedor responsável pelo aluguer e pelas aulas de parapente. É que a atividade está vedada em zonas balneares como aquela praia.
  • Victor Hugo Forjaz, de 76 anos, professor universitário aposentado, diretor do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, foi violentamente agredido por vizinho na Relva, arredores de Ponta Delgada.

Nuclear: Garoña encerrada definitivamente

Garoña. Imagem captada aqui.
  • A central nuclear de Garoña foi encerrada definitivamente, conta o La Vanguardia.
  • Adversários do famigerado oleoduto Keystone não baixaram os braços. Recolheram 40 mil dólares e instalaram um enorme painel solar em pleno trajeto do oleoduto. «Não ficamos pelos protestos de rua. Estamos a implantar o tipo de energia que queremos», afirmou Jane Kleeb, fundadora da Bold Nebraska. NTV/ABC.
  • No sábado passado, as cataratas do Niagara brindaram os turistas com águas sujas e mal cheirosas, o que provocou um coro de protestos. Os responsáveis informaram que se tratou de uma rotineira operação de manutenção do sistema de esgotos e que a descarga esteve dentro dos limites legais. BBC. Se a operação é rotineira, como se explica que, em 13 anos, esta tenha sido a primeira vez que o Ambiente Ondas3 registou este tipo de ocorrência neste sítio? Não digam que tenha havido censura durante todo este tempo...
  • Arizona Public Service Company (APS), a maior fornecedora de energia do estado, tentou impedir o uso de energia solar nos telhados dos edifícios através da eleição de candidatos seus amigos para a Arizona Corporation Commission, a reguladora dos serviços públicos do estado. Agora, a APS está a ser investigada pelo FBI em relação a dinheiros investidos nestas negociatas. Think Progress.

Reflexão – A Irlanda assinou o Acordo de Paris, mas, pela calada, autorizou a extração de gás e petróleo ao largo da costa

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O ministro do Ambiente da Irlanda, Denis Naughten, assinou a concessão da exploração do bloco Druid/Drombeg ao largo da costa oeste da Irlanda. Fê-lo pela calada, uma vez que o portal do governo se manteve calado sobre o assunto. Apenas o portal da Proactive Investors confirmou o início dos trabalhos de prospeção da empresa, subcontratados à Stena IceMAX.
Algumas semanas antes, Naughten deslocara-se a Bruxelas, onde tudo tem feito para atrasar a aplicação das medidas previstas no Acordo de Paris, alegando que reduzir as emissões de gases de efeito de estufa em 20% até 2020 é um objetivo demasiado oneroso para o país.

O bloco Druid/Drombeg por si só poderá produzir o equivalente ao total de emissões de gases de efeito estufa da Irlanda (a níveis de 2016) durante pelo menos o próximo quarto de século.

A Irlanda é um dos dois únicos estados da UE que está quase a falhar os objetivos de redução de emissões de 2020. Em vez do corte previsto de 20%, a Irlanda deverá apresentar uma redução de 6% em relação aos níveis de 2005.
Uma vez que a perfuração offshore está a ser feita por uma empresa privada, o carbono libertado não será contabilizado como responsabilidade do governo irlandês, mas será contabilizado no mercado de carbono da Europa conhecido como o Sistema de Comércio de Emissões da UE.

A notícia do acordo de extração de petróleo ao largo da Irlanda ocorre um mês depois da própria Irlanda ter aprovado uma lei contra a fraturação hidráulica, depois da França e da Alemanha terem feito o mesmo.
Grace O’Sullivan, deputada do Green Party, denunciou esta profunda contradição: «A nossa atual política energética é uma contradição completa, uma política que só pode levar a uma conclusão: temos que manter o petróleo no solo».
O ministro do Ambiente Denis Naughten tem a sua base política eleitoral no mundo rural e defender causas ambientais significa colidir com os interesses do poderoso lóbi agroindustrial. Não é por acaso que, segundo o novo plano de mitigação nacional, o setor agrícola, que representa um terço de todas as emissões, merece uma espécie de cartão de livre trânsito em relação às reduções de emissões de gases de efeito de estufa, fazendo com que todos os outros setores tenham virtualmente de reduzir 100% das suas emissões se a Irlanda quiser cumprir com as suas obrigações legais.

Além dos danos climáticos provocados pela extração de mais combustíveis fósseis, há perigos específicos inerentes a este plano de mega-perfuração no banco Porcupine aprovado pelo ministro.
Primeiro, esta região é uma atração para populações de baleias e golfinhos e estas são severamente ameaçadas pela atividade sísmica que acompanha a perfuração de petróleo.
Segundo, em junho de 2015, uma equipa internacional de cientistas marinhos descobriu um novo habitat de coral de água fria ao lado do banco de Porcupine, onde o coral se estende até profundidades de 900 metros, o que evidencia a ecologia rica e frágil da região, agora ameaçada.
Finalmente, a perfuração proposta no banco de Porcupine ocorrerá em águas mais profundas e potencialmente tempestuosas do que o Golfo do México, onde aconteceu a catástrofe da Deepwater Horizon em 2010. Isso representou o derrame de cinco milhões de barris de de petróleo no Golfo, provocando um desastre ecológico com um custo económico de dezenas de biliões de dólares.

Bico calado

  • « (…) Neste preciso momento, Lobo Xavier, Paulo Núncio, Samuel Almeida e muitos outros fiscalistas próximos do CDS-PP estão activamente a explorar todos os buracos das leis fiscais - leis que, aliás, eles próprios ajudaram a criar - para desviar milhares de milhões de euros do regime contributivo que paga os serviços públicos dos cidadãos comuns. (…) enquanto [o CDS-PP] tenta acabar com uma prestação social atribuída a famílias pobres, usando um argumento que só foi verificado em 0,26% dos candidatos a essa prestação, as mesmas pessoas contribuem activamente para criar e explorar falhas legais que permitem a evasão fiscal de fortunas incalculáveis. É assim que funciona a prestidigitação: enquanto uma mão distrai o olhar, a magia acontece na outra. Ou, por outras palavras, enquanto uma mão distrai o povo com uns trocos gastos no RSI, a outra mão desvia valores que sustentariam o RSI durante décadas. O CDS-PP é isto.» Uma Página Numa Rede Social, FB.
  • «(…) Não reconhecer o erro factual (que pode acontecer a qualquer redação), não corrigi-lo, não pedir desculpa aos leitores, não distingui-lo claramente da discussão subjetiva do que deve ou não deve ser uma notícia é o pior caminho para a defesa da liberdade de imprensa: revela, por parte dos jornalistas, autoritarismo, autismo, arrogância e fará, pela banalização, que uma notícia de jornal acabe mesmo por ter o nível de credibilidade de uma inventona na web. Não assumir o erro no jornalismo liquida o respeito que a sociedade tem pelos jornais. Na sequência desse imodesto abuso de poder jornalístico, constante e repetido, a sociedade, inevitavelmente, acabará por exercer o seu direito a limitar a liberdade de imprensa... É isso que queremos? (…)» Pedro Tadeu in O autoritarismo dos jornalistasDN 1ago2017.