quinta-feira, 19 de abril de 2018

Lisboa finalista na corrida ao título de Capital Europeia Verde de 2020

  • Houtouwan, uma aldeia piscatória na ilha chinesa de Shengshan está abandonada desde a década de 1990. Devido ao aumento da concorrência com a vizinha Xangai e ao esgotamento das reservas de pesca, os moradores foram forçados a encontrar trabalho noutros lados, deixando a sua aldeia costeira ao capricho da Mãe Natureza.
  • Lisboa é novamente finalista na corrida ao título de Capital Europeia Verde de 2020. A capital portuguesa disputa o título com Gent (Bélgica) e Lahti (Finlândia). TVI24.

Mão pesada

Um agricultor de Shropshire foi multado em 36 mil libras por extração de água de um furo sem a devida licença. GovUK.

Bico calado – O grande filme dos Capacetes Brancos

Subsídios recebidos pelos Capacetes Brancos, reportados a outubro de 2016.
Info captada aqui.

Capacetes Brancos homenageados em Fafe pedem mais firmeza à ONU para evitar novo desastre humanitário.
Já em 5 de março passado, o restaurante Mezze disponibilizou-se para cenário de angariação de fundos para os Capacetes Brancos

Este súbito movimento de apoio aos Capacetes Brancos é muito estranho. Em março de 2017, o Guardian levantava uma ponta do véu que sobre o bilião de libras concedido pelo britânico Conflict, Stability and Security Fund, sublinhando que esse orçamento era tão secreto que só um restrito número de deputados britânicos conhecia a lista completa dos 40 países onde esse dinheiro era «investido». 

Sabe-se hoje que, para além do apoio inicial do United Kingdom Foreign and Commonwealth Office e posteriormente do Conflict, Stability and Security Fund e do Hero Fund, os Capacetes Brancos recebem muito apoio da USAID e da norte-americana Chemonics, do canadiano Peace and Stabilization Operations Program, do governo dinamarquês, do governo alemão, do ministério dos Negócios Estrangeiros da Holanda e da Nova Zelândia e da Japan International Cooperation Agency.

Os Capacetes Brancos estão, pois, longe de ser aquela ONG independente que agrega voluntários empenhados em salvar vidas e fortalecer as comunidades sírias. Para além de se conhecer os fortes apoios internacionais que recebem, eles trabalham de mãos dadas com a Nusra Front, a al-Qaeda síria, com quem partilham as suas bases

Até mesmo médicos suecos  denunciaram os Capacetes Brancos por más práticas médicas e abuso de crianças com objetivos de propaganda. 
Os Capacetes brancos são uma poderosa máquina de propaganda muito bem oleada por porta-vozes dos grandes media de referência, diz John Pilger

E o prémio foi o Óscar que lhes atribuíram em 2017 por um documentário propagandístico que dizem ter feito. Curiosamente, o seu chefe Raed Saleh, faltou à cerimónia da atribuição do prémio por não ter conseguido o visto de entrada nos EUA por alegadas ligações a grupos extremistas.
Entretanto, vários vídeo clips e fotografias mostram membros dos Capacetes Brancos marchando sobre cadáveres de forças governamentais sírias e agitando bandeiras de organizações terroristas. Além disso, uma análise, nas redes sociais, aos perfis de 65 figuras ligadas aos Capacetes Brancos detetou numerosos postes de apoio ao ISIS, Jabhat al-Nusra, Ahrar al-Sham e outras organizações terroristas. Aconteceu até que um vídeo divulgado pelos media de referência mostrando um rapaz «sírio» resgatando a irmã sob fogo de atirador furtivo não passava de uma fraude produzida em Malta por uma equipa norueguesa que garantiu tê-lo feito «para ver a reação dos media».

E há ainda o devastador artigo que Philip Giraldi, ex especialista da CIA em contra terrorismo e funcionário da secreta militar, publicou em julho de 2017: «A Fraude dos Capacetes Brancos». 

Refira-se que os Capacetes Brancos foram criados em 2013, na Turquia, por James Le Mesurier, um ex-funcionário da secreta militar britânica, que, na altura, tratava de um contrato para os governos do Reino Unido e dos EUA. Foi esta estória que o próprio Le Mesurier contou numa conferência em Lisboa em 26 de junho de 2015.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Mar galgou a terra em Esmoriz e Furadouro


Em Espinho, o mar foi muito benevolente na tarde de ontem. Embora tenha fustigado o esporão da praia da Baía e se tenha espraiado pelos areais a norte, proporcionou uma tarde para a juventude exibir umbigos e ombros sequiosos de sol.

A sul, o cenário foi totalmente diferente. O mar galgou a terra em Esmoriz, 


e a Câmara Municipal de Ovar teve que mandar avançar máquinas para tapar brechas abertas no enrocamento junto ao bar do “Albano”, na praia do Furadouro.

Espanha continua a apoiar a produção de óleo de palma

Rabo de Peixe, S. Miguel-Açores. Foto: Rui Soares.
  • A Espanha, ao contrário de Portugal, Holanda e outros países, não vai subscrever uma proposta do Parlamento Europeu para deixar se usar o óleo de palma no biodiesel por não o considerar uma energia renovável. Está provado que a produção de óleo de palma provoca enormes emissões de dióxido de carbono, deslocaliza populações nativas e destrói a biodiversidade. Ecologistas en Acción.
  • Centenas de barris com resíduos nucleares de uma instalação de armazenagem provisória na cidade de Leese, no estado alemão da Baixa Saxónia, têm de ser examinados quanto ao risco de derrame. DW.
  • A ministra alemã da Agricultura, Julia Kloeckner, informou que está a concluir um projeto de regulamentação para acabar com o uso do herbicida glifosato em jardins, parques e instalações desportivas, e estabelecer limites máximos para a sua aplicação na agricultura. Reuters.
  • Desenvolvida enzima que "come" garrafas de plástico, conta a RTP. Fixe! Afinal eles podem continuar a inundar o mundo de plástico que não faz mal, haverá sempre uma enzima à sua espera. As petrolíferas agradecem.
  • Nazildo dos Santos Brito, ativista contra a produção de óleo de palma, é a terceira vítima mortal em 4 semanas com o aumento dos conflitos por terra no estado do Pará, Brasil. The Guardian.
  • A venda de baterias para armazenamento de energias renováveis disparou em todo o mundo, revela a consultora multinacional IHS Markit. Energías Renovables.

Bico calado

  • Mark Taliano, de Damasco: o ataque com armas químicas não aconteceu. Foi um «hoax/false flag usado como pretexto para uma escalada de crimes de guerra na Síria. A apresentação dramatizada incluiu a filmagem de “vítimas” num hospital local, para onde foram lavadas para serem “descontaminadas”. Os moradores da zona garantem que foram aterrorizados pelos terroristas ocupantes, não pelo presidente Assad, que eles apoiam. OAN. Via Global Research.
  • «Há anos que Israel abastece regularmente rebeldes sírios perto da sua fronteira com dinheiro, comida, combustível e apoios médicos, um envolvimento secreto na guerra civil do país inimigo, com o objetivo de implantar uma zona-tampão povoada por forças amigas. O exército israelita está em comunicação regular com grupos rebeldes e a sua assistência inclui pagamentos não revelados a comandantes que ajudam a pagar salários de combatentes e comprar munição e armas, segundo entrevistas com alguns combatentes sírios. Israel estabeleceu uma unidade militar que supervisiona o apoio na Síria - um país com quem tem estado em guerra há décadas - e reservou um orçamento específico para a ajuda, disse uma pessoa familiarizada com as operações israelitas.» (sic) Rory Jones in The Wall Street Journal de 18jun2017. Também no Independent, no Times of Israel, no Haaretz, e na insuspeita Newsweek.
  • «E foi preciso uma pequena estação de rádio irlandesa para entrevistar Robert Fisk em Douma, e com tantos media grandes e de referência por lá. Pior foi ver Richard Hall (BBC), Dan Hodges (Mail) e Brian Whitaker (Guardian) criticarem-no a partir dos seus sofás confortáveis. Mas a parte mais importante da reportagem de Fisk não foi o levantar de enormes dúvidas acerca da veracidade do alegado ataque com armas químicas. A parte mais importante da sua reportagem são as provas concludentes de que os Capacetes Brancos fazem parte das fações jidaistas que o Ocidente tem armado, financiado, treinado, aconselhado e apoiado, ao lado da Arábia Saudita e IsraelCraig Murray.
  • Macron, Sr. Pequeno Napoleão, disse Marisa Matias no Parlamento Europeu.
  • 7 mil pares de sapatos cobrem a relva do Capitólio em homenagem às crianças abatidas a tiro desde o massacre da escola primária de Sandy Hook, no Connecticut, em 14 de dezembro de 2012. Como as matanças têm sido limpinhas, feitas com armas vendidas legalmente, seria impossível vermos Theresa May, Boris Johnson e Emmanuel Macron atacar os EUA com bombas e mísseis para os castigar por causa destas matanças de crianças.
  • O embaixador de Israel nas Nações Unidas faz neste momento o trabalho de cicerone a 40 colegas (Sérvia, Jamaica, Bósnia-Herzegovina, Hungria, Libéria, Ucrânia, Uganda, Eslovénia, Malta, Moçambique e Etiópia) na véspera do dia da independência e que marca a expulsão de cerca de um milhão de Palestinianos para dar lugar a Israel. MEM.
  • «O caso Skripall teve um desenvolvimento inesperado. Tanto o laboratório militar de Porton Down como a OPCW (Organização para a Proibição da Armas Químicas, na sigla em inglês) não conseguiram identificar o agente químico usado na tentativa de envenenamento de Sergei Skripall e da sua filha Youlia. A OPCW enviou as amostras que Londres lhe tinha facultado para o laboratório suiço Spiez, laboratório que é referência mundial nos estudos técnico-cientificos das ameaças derivadas de acidentes nucleares, biológicos e químicos. O agente químico foi identificado como BZ, nunca produzido na União Soviética ou na Rússia. Quem o produz são os Estados Unidos da América e o Reino Unido e quem os usou ou usa os países da NATO. A OPCW já noticiou qual o agente químico utilizado, ocultando quem o produz e quem o detém o que, no mínimo, é pouco sério. O que dirão agora Theresa May e Boris Johnson, depois de tantas certezas e da guerra diplomática que desencadearam? Que dirão Trump e Macron? E os outros países que tão pressurosamente alinharam com as teses desses farsantes? E os media sempre tão apressados a ribombar tambores com as diatribes dessa gente? (…).» Manuel Augusto Araújo, in A grande farsa Praça do Bocage.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Celtejo intimada a reduzir em 52% o despejo de efluentes no rio Tejo

Menhir dos Três Irmãos, Serra da Freitaa
  • A fábrica de papel Celtejo, de Vila Velha de Ródão, vai ser obrigada a reduzir em 52% a carga poluente que despeja no rio Tejo. Público.
  • O governo-sombra de Rui Rio para o Ambiente foi instalado em Aveiro. Ana Isabel Miranda é a coordenadora e Salvador Malheiro é o porta-voz. Ovar News.
  • Trump pediu ao ministério do Ambiente dos EUA para aligeirar as restrições a empresas e governos estaduais que mostraram ter feito esforços para reduzirem os níveis de poluição. LATimes.
  • Em Los Angeles, pintar o piso de ruas tem reduzido o impacto das ilhas de calor. A solução é cara, mas os resultados são benéficos, dizem os vizinhos. MNN.
  • O rio Mississippi esteve encerrado ao tráfego de barcos numa extensão de 16 km na sequência de um derrame de gasóleo de um barco que chocou com um cais perto de New Orleans. Reuters.

Memórias curtas

Foto: Chris Van Wyk/ZSL/PA

Mão pesada para a Centroliva

A Centroliva foi condenada a pagar uma coima de 300 mil euros e a encerrar a atividade durante três anos. Em causa estão descargas de águas residuais para a Ribeira do Lucriz, afluente do rio Tejo, em Vila Velha de Ródão. RTP.

Bico calado

Foto: Himanshu Sharma/AFP/Getty Images

«(…) O país encontra no futebol a sua fábrica de irrelevância e distracção barata, e também uma cultura de violência consentida e sobre a qual há enorme complacência. Não é bom. Mas encontra uma outra coisa mais séria — uma comunicação social em crise que se agarra ao futebol como tábua de salvação, varrendo todos os outros interesses, todas as outras preocupações, todos os outros temas. É bom para o poder, é mau para as pessoas e é péssimo para a comunicação social cuja degradação se acentua à medida que a tabloidização cresce e as notícias e o jornalismo perdem relevância.(…)» José Pacheco Pereira, in Perguntas que não levam a parte nenhuma por causa das respostas - Pùblico 15abr2018.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Ovar: dunas primárias arrasadas a norte do Furadouro

  • Dunas primárias estão a ser destruídas na zona norte da praia do Furadouro, denuncia Sisandra Sousa. A decisão e a operação são incompreensíveis, tendo em conta que ainda há poucos anos, um passadiço foi lá implantado para proteger o cordão dunar, impedindo o pisoteio e permitindo a formação e crescimento de novas dunas. «O passadiço cumpriu a sua função, as pessoas respeitaram as regras e assim dunas novas se formaram, foram crescendo e até nalguns locais soterrando parcialmente o passadiço. Assim nasceu esta duna, que já com algum grau de consolidação pela presença de vegetação, foi destruída!» lamenta Sisandra Sousa. 
  • Portugal concorre com um projeto para os Prémios Natura 2000 anualmente concedidos pela Comissão Europeia e que, na sua categoria de prémio Cidadão, é eleito por voto popular.  VOTE ATÉ 22 DE ABRIL, domingo. O projeto educativo “Escola da Natureza”, promovido pelo CMIA de Viana do Castelo, mereceu o destaque do programa “Biosfera”, da RTP2. Neste programa foram apresentados três exemplos de projetos educativos onde a Natureza é uma escola! Durante o ano letivo 2016/2017 foram inúmeras as iniciativas levadas a cabo no âmbito deste projeto: saídas de campo aos ecossistemas naturais (praia rochosa, sistemas dunares, ecossistemas ribeirinhos e Parque Ecológico Urbano), visitas de estudo aos municípios parceiros, atividades de formação para professores em diversas áreas (formação creditada), etc. Mais informação aqui.


Foto: Raimundo Quintal 9abr2018.

  • A erosão costeira atinge a ilha de Porto Santo.



Suécia avança com projeto pioneiro de carregamento de veículos elétricos

Foto: Stuart Pimm/NG.
  • Cerca de 2 km de trilhos elétricos foram embutidos numa estrada perto de Estocolmo para carregamento de veículos. Neste projeto pioneiro a nível mundial, a estrada eletrificada é dividida em seções de 50m, com uma seção individual alimentada somente quando um veículo se encontra por cima dela. Quando o veículo pára, a corrente é desligada. O sistema é capaz de calcular o consumo de energia do veículo, o que permite que os custos de eletricidade sejam debitados por veículo e utente. Este «carregamento dinâmico», ao contrário do uso de postos de carregamento na estrada, significa que as baterias do veículo podem ser mais pequenas e a sua produção também ser mais barata. Embora 1 km custe 1 milhão de euros, o custo da eletrificação é 50 vezes inferior ao necessário para construir uma tradicional linha de elétrico urbano. The Guardian.
  • O governo da Nova Zelândia não concederá novas licenças de exploração de petróleo em alto-mar, o que foi saudado por grupos ambientalistas como uma vitória histórica na luta contra as alterações climáticas. The Guardian.
  • O milionário indonésio Anthoni Salim é acusado de usar empresas de fachada para desmatar floresta para produzir óleo de palma. O mais recente crime ambiental levado a cabo por empresa da sua responsabilidade foi a destruição de uma zona húmida de turfa em Borneo. Todas estas operações causaram tanto impacto que até mesmo o mui insuspeito Citigroup  anunciou que cancelou todos os acordos de empréstimo com a IndoAgri, o braço de agronegócios do Grupo Salim. O Grupo Salim já tinha sido acusado de estar por trás de quatro empresas na vanguarda da expansão ilegal de dendezeiros na região de Papua, na Indonésia, empregando uma complexa rede de diretorias compartilhadas e empresas offshore para ofuscar as suas responsabilidades. Mongabay.

Mão pesada

Um agricultor de Northumberland foi multado em cerca de 23 mil libras por poluir o rio Till, um curso de água protegido. GovUK.

Bico calado

Foto: 馬薈阜
  • «(…) o nuestro hermano chefe é um  saudosista de Franco. Não respeita as regras da democracia e pediu aos juízes e a um Rei Pasmado que o ajudassem a perverter o espírito democrático. Ignorando o resultado de eleicões livres e democráticas, cujo resultado não lhe agradou, Rajoy  começou por mandar a polícia espancar os catalães e agora, com a preciosa ajuda de uns juizes jarretas, tão fascistas quanto ele, manda prender todos os catalães que rejeitam a vergasta de Madrid. Mas se  o país de "nuestroshermanos" é um fora da Lei, que dizer do nosso irmão Brasil? Por ali há muita alegria, muito samba, mas pouca cabecinha e nenhuma vergonha. Os juizes fazem política e os generais,saudosos dos tempos em que detinham o poder,  dão-se ao luxo de  ameaçar os juizes se não decidirem de acordo com a sua vontade. Temer é uma marioneta colocada no Palácio do Planalto para garantir que os muitos milhões de brasileiros que Lula tirou da miséria voltem à pobreza para servirem de escravos a uma elite pirosa que  enriqueceu à margem da Lei e a uma classe média que gosta de se dar ares.  A justiça  é incapaz de o  julgar, com medo das represálias executadas por jagunços. (…)»  Carlos Barbosa de Oliveira, in Uma família da TretaCrónicas do rochedo.
  • Morreram 257 pessoas, entre os quais militantes da Frente Polisário, em queda de avião militar, num dos acidentes de aviação mais mortais de sempre. Iam mais de 250 pessoas a bordo. Fantástico: considerado um dos acidentes de aviação mais mortais de sempre e os media de referência não desenvolvem. Por outro lado, o afogamento de 2 austríacos na praia do Meco tem dado que falar nas TVs portugueses desde segunda-feira passada. 
  • A Federação Internacional de Jornalistas acusou o governo israelita de «fabricar mentiras para justificar o assassínio», a propósito da morte de Yasser Murtaja, jornalista palestiniano abatido a tiro por tropas israelitas em 6 de abril

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Murtosa insatisfeita com dragagem de canais da Ria

Imagem colhida aqui.
  • presidente da Câmara Municipal da Murtosa, Joaquim Baptista, mostra-se crítico da dragagem prevista para a Ria e que o Ministério do Ambiente prevê iniciar em Maio. Em entrevista ao Diário de Aveiro, o autarca murtosense, considera que «dragar canais de navegação sem acautelar as estruturas económicas adjacentes não resulta em nenhuma actividade económica. Com o devido respeito, mas fazer uma obra para ver os barcos a subir até à ponte da Varela e depois vê-los descer porque não têm qualquer possibilidade de ancorar nem na Torreira, nem em sítio nenhum, porque apenas o canal principal está navegável, deixa-me preocupado. (…) a dragagem vai intensificar os caudais que entram e saem dos canais principais e aumentar o chamado prisma de maré, ou seja, o diferencial entre as marés baixas e altas». Todos têm saudades da Ria da década de 50 em que havia uma diferença de 1,5 metros entre a maré alta e a baixa. «Não tínhamos tanta água na maré alta, mas tínhamos muito mais água na maré baixa. E isso é que permitia que tivéssemos um espelho de água que permitia a realização de regatas, por exemplo». Só poderá haver actividade marítimo-turística se houver possibilidade de ligar canais ao canal principal. «Ora, isso não é possível no actual esquema. Porque o aprofundamento do canal principal vai fazer com que cada vez menos tempo as zonas adjacentes tenham água, porque esta concentra-se no canal principal muito mais tempo», conclui. Ovar News.
  • Drops Roof é uma cobertura captadora de água desenvolvida por Elisabet González Castro, em Barcelona. Este sistema de placas, que se instala na cobertura dos edifícios, combina três técnicas de captação: a destilação diária, a captação do orvalho noturno e a captação da chuva, satisfazendo a procura de água da casa para seu uso e doméstico. Permite também reciclar as águas sujas. Estima-se que o investimento seja compensado em 4 anos. As placas captam mais de 6 litros de água diários, por metro quadrado. Assim, para um consumo viável por pessoa de 100 litros diários será necessários 16 placas por pessoa. O produto mereceu uma menção honrosa e o prémio Santander Explorer, e já há 20 clientes em fila de espera para o aplicar. El País.
  • morango é, pelo terceiro ano consecutivo, o produto hortícola que regista índices mais elevados de resíduos de pesticidas, revela o relatório de 2018 do Environmental Working Group. Seguem-se-lhe, por ordem decrescente: espinafre, nectarina, maçã, uva, pêssego, cereja, pera, tomate, aipo,  batata e pimentão doce. Por outro lado, os produtos hortícolas que menos resíduos de pesticidas registaram foram: abacate, milho doce, abacaxi, repolho, cebola, ervilha doce congelada, mamão, espargo, manga, beringela, melão, kiwi, cantalupo, couve-flor e brócolos. MNN.

Memórias curtas

Foto: Changqing National Nature Reserve/Xinhua/Barcroft Images


Bico calado

Foto: Victor Moriyama/Getty Images
  • «O golpe aparentemente delineado em Londres pelos serviços secretos da senhora May, com conhecimento directo do ex-secretário de estado norte-americano Rex Tillerson e do presidente francês Emmanuel Macron, está em andamento, apesar de ter sido denunciado e desmascarado em tempo útil. A conspiração assenta num patamar superior de tensão internacional criado pela conjugação dos efeitos da rábula em torno da tentativa de assassínio do ex-espião duplo Skripal e filha e de um suposto ataque com armas químicas na Síria, a atribuir imediatamente às forças governamentais. O plano conspirativo foi conhecido e desmascarado internacionalmente por serviços secretos sírios e russos, o que permitiu a tropas sírias desmantelarem dois laboratórios de armas químicas geridos por terroristas afectos à Al-Qaida. Estes factos ocorreram há quase um mês. Além disso, os episódios da novela em torno da tentativa de assassínio de Skripal e filha estão longe de concluídos – afinal as duas vítimas estão vivas e estabilizadas quando, de acordo com as doses de veneno citadas por fontes governamentais britânicas – mas não segundo a Scotland Yard – deveriam ter morrido imediatamente, sem mesmo poderem deslocar-se a pé até ao local onde foram descobertas e socorridas. Acresce que duas semanas depois de o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, também conhecido pelo «Trump britânico», ter garantido que o veneno usado era de fabrico russo, cientistas britânicos sentiram-se obrigados a desmenti-lo, em nome da seriedade do seu trabalho. Um responsável do laboratório de Porton Down, a 15 quilómetros do local onde Skripal foi descoberto, declarou à televisão Sky News, em seu nome e dos colegas, que não tinham possibilidade de provar que o produto tóxico usado contra o espião reformado fosse de origem russa. (…)» José Goulão, in À beira do abismo, Abril, Abril.
  • «(…) A razão pela qual o Facebook nunca foi transparente nas suas políticas de privacidade é porque sabe que se o fosse, nunca teria o sucesso que teve. A empresa sempre se aproveitou da ignorância dos utilizadores e da margem que a tecnologia lhe permitiu para espiar os utilizadores quando estavam a usar a sua aplicação e também quando não estavam.(…)» Diogo Queiroz de Andrade, Público.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Ovar: 3 quebra-mares vão combater erosão costeira

Imagem colhida aqui.
  • Vão ser implantados dois quebra-mares ao largo do Furadouro e outro ao largo de Cortegaça. Estas obras de defesa da costa foram acordadas com a Agência Portuguesa do Ambiente, cujo orçamento suportará 3 dos 20 milhões de euros disponibilizados pelo município de Ovar. Ovar News.
  • A Agência Portuguesa do Ambiente chumbou o projeto de construção de um empreendimento junto da praia de Monte Gordo, em Vila Real de Santo António. O município é acusado de se ter apoderado de um terreno do Estado e de o ter vendido com o intuito de aí ser construído um hotel. Já em 2010 o ministério das Finanças fora alertado para esta situação, mas nada fez para defender o interesse público. Segundo o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) Vilamoura - Vila Real de St.º António, a parcela em questão situa-se na faixa de proteção à linha de costa e tem de ser acautelada a salvaguarda do sistema dunar. Apesar disso, a Administração da Região Hidrográfica do Algarve autorizou a construção do edifício a 15 metros da praia, violando os regulamentos do POOC. Público.
  • Pela enésima vez uma corte de alegados ignorantes da grave situação dos efluentes suinícolas que poluem a ribeira dos MIlagers e a bacia hidrográfica do Lis passeou pela zona, manifestou-se chocada e disse que estavam reunidas as condições para se concretizar a construção e gestão pública de uma ETES. Apesar dos inúmeros pormenores da visita, o escriba de serviço omitiu o local concreto do repasto na Batalha.
  • O aterro sanitário do sotavento algarvio, na serra do Caldeirão, está a lançar os lixiviados (líquido com grande carga poluente proveniente da biodegradação dos resíduos depositados) diretamente na ribeira do Vascão, em direcção ao rio Guadiana. Na origem desta situação poderão estar as chuvas. A pluviosidade, considerada anormal para a época, aparentemente alterou o modo de funcionamento desta infra-estrutura. Um das duas lagoas de estabilização da ETAR passou a deitar os efluentes na linha de água sem passar pelos filtros. O facto de estar a chover poderia ter diluído a matéria poluente mas não foi o suficiente para camuflar o eventual crime ambiental. A ETAR que serve o aterro encontra-se avariada há cerca de seis meses. Em alternativa, a empresa concessionária do aterro (Algar), passou a fazer o transporte dos lixiviados em camiões-cisterna para as ETAR na zona litoral, através de um acordo com a empresa Águas do Algarve. Mas mesmo quando a estação de tratamento dos efluentes se encontrava operacional, surgiam reclamações frequentes pelo mau funcionamento do aterro. Público.
  • Cinco guardas florestais foram mortos numa emboscada no parque nacional de Virunga, na República Democrática do Congo. Um sexto guarda florestal foi ferido no ataque que ocorreu na seção central da reserva, mundialmente conhecida pela sua população rara de gorilas-das-montanhas. Mais de 170 guardas morreram protegendo a vida selvagem nos últimos 20 anos. The Guardian.

Reflexão – Mineradora suíça polui e viola direitos humanos no Perú; governo suíço sabe e nada faz

Imagem captada aqui.

A mineradora suíça Glencore opera três minas de cobre e ouro em Tintaya, Antapaccay e Coroccohuayco, em Espinar, Peru. Apesar dos lucros declarados de 5,78 biliões de dólares, a Glencore não só deixa atrás das suas operações um cenário de caos e destruição ambiental de solos, linhas de água e aquíferos contaminados, como regista uma vergonhosa herança de doenças contraídas e mortes causadas devido à exposição das comunidades locais a toda a contaminação.

Em 2012 eclodiram confrontos aquando da abertura da mina de Antapaccay, tendo-se registado 3 mortos e 100 feridos. O presidente da autarquia local, que apoiava os protestos dos camponeses espoliados das suas terras e com as suas águas contaminadas por mercúrio, cianeto, cádmio e arsénio, acabou por ser detido temporariamente. O governo do Perú esteve sempre conivente com a mineradora, tanto neste caso como em outros. 

Junto da mina de Antapaccay vivem cerca de 1200 pessoas, todas pobres, sem eletricidade e sem água corrente em suas casas. A aldeia que foi atacada tem um poço e um rio próximo que a mina quer controlar e desviar para as suas operações. O ataque intimidatório foi levado a cabo por 30-50 agentes de segurança e polícias contratados equipados com material anti-motim. 
O objetivo deste bullying constante é expropriar os agricultores da sua água, sem os indemnizar. A mineração exige muita água e a Glencore não só não quer pagar a água que gasta nas suas operações como ainda por cima contamina a água com metais pesados tóxicos. A Glencore nem sequer oferece aos agricultores habitação alternativa. As mulheres tentaram apresentar queixas na polícia, mas esta não as ouve. 
As pessoas contraem muitas doenças e muitas acabam por morrer por exposição ao ar contaminado. A corrupção grassa na polícia, nos advogados, nos juízes, nos políticos, nos médicos, nos enfermeiros e nos laboratórios da zona. Há três meses, dois indivíduos entregaram amostras do seu sangue e urina para análises a metais pesados. Os resultados das análises ainda não foram entregues, e provavelmente nunca o serão porque revelariam a presença de resíduos tóxicos.
Aquela comunidade sofre de doenças de pulmão, de articulações, perda de memória, falta de concentração e fadiga extrema. A Glencore não disponibiliza assistência médica e quando os mineiros ficam doentes, protestam ou morrem são imediatamente repatriados para as suas regiões de origem para não provocarem mais problemas em Espinar. Por isso, será legítimo concluir que a Glencore paga a médicos, enfermeiros e laboratórios para não revelarem o nível de toxinas que eles detetam nos corpos das vítimas.

Em 2014, uma delegação parlamentar suíça visitou a mina de Glencore em Espinar. O anúncio da visita foi feito com grande antecedência, pelo que a mineradora teve imenso tempo para fazer limpezas, evitando eventuais protestos. A delegação reuniu com o antigo presidente da Câmara, que defendia a população e lhe forneceu dados sobre a realidade da situação. Durante os dois dias da visita, a delegação foi apaparicada pela Glencore, sendo o relatório para o parlamento convenientemente favorável. 


Bico calado


Este vídeo mostra o abate de um palestiniano civil e, depois, ouvem-se vozes excitadas gritando: «Wow, que vídeo! Yes! Filho da …» Via Middle East Monitor. A estrutura militar israelita ilibou o «atirador».
  • «(…) Ora, foi isso mesmo o que a maioria dos juízes do Supremo Tribunal Federal brasileiro fez: restringiu direitos e liberdades constitucionais ao determinar que, mesmo não tendo o processo transitado em julgado, Lula da Silva poderia começar a cumprir pena. Qual a legitimidade social e política do poder judicial para restringir direitos e liberdades fundamentais constitucionalmente consagrados? Como pode um cidadão ou uma sociedade ficar à mercê de um poder que diz ter razões legais que a lei desconhece? Que confiança pode merecer um sistema judicial que cede a pressões militares que ameaçam com um golpe se a decisão não for a que preferem, ou a pressões estrangeiras, como as que estão documentadas de interferência do Departamento de Justiça e do FBI dos EUA no sentido de agilizar a condenação e executar a prisão de Lula? (…)» Boaventura Sousa Santos, in Lula da Silva: os tribunais o condenam, a história o absolverá - Público 9abr2018.
  • «(…) Ao mesmo tempo que exerceu os sucessivos mandatos de deputado à Assembleia da República, entre 2002 e 2018, Luís Montenegro prosseguiu a atividade paralela de advogado na firma Sousa Pinheiro & Montenegro, sendo detentor de 50% do respetivo capital social. Entre fevereiro de 2014 e janeiro de 2018, de acordo com os dados registados no portal Base, a firma de Montenegro celebrou 10 contratos por ajuste direto com as câmaras municipais de Espinho (seis) e de Vagos (quatro), ambas lideradas pelo PSD, faturando um valor total de 400 mil euros (média de 100 mil euros por ano). O contrato mais recente data de 8 de janeiro de 2018, adjudicado pela Câmara Municipal de Espinho, visando a “aquisição de serviços de assessoria e informação jurídicas” por 54 mil euros. Cerca de três semanas antes, no dia 20 de dezembro de 2017, a mesma Câmara Municipal de Espinho tinha celebrado outro contrato por ajuste direto com a mesma Sousa Pinheiro & Montenegro, visando “serviços de representação jurídica” por 72 mil euros. Na semana anterior, a 15 de dezembro de 2017, tinha sido a Câmara Municipal de Vagos a contratar a Sousa Pinheiro & Montenegro por ajuste direto, visando a “aquisição de serviços de assessoria jurídica e representação em juízo” por 74.700 euros. A atividade paralela de Luís Montenegro (que renunciou ao mandato de deputado na semana passada, abandonando a Assembleia da República) foi um dos oito casos analisados pela Subcomissão de Ética em março de 2017, na sequência de uma investigação do Jornal Económico. Nessa altura, a Sousa Pinheiro & Montenegro ainda só tinha firmado seis contratos por ajuste direto com as referidas câmaras municipais, faturando cerca de 188 mil euros. Desde então esse valor mais do que duplicou para 400 mil euros. (…)» Gustavo Sampaio, in Jornal Económico.
  • Tony Blair, um dos principais arquitetos da Guerra do Iraque, parece estar a apoiar outra intervenção militar no Oriente Médio, ao afirmar, citado pela RT, que Theresa May não precisa de apoio parlamentar para lançar ataques aéreos na Síria.
  • As buscas feitas no gabinete do íntimo colaborador de Trump provocaram a fúria do presidente norte-americano e fizeram-no perder as estribeiras. O princípio do seu fim, vaticinam alguns observadores.
  • O município de Dublin aprovou uma moção exigindo que o governo irlandês expulse o embaixador israelita tendo em conta o abate a tiro de manifestantes israelitas. Foi ainda aprovado um boicotre aos produtos e serviços da Hewlett Packard, cuja tecnologia é usada nos postos de controlo israelitas para impor um apartheid aos palestinianos. RTE.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Évora nega manipulação das análises à água após derrame de fuelóleo no Porto de Sines

Vedação do campo de golfe, em Silvalde-Espinho.
  • As medidas de urgência tomadas para salvaguardar o litoral português após períodos de maior erosão são insuficientes para impedir danos materiais e pessoais no futuro, havendo necessidade de continuidade na gestão e de um grande investimento, alerta José Carlos Ferreira, doutorado em Ambiente e Sustentabilidade, docente e investigador da Universidade Nova de Lisboa. «Não podemos continuar a fazer a gestão das zonas costeiras sem envolver a comunidade e as pessoas, temos de trabalhar com elas. Se as comunidades costeiras forem chamadas a participar neste processo de tomada de decisão, elas serão as primeiras a defender determinado tipo de soluções que podem ser difíceis», sublinhou. Porto Canal.
  • A Universidade de Évora negou qualquer «falseamento» nas análises efetuadas à água, após um derrame de fuelóleo no Porto de Sines em Outubro de 2016, frisando que os procedimentos cumpriram todas as regras. A vice-reitora da Universidade de Évora diz que o  CIEMAR é uma unidade de investigação independente, que pertence àquela universidade, que tem um contrato de prestação de serviços com a autoridade portuária, que tem por base um concurso público, desde Dezembro de 2009. Esse contrato foi renovado duas vezes, em 2014 e em fevereiro de 2108. Público.

Galiza: Brigadas Deseucaliptizadoras avançam em 21 de abril

Foto: IMei Yongcun/Xinhua/Barcroft Images
  • As Brigadas Deseucaliptizadoras lançam, em 21 de abril, em Froxán, Galiza, um movimento para recuperar a biodiversidade dos montes do país e combater a eucaliptização da Galiza. Sermos Galiza.
  • A sobrepesca no Mediterrâneo criou um ciclo vicioso de golfinhos e pescadores a competirem por recursos pesqueiros em declínio concluíram investigadores da Universidade de Exeter. Perante a escassez de alimentos, cada vez mais os golfinhos atacam as redes dos pescadores, apesar da aplicação de dispositivos acústicos de dissuasão. The UniPlanet.
  • A Nestlé vai extrair 758 milhões de litros de água por ano de  Stanwood, no Michigan, pagando por isso apenas 200 dólares. Mint Press News.
  • Uma série de acidentes causaram a morte a 11 mineiros paquistaneses. Estes acidentes expõem as condições precárias e perigosas em que trabalham os mineiros após a vaga de privatizações operada no setor. Dissident Voice.

Bico calado

Imagem captada aqui.
  • O Ministério Público está a investigar o alegado desvio de 75 mil euros por parte da coordenadora do serviço administrativo e de atendimento da Câmara Municipal de Ovar, esmiúça o Observador.
  • «Aqui há uns anos valentes, um fulano chamado Manuel de Sousa copiou quase integralmente um livro do meu pai, o “Dicionário das Famílias Portuguesas", que com um nome sugestivo fez publicar aos milhares numa "elegante" edição cartonada para ser vendido com o Correio da Manhã. Por isso foi posteriormente condenado à revelia em tribunal, fruto de um processo que lhe foi imposto pela minha família. O biltre, que provavelmente fez outras intrujices, permanece até hoje a monte, incontactável, fui informado há dias oficialmente. Talvez seja o mínimo dos castigos que o malandro se veja impedido de andar às claras e de cabeça erguida na sua própria terra. (…)» João Távora, in Corta-fitas.
  • «Durante toda a semana, assistimos a um coro indignado de vozes autorizadas protestando contra o “isolamento” internacional em que Portugal se tinha colocado ao não alinhar a toque de caixa nas sanções convocadas por Theresa May contra a Rússia: em lugar de expulsarmos não sei quantos diplomatas russos de Lisboa, expondo-nos correspondentemente a deixar a nossa embaixada de Moscovo reduzida ao embaixador e ao porteiro, tínhamos apenas, para grande escândalo dos indignados “atlantistas”, respondido ao “crime” cometido por Putin em pleno solo inglês com a simples chamada para consultas do nosso embaixador em Moscovo. Porque, quanto aos factos, dúvidas não restavam que crime havia e que Putin era o seu mandante. E, perante os factos, nós abandonávamos o nosso mais velho aliado e bem sabido amigo, a nossa querida NATO a quem tanto devemos e os nossos amigos americanos, a cuja nossa/deles Base das Lajes devemos o apoio às guerras de Israel e à guerra do Iraque, antes de, infelizmente, se tornar obsoleta para eles e “bye, bye, portuguese friends, limpem o lixo que deixámos e arranjem lá outra ocupação para essa gente que nos serviu”. (…) o embaixador Martins da Cruz serviu dez anos como valet parking dos ilustres visitantes do primeiro-ministro Cavaco Silva, sendo compensado com as correspondentes condecorações dos países de origem de cada um dos ilustres visitantes e depois com o lugar de embaixador em Madrid. Daí saltou para MNE no Governo de Durão Barroso, durante um escasso ano e meio. Foi dos mais breves, ineptos e mal lembrados no cargo, visto que a ele e ao seu chefe se deve o maior embuste, a maior mentira e o maior acto de servilismo em que a política externa portuguesa alguma vez se viu envolvida: a Cimeira das Lajes, em que Portugal serviu como empregado de mesa do jantar preparatório da guerra do Iraque. Com tal condecoração na lapela, o melhor que Martins da Cruz teria a fazer agora era não cair duas vezes no mesmo embuste de acreditar nos queridos aliados antes de ver provas concludentes. Mas talvez tenha sido mais forte o terror de ver alguém de fora da carreira, como Santos Silva, acertar onde ele tinha falhado e mostrar que a política externa é um pouco mais do que a diplomacia do croquete. Pois, a verdade é que tudo indica que Santos Silva — que tem gerido o MNE de forma absolutamente inatacável, sem ponta de arrogância, pesporrência ou precipitação, como tantos dos seus antecessores — mais uma vez acertou. Os ingleses, afinal, não conseguem provar que foram os russos que tentaram matar Skripal, e Theresa May já teve de reconhecer que ou foram eles ou outros em cujas mãos foi parar o gás venenoso. Mas também não conseguem apresentar uma razão plausível para, sendo verdade que os russos o quisessem matar, escolhessem um meio tão complicado e que deixava impressões digitais tão evidentes apontando para eles, em vez de outro meio bem mais simples e eficaz. E, sobretudo, não conseguem explicar qual o interesse de Putin no assassínio de um agente que tinha trocado por outros, nas vésperas das eleições russas e a meses do Mundial de Futebol da Rússia. Já, se quisermos ser desconfiados por igual, o contrário é bem mais evidente: o interesse de May em abafar o escândalo do Facebook/Cambridge Analytica, que pode ter falseado o resultado do referendo do ‘Brexit’ e colocado no poder o gabinete dela, e desviar as atenções internas do mau resultado obtido até aqui nas negociações com Bruxelas sobre as condições para o ‘Brexit’. (…) Miguel Sousa Tavares, in  Expresso 7abr2018, via A estátua de sal.
  • «Primeiro usaram artifícios legais para expulsarem Dilma da presidência da República, depois seguiram os passos do Golpe, adrede preparado, até levarem Temer à presidência do Brasil. É um corrupto nas mãos de corruptos, boneco articulado com o grande capital e os latifundiários, que tudo fará para evitar a prisão e se manter no poder, apto a vender a Amazónia, os recursos mineiros, os rios e o mar, as indústrias e as comunicações, num regresso à ditadura dos coronéis à paisana. Hoje, os coronéis usam toga, a comunicação social funciona a água benta evangélica e o poder é exercido com a repressão, a usura e o gangsterismo. No Brasil, a democracia foi confiscada por juízes e entregue aos 5% que detêm 90% da riqueza. Ainda houve uns generais que, para não perderem o hábito, ameaçaram os juízes de que interviriam se acaso Lula da Silva não fosse preso. Talvez estivessem combinados. Uns e outros pertencem a esses 5% que acham um exagero os 10% da riqueza desperdiçados com 95% de desgraçados. O crime de Lula e Dilma foi o de quererem corrigir exageros do capitalismo selvagem, talvez lembrados da dureza da guerrilha e da pobreza da fábrica, ou, quem sabe, moles com a miséria alheia, sem respeito pelos poderosos. (…)» Carlos Esperança, FB.
  • A ex-presidente sul-coreana foi condenada a 24 anos de prisão por corrupção, conta a RTP.
  • Yaser Murtaja, cameraman da palestiniana Ain Media, foi atingido a tiro por um atirador furtivo israelita, tendo «falecido no hospital. Envergava, na altura, a devida identificação de «Press». Common Dreams. Tinha sido subsidiado pela USAID em 11.700 dólares.
  • Seis jornalistas palestinianos foram baleados pelo exército israelita durante os protestos de sexta-feira, 6 de abril, na faixa de Gaza, conta o britânico Daily Mail.