quarta-feira, 24 de maio de 2017

Água excelente em 85% das praias europeias

Foto de Zé Quinta 19mai2017.
  • Mais de 85% dos locais de águas balneares monitorizados na Europa em 2016 cumpriam os mais rigorosos padrões de qualidade «excelente», - o que significa que estavam na maior parte livres de poluentes prejudiciais para a saúde humana e para o Ambiente, informa o relatório anual de qualidade das águas balneares agora publicado. A avaliação baseou-se nas análises de amostras de água recolhidas em mais de 21 mil locais costeiros e interiores. EEA. Mapa interativo.
  • Diretores de três empresas de gás e petróleo que usam a tecnologia da fraturação hidráulica já doaram 390 mil libras ao governo britânico desde que Theresa May se tornou primeira-ministra. Tudo por causa das facilidades prometidas à indústria. A empresa de um dos diretores foi multada por subornar uma empresa estatal iraquiana, cujo diretor anda a ser investigado por alegada corrupção. The Guardian.
  • Pelo menos 15 pessoas e dezenas de cabritos morreram nos últimos meses por alegada intoxicação alimentar derivada do consumo de água e alimentos poluídos pela atividade de extração de carvão mineral nos distritos de Changara, Marara e Cahora Bassa, no sul da província moçambicana de Tete. Os moradores apontam o dedo à mineira indiana Jindal. Há três anos a população que vive dentro da concessão desta mineira aguarda o seu realojamento, prometido pela empresa e pelo governo para deixar de coabitar com a exploração a céu aberto de minas de carvão. A Jindal cobre com uma despesa de dois mil meticais (33 dólares) mensais para a compra de leite fresco ou aluguer de casa, para quem queira abandonar a área concessionada, mas o valor não abrange toda a população atingida pela situação. VOA Português.

Reflexão - E onde estavam todos os ambientalistas?

Imagem captada aqui.

"E onde estavam todos os ambientalistas? Não há grupos sauditas do Greenpeace ou da 350.org? Por que não trouxeram aquele grande oleoduto plástico que usam em tantos protestos internacionais, exigindo que os sauditas parem de impingir petróleo barato para manter o planeta viciado em combustíveis fósseis? Por que motivo não apareceram em força para exigir à petrolífera saudita ARAMCO para investir milhões - não, biliões - em energia solar? Oh, mas que idiota eu sou. Esqueci-me. O protesto é ilegal. É também ilegal "distorcer a reputação do reino" ou "quebrar a lealdade para com o governante". Uma lei antiterrorismo de 2014 trata praticamente toda a liberdade de expressão como atos de terrorismo, incluindo "pedir pensamento ateu", "contactar opositores do Reino ", e" procurar destruir a unidade nacional ", através de manifestações. Os que se atrevem a ser dissidentes são flageladas publicamente, torturadas na prisão e, às vezes, decapitados em público. Graças aos fabricantes de armas dos EUA e às negociações de armas assinadas com sucessivos presidentes dos Estados Unidos, os governantes sauditas têm mais poder de fogo do que jamais poderiam precisar para eliminar qualquer forma de dissidência. Não admira que as ruas de Riade estivessem tão calmas.»

Medea Benjamin in Why Were the Saudi Streets So Quiet?Dissent Voice.

Bico calado

Foto: Chaideer Mahyuddin/AFP/Getty Images
  • «Os bancos portugueses ficaram  escaldados com os incumprimentos do crédito à habitação. Agora, que a recuperação económica  é  visível e os portugueses parecem querer voltar a endividar-se como se não houvesse amanhã, é natural  e saudável que  não queiram cometer o mesmo erro de anos anteriores e se tornem mais exigentes e cautelosos na concessão de crédito. Alguns bancos estrangeiros viram na prudência dos bancos portugueses uma oportunidade de negócio e decidiram entrar nesse apetecível mercado, outrora "reservado" aos bancos nacionais. É óbvio que esses bancos não concedem créditos a quem queira comprar um T0 na Reboleira. Os clientes que lhes interessam são os que têm mais olhos que barriga e pretendem empréstimos para adquirir casas  em locais considerados de alta rentabilidade. É que os bancos olham para estes clientes como potenciais incumpridores e o aliciante de poderem vir a ficar com as casas e (re)vendê-las por um preço interessante a clientes estrangeiros que pretendam investir em imobiliário em Portugal é visto como uma boa oportunidade de negócioCarlos Barbosa Oliveira in Gato EscondidoCrónicas do rochedo.
  • O sistema de subsídios aos transportadores, introduzido em 2011, encheu os bolsos dos corruptos, mas não aliviou a deficiência no transporte público em Moçambique, conclui um estudo do Centro de Integridade Pública-CIP. VOA Português.
  • A Organização Mundial de Saúde gasta em viagens cerca de 200 milhões de dólares por ano, mais do que despende no combate a alguns dos maiores problemas de saúde, como a SIDA. Sapo24.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Suíça: referendo dita encerramento gradual das centrais nucleares

Gerês. Imagem captada aqui.
  • Mais de 58% de suíços apoiam, em referendo, o encerramento gradual das suas centrais nucleares e mais investimento nas energias renováveis. Reuters.
  • As casas dos norte-americanos não têm bidés. A sua instalação e uso poderia representar uma poupança anual de 15 milhões de árvores necessárias para produzir papel higiénico. American Scientific.

Mão pesada

O grupo Vopak poder ser multado em 2,5 milhões de dólares por violações dos limites de emissões legalmente estabelecidos no Texas. EPA.

Reflexão: quem lê o Ambiente Ondas3 e quais as preferências?

Foto de Graça Quaresma. 17mai2017.

No Ambiente Ondas3, os três textos mais populares dos últimos oito dias foram, segundo a Google Analytics:
Durante o mesmo período, as visitas vieram dos seguintes países, por ordem decrescente: Portugal, Brasil, EUA, Bulgária, Índia, Argentina, Alemanha, Espanha, França e Indonésia. 

Ainda durante este período, a proveniência, também por ordem decrescente, dos leitores de língua portuguesa foi a seguinte: Espinho, Coimbra, Porto, Lisboa, São Paulo, Boston, Maia, Rio de Janeiro e Aveiro.

Bico calado

Fadel Senna/AFP/Getty Images
  • «Sabemo-lo bem: o breve Marques Mendes tem a densidade intelectual de uma flatulência e o perfil moral de uma alforreca. Eu tinha ouvido falar das suas incursões sobre as eleições autárquicas mas, concedendo a dúvida metódica – sou um ingénuo – quis ver e ouvir por mim. O Marques mente sempre, mas nunca nos decepciona: quando alguém me diz que foi mau, sei que foi péssimo. (…) Segundo ele, só há três candidatos a considerar: Medina, Teresa Coelho e Assunção Cristas. Não me digas, ó excrementício ente! Quer dizer: na Assembleia Municipal o PCP, seis (6), representantes, o BE quatro (4), o PEV dois (2) e o CDS dois (2). (…) Não há mais candidatos na mente retorcida do gaitinhas? Claro que há, por isso os omite. Tenta, seguindo o velho mestre, criar, não só um facto político, mas uma realidade política, coisa que está fora do alcance das suas pequenas mãos e ainda mais pequenos neurónios.  (…)» José Gabriel in Mendes, o autarquicólogo, FB.
  • «Vivemos tempos paradoxais no nosso espaço público. A política e sobretudo o comentário político ocupam significativo espaço nos mais diversos meios de Comunicação Social, nomeadamente em canais de televisão, jornais, páginas da Internet, redes sociais. No entanto, o debate político raramente pareceu tão estreito nos seus temas e abordagens. Com honrosas e esporádicas exceções, as análises convergem nas velhas interpretações e posições do "centrão", alimentadas por uma relação, por vezes de manifesta cumplicidade, entre jornalistas, ex-detentores de cargos políticos e atuais atores políticos. A informação que recebemos surge-nos "contextualizada" e "cristalizada" em opiniões esvaziadas de capacidade crítica. Nessa formatação do comentário político, não cabem alguns dos fundamentais conteúdos novos e das dinâmicas que a conjuntura política que vivemos vai despoletando. Pode acrescentar-se, com ironia, que o facto de o presidente da República ser o mais qualificado dessa velha escola - e não se escusar a analisar e a comentar todos os factos e cenários - esvazia os conteúdos àqueles analistas. A alguns, resta-lhes o recurso à manipulação. (…)» Manuel Carvalho da Silva in A política em fugaJN 22mai2017.
  • No mesmo dia em que os EUA e a Arábia Saudita assinam acordo de 110 biliões de armas, a Arábia Saudita e os Emiratos Árabes Unidos doam 100 milhões a um fundo da filha de Trump. Embora disfarcem alegando que este dinheiro vai ser gerido pelo Banco Mundial, recorde-se que a menina é conselheira do pai e tem gabinete na Casa Branca. Todos sabem disto e os líderes mundiais saberão muito bem o que poderão fazer sempre que quiserem meter uma cunha: endossar um cheque à fundação da menina. Fantástico, para quem criticava a Clinton Foundation por ter recebido donativos da Arábia Saudita, ditadura que, segundo Trump, matava homossexuais e onde as mulheres eram escravas. MSNBC.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Vigilantes da Natureza denunciam proliferação de eucaliptais

Foto de António Cunha 3mai2017.
  • O movimento cívico SOS Cabedelo vai avançar com uma queixa em Bruxelas contra a intervenção em praias da Figueira da Foz, considerando que a obra da Agência Portuguesa do Ambiente agrava o problema de erosão. Em causa, está o método escolhido pela APA para a reconstituição do cordão dunar. Na Leirosa, o movimento diz que a APA está a roubar areias ao mar para fazer a duna primária, através do método de ripagem, num espaço que já é deficitário de areia. O banco de areia que cria a duna hidráulica, também conhecido como praia submersa, é a primeira barreira na proteção costeira, mas em vez de se diminuir o impacto de erosão na costa, a intervenção da APA está a gravar o efeito erosivo. Além disso, a eliminação do banco também põe em causa a prática do surf naquela zona da costa. Para a SOS Cabedelo, a intervenção deveria passar pela injeção de areia exterior ao sistema, para se conseguir combater a erosão naquela zona da costa da Figueira da Foz: "Deviam ir buscar areia a um sítio com excesso, como é o caso da praia da Figueira". Lusa/DN.
  • A Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza denuncia o aumento das plantações de eucalipto com prejuízo de outras espécies. Prolifera a plantação de eucaliptos na serra de Monchique em terrenos privados com menos de 2 hectares. Tudo sem comunicação prévia às entidades competentes, conforme obriga a lei de 2013. A Associação sugere a alteração do decreto-lei em vigor, que facilita a plantação de eucaliptos mas dificulta a de outras espécies como o sobreiro e o castanheiro. RTP.

Reflexão: Solos contaminados em Lisboa colocam a saúde pública em perigo


«Milhares de lisboetas (con)vivem paredes meias com substâncias químicas altamente nocivas e até cancerígenas. 
(…) o Parque das Nações não é só uma das zonas mais caras de Lisboa, com apartamentos de luxo necessariamente caros. É ainda e sobretudo uma área contaminada com resíduos particularmente perigosos para a saúde. A reconversão da zona oriental da capital foi elogiada dentro e fora do país, mas os produtos tóxicos continuam ali duas décadas depois.
(…)  E este não é um caso isolado. (…) a expansão do Hospital CUF Descobertas está a ser feita em terrenos contaminados no Parque das Nações.  No mesmo sítio onde está a ser construído o novo edifício do hospital, existiu durante décadas a refinaria de Cabo Ruivo. Naquele lote ficava, nada mais, nada menos, que a lagoa da refinaria. Não admira que haja ali produtos derivados do petróleo. (…) A refinaria não era a única “inquilina” daquela zona no século passado. Ali perto houve um matadouro, um depósito de material de guerra, um aterro sanitário e até uma lixeira municipal. Foco de contaminação atrás de foco de contaminação.
Ainda as obras da CUF Descobertas não tinham arrancado e já havia denúncias na Agência Portuguesa do Ambiente. As autoridades foram alertadas para erros e falhas grosseiras nos estudos feitos à qualidade dos terrenos. Durante as obras, foram avisadas que terrenos perigosos estavam a ser classificados como não perigosos e encaminhados para locais impróprios.
Só depois destas denúncias, quatro meses após o início das escavações, é que a José de Mello Saúde anuncia ter encontrado terrenos perigosos.
Hoje o Parque das Nações está cheio de prédios de habitação, escritórios, comércio, hotéis, escolas, etc.
Mas os arquivos mostram que todos estes terrenos faziam parte da zona de intervenção da Expo ’98. Tudo isto devia ter sido descontaminado nos anos 90. Houve concursos públicos, foram contratadas empresas, nacionais e estrangeiras, para fazer o trabalho.
A Parque Expo gastou milhões de euros nessas operações. Dinheiro público, ainda para mais. É preciso perceber o que falhou e de quem é a responsabilidade.
A CUF Descobertas desconhecia que o terreno estava contaminado quando o comprou. Diz-se enganada, e até já processou a Parque Expo.
Antes do hospital, houve outros casos. Aliás, desde a Expo ’98, vários terrenos adquiridos a esta empresa revelaram-se contaminados. O último foi em 2014, mesmo ao lado do hospital, onde a Jerónimo Martins construiu um supermercado.
Hoje a Parque Expo está extinta. Tudo o que sobrou está a ser vendido para pagar as dívidas. Quem é que assume as responsabilidades? O Estado, que era o dono da empresa?
Apesar das denúncias, das queixas dos moradores e dos alertas das associações ambientalistas, as obras nunca foram suspensas.
A primeira inspeção só acontece quatro meses depois do início das escavações.
Durante meses, nenhuma autoridade testou os solos, as águas ou a qualidade do ar. Todos os testes foram feitos pelo próprio dono da obra.
Só em Janeiro, sete meses depois do início das obras, quando praticamente todos os terrenos já tinham sido retirados do local, é que as autoridades mandam suspender a remoção das terras. Pedem novos testes à dona do hospital, às terras e ao ar. E levantam a suspensão ao fim de poucas semanas, sem esperar pelos resultados.
É também em Janeiro que a José de Mello Saúde entrega o plano de descontaminação, um documento obrigatório por lei para se poderem deslocar terrenos contaminados. As autoridades permitiram que as obras decorressem durante sete meses, apesar de o plano estar em falta.
Confrontámos a Agência Portuguesa do Ambiente com estas falhas.
Nos últimos meses, várias obras em Lisboa levantaram suspeitas de contaminação:
Campo das Cebolas, onde está a ser construído mais um parque de estacionamento da Emel;
Braço de Prata, onde está a ser construído um mega empreendimento de habitação, comércio e serviços; Santos, onde está a nova sede da EDP e onde está a ser feito um edifício da seguradora Fidelidade; Aeroporto de Lisboa, onde estão a ser feitas obras junto aos parques de estacionamento; Alcântara, onde a José de Mello Saúde está a edificar a nova CUF Tejo.
O problema em todos estes casos é que quem polui os terrenos, não os descontamina antes de os vender.
A nova lei, que pode pôr fim a esta situação, está pronta, esteve para ser aprovada há dez meses, mas o Governo decidiu adiar. Mais um adiamento, se pensarmos que já está na gaveta há mais de dez anos, e tem sido empurrada de Governo em Governo, sem nunca ter sido aprovada.
Os ambientalistas denunciam que há interesses económicos por trás de tanto adiamento. Lobbies, garantem, de indústrias poluentes, que não querem arcar com o custo de despoluir os terrenos.» 
Paula Gonçalves Martins in ContamiNações - TVI24.


Bico calado

Foto de Belchior Duarte 18mai2017.
  • Os Malta Files revelam que 423 portugueses  são acionistas de empresas de fachada em Malta. «Desses, 381 são residentes em Portugal e controlam de forma directa 257 empresas naquele país. Entre os empresários associados aos Malta Files estão alguns elementos indiciados por fraude fiscal na ‘Operação Furacão’, nomeadamente Joe Berardo, Miguel Pais do Amaral e os irmãos Sacoor. Também há gestores em dificuldades, com grandes dívidas em Portugal, como Nuno Vasconcellos, da Ongoing, João Gama Leão, da Prebuild, Eduardo Rodrigues, da Obriverca, ou Alfredo Casimiro, da Urbanos. Zap.
  • «(…) A Pátria está mais uma vez a atravessar um espasmo nacionalista por causa da vitória dos irmãos Sobral na Eurovisão. Isto é por surtos, agora vai haver 15 dias de celebrações, cheias de grandes frases, cheias de peito feito, por parte de quase toda a gente que nem sabia que Salvador Sobral existia. Como agora se diz, “as redes sociais fervem”, e, quando elas “fervem”, a comunicação social, que devia ser menos excitável, perde o equilíbrio. Subitamente tudo parece possível, o interesse pelo português sobe em flecha, o lirismo passa a receita universal, Portugal é o maior, e duas pessoas, os irmãos Sobral, passam do anonimato para heróis nacionais. É bom, é cómodo para toda a gente, mas, com a excepção dos irmãos e de quem os ajudou e apoiou, este sucesso tem a característica habitual do modo como nos “auto-estimamos” com o trabalho e a dedicação dos outros, ou seja, sem trabalho próprio, sem esforço — cai-nos no céu. É por isso que é politicamente útil e utilitário, porque civicamente barato e psicologicamente agradável. (…) Nós gostamos da vida fácil, anômica, civicamente alheia e, salvo raras excepções, não somos voluntários para quase nada, não temos causas a não ser as mediáticas nestes surtos, somos mais clubistas do que patrióticos, deixamos estragar o que de bom ainda temos, mostramos uma indiferença egoísta face ao trabalho dos outros, a quem atribuímos sempre más intenções, exibimos a nossa ignorância com cada vez mais arrogância, possuímos a atitude da aldeia, punindo a iniciativa, porque há sempre alguma coisa que está mal, e depois vampirizamos, para alimentar a nossa “auto-estima”, o trabalho e o mérito alheio. Há razões sociais para ser assim, a mais importante é que somos muito mais pobres do que aquilo que pensamos que somos, e temos um caminho ainda longo até termos essa força cívica que faz as nações fortes. Se não fosse assim, não “engolíamos” o que engolimos, por inércia, por preguiça, ou porque protestamos pouco e mal. (…)» José Pacheco Pereira, in Crescemos 20 centímetros com a vitória na Eurovisão, mas encolhemos metro e meio nos últimos anos – Público 20mai2017, via A estátua de sal.
  • «(…) A reacção do Estado Novo ao início das guerras de libertação nos seus territórios foi a recusa em negociar com os então chamados “terroristas”. Tal recusa não foi simplesmente motivada por cálculo militar, ou estratégico. O Estado Novo não tinha como reconhecer os movimentos de libertação como “dignos representantes” dos seus povos, porque era então inconcebível reconhecer negros como interlocutores válidos (houve excepções, naturalmente, como a tentativa do general Spínola em negociar com Amílcar Cabral sob os auspícios do presidente senegalês Léopold Sedar Senghor). (…) Portanto, o que se nota hoje em Portugal é uma dificuldade em lidar com o passado colonial. É simultaneamente como se Portugal nunca tivesse colonizado e nunca tivesse descolonizado. Ou é como se a descolonização tivesse tido lugar em África, mas nunca tenha ocorrido em solo português. Talvez porque o que foi madrugador não foi Portugal ter reconhecido a injustiça da escravatura, em 1761, mas ter transformado “colónias” em “províncias ultramarinas” em 1951, na revogação do Acto Colonial. Isso só por si não conta como descolonização, naturalmente. Mas Portugal levou a sério esta farsa. Serviu de justificação para a pressão em descolonizar imposta por organismos internacionais. No discurso da época, Portugal não podia descolonizar porque não tinha colónias. Consequentemente, o Estado Novo não teve de lidar com a descolonização. E tendo havido uma revolução para que Portugal deixasse África, o abandono do império acabou por ocupar o lugar de uma descolonização efectiva. Isso explica a ferida aberta que a África colonial ainda hoje constitui. Explica o pesado silêncio sobre a presença em África que muitos portugueses carregaram até recentemente. Mas explica também a posição subalterna, ou mesmo colonial, a que o contingente negro da população portuguesa tem sido votado até hoje. Ou seja, é como se o colonialismo, ou as mitologias coloniais, se tivesse virado para dentro. Daí que os problemas que as comunidades de origem africana vivem ainda hoje em Portugal são de natureza colonial. (…)» António Tomás in Descolonização e racismo à portuguesa - Público 20mai2017.
  • Trump acaba de assinar com a Arábia Saudita um acordo de vende de armas. Para já são 110 biliões de dólares, mas até 2027 poderão ser 350 biliões. RT.

domingo, 21 de maio de 2017

Noruega: confirmada a presença de contaminantes nas cadeias alimentares pelágicas em alguns lagos

Covão do Boieiro, Serra da Estrela.
  • Investigadores confirmam a presença de contaminantes nas cadeias alimentares pelágicas nos lagos Mjøsa, Randsfjorden e Femunden e em material suplementar de peixe de Tyrifjorden e Vansjø, na Noruega. Mercúrio, PCBs, PBDEs e PFAS são os mais frequentes. Science Daily.
  • Um grupo de deslocalizados de Siguiri, no nordeste da República da Guiné, apresentou uma queixa formal contra a International Finance Corporation/Banco Mundial pelo apoio a uma empresa de mineração que os expulsou para ocupar e extrair ouro das suas terras. IDI.
Audição do ex-Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, sobre transferências para offshores - Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa: Segunda intervenção do Deputado Eurico Brilhante Dias.
  • Lavagem de dinheiro em Londres: entre as 4300 empresas de fachada registadas no The Chase Business Centre, em Southgate, apenas a Sky Charm Secretarial Services Ltd aloja 3700 empresas de fachada, aparentemente constituídas desde 2012. Há, neste momento, em Inglaterra e País de Gales, 13800 empresas de fachada aparentemente adormecidas, todas controladas por um único diretor. Private Eye.
  • Uma alegada fraude de 1 bilião de libras do HBOS era conhecida por ex-diretores do banco resgatado pelo Estado, mas eles não alertaram as autoridades competentes, revelam fontes próximas da Thames Valley Police. Ian Fraser.
  • Emmanuel Macron, presidente da Quinta República Francesa, nomeou Édouard Philippe primeiro-ministro. Edouard Philippe trabalhou entre 2007 e 2010 como "diretor de assuntos públicos da Areva', uma controversa multinacional nuclear francesa. InfOGM.
  • «(…) Ver a senhora que, juntamente com Vítor Gaspar e Passos Coelho, conduziu políticas que forçaram a falência de milhares de empresas viáveis, que mandou para o desemprego 400 mil pessoas e metade disso para a emigração, ter a suprema lata de vir reclamar, por pretensas reformas que não fez, a paternidade da queda da taxa de desemprego abaixo da marca dos 10% e a criação de 120 mil postos de trabalho desde que tivemos a felicidade de nos vermos livres do Governo de que a senhora fazia parte, é apostar na amnésia colectiva. Se tivesse um pingo de pudor político, já se teria há muito calado de vez ou teria emigrado daqui — lá para onde os seus revelados talentos de economista sejam reconhecidos, como fez o seu antecessor. E se o PSD ainda conseguisse manter alguma lucidez de espírito no meio do desnorte em que navega, há muito que a teria reduzido ao silêncio, em lugar de a manter como porta-voz do partido para as questões económicas. (…)» Miguel Sousa Tavares in Não há milagres – Expresso 20mai2017, via Estátua de sal.

sábado, 20 de maio de 2017

Glifosato sem autorização no açude do Guadiana

Cachoeira das Andorinhas, Ouro Preto-Brasil. Foto de Fernando Vilarinho 9mai2017.
  • O Diretor-Geral do Ambiente da Extremadura confirmou ao Conselho Consultivo do Meio Ambiente a carência de emissão de autorização explícita para o uso de glifosato no açude do Guadiana, em Badajoz, contrariando a Confederação Hidrográfica do Guadiana que insiste insiste que a tem. Os ambientalistas concluem, por isso, que há enorme falta de transparência e que a presente situação sugere presumível ilegalidade. Ecologistas en Acción.
  • Investigadores da Penn State University desenvolveram células solares de até 17% de eficiência usando um conceito simplificado que requer apenas um material semicondutor. Graças ao seu potencial para a produção de baixo custo, admite-se que as células poderão ser usadas para fornecer energia a comunidades pobres em todo o mundo. PV Magazine.

Bico calado

Imagem captada aqui.
  • Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, foi constituído arguido em caso de burla ao BPN. As suspeitas: a prática de crimes de burla qualificada, falsificação e branqueamento de capitais que terão causado um prejuízo de, pelo menos, 23 milhões euros (com juros) ao antigo Banco Português de Negócios (BPN, hoje Banco BIC).  Sábado. 6 milhões a levá-lo ao colo…
  • «O que resta aos jornais locais num evento como o centenário de Fátima e a visita do Papa? Dei por mim numa rotunda a procurar não perder as televisões de vista, senão a segurança não me deixava passar, mesmo com acreditação a dizer “Press” igual à deles, à margem de um acontecimento que localmente teria (ainda) mais relevância. Fui impedida de andar por uma avenida porque se lembraram de me perguntar o nome do meu órgão de comunicação e naquele espaço, salientaram, só podia circular determinado canal de televisão… Levei mais de uma hora a regressar ao gabinete de imprensa, a correr contra o tempo para ainda conseguir escrever algo antes da procissão das velas, porque não pude, simplesmente, mesmo com acreditação de “Press”, atravessar dois metros de rua onde ia passar, dali a apenas meia hora, Sua Santidade. (…) A 14 de maio, Fátima voltou a ser uma aldeia. E dos 1500 jornalistas, fotógrafos e operadores de câmara resta apenas a dúzia que dá as notícias durante todo o ano, tão úteis aos grandes órgãos para repescar em momentos de grandes eventos. (…) Como na história das aparições, há duas Fátimas: a de todo o ano e a do 12 e 13 de maio. Deste centenário restou-me a peripécia de ter descoberto o miraculado, o pequeno Lucas, junto ao presbitério, cerca de 15 minutos antes do terço. Reconheci os pais porque, sozinha, fui a todas as conferências de imprensa que consegui assistir, fora os momentos que falhei após um desmaio apoteótico que não cabe nesta crónica. Peguei na câmara, tirei uma foto. Ele sorriu para mim e deixou-se fotografar, brincado alegremente com a irmã. [Essas fotos viriam a ser reproduzidas por vários jornais nacionais e alguns nem sequer pediram autorização.] Avisei um colega que por ali andava e continuei o meu percurso. Centenas de jornalistas/fotógrafos/operadores de câmara naquele espaço e, apercebi-me pouco depois, já revendo as fotos, que fora (talvez) a única a dar conta da passagem da criança. Terá sido por ser local e andar à procura da diferença? Não me parece. Entretanto perdi tempo à espera de uma passagem do Papa da qual fui (todos os jornalistas foram) afastada. E não, não o fotografei. Aliás, a bem da verdade, nem o vi. Passou por mim de papamóvel a uma velocidade acima do esperado, quando tentava filmar em direto. Um segundo de perfil, foi a minha vitória. Da varanda da sala de imprensa, abafada por tantas câmaras e máquinas fotográficas, nem via bem o ecrã gigante, pelo que perdi praticamente todo o ritual religioso. Este 13 de maio teve muita coisa, eventualmente até algum exagero. Mas talvez tenha faltado, sobretudo, um pouco mais desse Papa Francisco que nos habituámos a invejar doutras paragens e que, como o Presidente Marcelo, fica a tirar selfies com o povo. Entretanto jogou o Benfica e o Salvador ganhou a Eurovisão. Parece que vem a Ourém no dia 18 de junho, nas festas do município. Nesse dia já não há Papa nem jornais nacionais e internacionais. E aí seremos – nós, locais e regionais – apenas jornalistas, a tentar obter duas palavras de uma figura conhecida.» Cláudia Gameiro in Fátima e os jornais locaisMedioTejo 15mai2017.
  • «Considero Rui Moreira um homem honesto e as notícias do "Público" pondo em causa a sua  honorabilidade não me  fazem mudar de opinião. Pelo contrário. Apenas confirmam o que aqui escrevi. Rui Moreira já terá percebido que foi enganado por aqueles que o convenceram a dar um chuto no PS. Talvez  já esteja  arrependido e tenha compreendido que  o objectivo dos seus "apoiantes independentes " era ressuscitar o PSD que estava morto  e sem candidato credível. Uma vez afastado o PS,  os laranjas vêem uma possibilidade de regressar ao governo da câmara do Porto, ao colo de Rui Moreira. A política tem destas coisas, Rui. Ser independente não é mesmo nada fácil. Principalmente quando se é naïf e se confia nos independentes  que têm o seu próprio programa e objectivos escondidos na manga.» Carlos Barbosa de Oliveira in Aprendeste a lição, Rui? - Crónicas do Rochedo.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Comissão Europeia intima Polónia a suspender abate de floresta virgem

Foto: China Stringer Network/Reuters
  • A Comissão Europeia enviou um último aviso a Varsóvia de que poderá tomar medidas judiciais para travar o abate de árvores em grande escala na floresta virgem de Białowieża, designada, em 1979, Património Mundial da UNESCO. UniPlanet.
  • O ex-diretor da Former Massey Energy, após ter cumprido pena de prisão de um ano por responsabilidades no desastre numa mina que matou 29 mineiros por falhas de segurança, pediu por escrito a Trump para não considerar criminosos os chefes da indústria do cavão. «As atuais leis já lhes metem imenso medo. Mais leis rigorosas não farão as minas mais seguras», escreveu Blankenship a certa altura. MPNews.
  • A reguladora australiana das offshores de gás e petróleo admite que houve,  durante 2 meses, um derrame de  10.500 litros em abril de 2016, mas recusa revelar não só onde ocorreu o derramo como a empresa responsável.  The Guardian.

Reflexão - Os conflitos de interesses nas políticas ambientais de Trump

Foto de Neil Walker/Alamy. Imagem capturada aqui.

Os conflitos de interesses nas políticas ambientais de Trump
Por Keith Gaby in EcoWatch. (tradução livre)

Quando Trump era apenas um empreendedor imobiliário, várias vezes minimizou os perigos bem documentados do amianto, sublinhando que aquele produto cancerígeno  era «100% seguro, quando aplicado»Não admira, pois, que tenha escolhido colaboradores do mesmo perfil para gerir as suas políticas ambientais:

1 Nancy Beck colaborou com o American Chemistry Council, que defende interesses da  indústria química e representa empresas como a Chevron Phillips Chemical, a ExxonMobil Chemical, a saudita SABIC, a Bayer, a Monsanto, a DuPont e a Dow Chemical. É, pois, natural, que mine toda a atual legislação ambiental norte-americana e facilite os negócios das suas amigas.
2 Justin Schwab foi advogado da BakerHostetler e representou, entre outras, a carbonífera Southern Company; representou ainda a famigerada London Whale, a empresa por detrás dos negócios tenebrosos da JPMorgan de 2012. Vai crtamente mover os cordelinhos para facilitara vida aos combustíveis fósseis. 
3 Andrew Wheeler foi lobista da Murray Energy, a maior mineradora de carvão norte-americana, várias vezes multada por violar legislação ambiental, tendo p+rocessado várias vezes o Estado tentando bloquear os limites de poluição legalmente estabelecidos.
4 Carl Icahn é um milionário que investe em refinarias de petróleo. Tudo fará para defeder os seus interesses.
5 Christian Palich foi chefe a Ohio Coal Association e grande lobista da indústria do carvão.
6 Doug Matheney colaborou com o Americans for Prosperity, um movimento dos irmãos Koch, e foi director da campanha da Count on Coal.
7 Scott Pruitt processou 14 vezes o governo norte-americano para contestar diversa legislação ambiental. Recebeu, para a sua campanha, milhões de dólares das empresas que representava. 

Mão pesada

  • O Wood Group PSN Inc. foi multado em 9,5 milhões de dólares por declarações falsas sobre inspeções a plataformas petrolíferas no Golfo do México e por despejo de petróleo na sequência de explosão numa plataforma ao largo da Louisina. EPA.
  • A Wiegardt Brothers, Inc. foi multada em 175 mil dólares por sumeter resultados fraudulentos dos níveis de coliformes fecais registados na sua área de aquicultura de ostras em Willapa Bay. O seu presidente foi multado em 100 mil dólares e condenado a cumprir 75 horas de trabalho comunitário. Um emprego, que durante 12 anos obedeceu à ordens do patrão para falsificar os testes e mentir aos inspetores foi condenado a um ano de pena suspensa. EPA.

Bico calado

Assunção Cristas, uma verdadeira artista.
  • «A correspondente da RTP em Paris é uma verdadeira parvinha ignorante quando diz que o governo constituído hoje em França é uma "geringonça" à portuguesa! Já tivemos que aturar durante semanas a atenta simpatia com que seguia a campanha eleitoral de Marine Le Pen, incapaz de lhe dar a devida dimensão e de a situar no devido contexto. Temos agora que aturar a sua triste ignorância !... Pergunta : para que serve ter uma pessoa assim como correspondente em Paris, à parte o facto de se lhe oferecer uma agradável estadia na "cidade luz" à custa dos dinheiros públicos?!... Basta conhecer a política francesa para se constatar que o que aquela Senhora diz é de uma total indigência... Pequena explicação para ajudar a Senhora correspondente a compreender o essencial: (1) em Portugal, está no governo um ÚNICO partido (o PS) que celebrou acordos com os três partidos presentes no parlamento que se situam à sua esquerda (BE, PCP e PEV), (2) em França, o governo que entrou em funções hoje conta ministros e secretários de Estado que provêm de CINCO partidos políticos (LR, MoDem, REM, PRG e PS: um de direita, dois dos centro e dois de esquerda) a que vieram juntar-se individualidades provenientes da chamada sociedade civil. Tendo ficado do fora os partidos correspondentes aos portugueses situados à esquerda do PS. Tudo é pois de natureza a que comparações absurdas não tenham lugar de ser... para quem conhece minimamente a política francesa, a política portuguesa e a política "tout court" !… Uma pergunta que se impõe é a de saber quais são os critérios de escolha de um correspondente da RTP no estrangeiro e neste caso numa das principais capitais europeias?!… (…) detesto o termo "geringonça". Um jornalista sério num jornal sério não deveria sequer utilizar tal termo. Até porque, que se saiba, Vasco Pulido Valente e Paulo Portas não o utilizaram para fazerem uma análise política rigorosa, mas sim para desacreditarem logo de início os acordos realizados à esquerda pelo PS. Segundo: eu poderia explicar à ignorante correspondente da RTP que o governo português resultou de uma negociação conduzida pelo líder do principal partido de esquerda que, num contexto pós-eleitoral legislativo, celebrou acordos com três partidos situados à esquerda do seu. Quando no caso francês, o governo de hoje resulta de uma iniciativa pós-eleitoral presidencial conduzida pelo novo presidente da República numa fase de ausência temporária de parlamento (que foi dissolvido). Depois das próximas eleições legislativas, é mais que provável que a configuração do governo francês venha a mudar, mas é muitíssimo pouco provável que possa vir a ter parecenças com o português. Mas atualmente, nada permite dizer qual será a futura configuração da Assembleia Nacional e do Senado em França depois das eleições de junho… Falar pois de "geringonça" é totalmente absurdo e de natureza a não permitir que os espectadores portugueses possam compreender o que quer que seja da situação francesa. É semear confusão nos espíritos! Repito : para quem como eu acompanha diariamente a política francesa há mais de 50 anos, a pobre correspondente da RTP em Paris é de uma inacreditável mediocridade e ignorância!» Nobre Correia, FB.
  • Mata Bicho malha na corja do CM, Mata-bicho 18mai2017.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Terceira-Açores: Militares norte-americanos deixam extenso rasto de contaminação

Imagem colhida no Diário Insular de 17mai2017.

«Nem as águas e os solos de Angra do Heroísmo escapam à contaminação por metais pesados provocada pela ação norte-americana na Base das Lajes: também havia tanques de combustível no concelho e esses tanques, como os outros, eram lavados de cinco em cinco anos. As lamas químicas, decorrentes das operações de limpeza, foram enterradas junto dessas estruturas. 

As afirmações são de Orlando Lima, funcionário da Secção de Ambiente da Base das Lajes entre1994 e 2002. (…)
A opção, adiantou em entrevista à Antena 1/Açores, foi tomada em 2008e ficou a dever-se aos "sinais claros de desresponsabilização dos Estados Unidos da América em relação à pegada ambiental deixada na Terceira. 
"Consta que numa reunião que eles lá tiveram (…) levavam a que as Lajes fossem consideradas um Super Fund Site. Estamos a falar de um local onde, no fundo, não existe um orçamento rígido - existe uma comissão de gestão em que a adjudicação é feita diretamente, de um modo muito expedito e rápido, sem necessidade de pré-aprovação de verbas. Nessa altura, ouvi que houve ameaça ao setor português de que se tivessem de descontaminar tudo o que havia na Base das Lajes iriam fechá-la e transformá-la num Super Fund Site", disse.
(…) Orlando Lima refere que, de facto, a contaminação está espalhada pela ilha e tem várias fontes: são aterros de lamas químicas, mas também de aditivos de chumbo (…) dois no Pico Celeiro, do lado oeste, entre os tanques e a Serra do Cume. (…) "O chumbo é um veneno, tem um elevado nível de lixiviação e, portanto, está aterrado numa zona de infiltração máxima, porque está numa falha. Existe captação de água na proximidade, na área das Fontinhas e do Pico Celeiro. Na altura, quando participei num estudo dos aquíferos da Praia, chegámos à conclusão que as bombas tinham uma sucção que poderia alcançar os 1200 metros, portanto, está dentro do raio de ação da captação de águas da Praia da Vitória", sublinhou. 
Já os aterros de lamas químicas são um fenómeno mais conhecido, embora igualmente preocupante. Estima-se que naquela altura, de cinco em cinco anos desde que a infraestrutura militar foi instalada nas Lajes, tenham sido produzidas cerca de 10 toneladas de lamas químicas (por tanque) que depois foram enterradas no solo. Trata-se, recorde-se, de águas misturadas com hidrocarbonetos e que tem, do mesmo modo, um elevado nível de metais pesados, consequência do revestimento dos tanques e da sua pintura.
"Essas lamas estão espalhadas em vários lados. Estão perto das bocas dos tanques, onde existiam na altura — eles não queriam ter muito trabalho, faziam uma cova junto do lugar mais perto e despejavam lá os seus resíduos. Cheguei a ver num relatório - que foi retirado da minha secretária - mapas topográficos, fotografias dos diversos agentes com os dosers a fazerem as escavações com as lamas químicas já lá dentro porque fizeram três aterros de lamas químicas de muito grande dimensão no South Tank Farm, na zona de armazenamento de combustíveis. Quando houve a renovação desse parque de combustíveis, nos anos 80, essas lamas foram transportadas e depositadas num parque que estava abaixo do nível da estrada, que é em frente à cabeceira da pista, do lado sul, onde na altura havia uma pista de atletismo que os americanos utilizavam. Era um terreno baixo que inundava muito recorrentemente e eles colocaram-nas aí", adiantou.
Os problemas estendem-se, aliás, a outras zonas, nomeadamente aos pauis da Praia e o do Cabo da Praia.  Dentro da Base das Lajes, o cenário mantém-se, com três aterros de contaminantes.
"Foram autorizados três aterros dentro da base, de amianto, que acabaram por ser utilizados pelo setor americano para meter várias coisas e algumas não tinham nada a ver com aquilo. Cheguei a ver, e insurgi-me contra isso mas nada consegui fazer, o aterro de um contentor inteiro que pertencia à engenharia americana e alguém tinha lá materiais que queria descartar e não sabia o que lhes fazer e aproveitou o buraco e meteu o contentor lá dentro com aquilo tudo" afirma Orlando Lima.
Também fora da infraestrutura militar estão enterrados contaminantes - para além das lamas químicas. No Cabouco é conhecido um destes aterros.
Orlando Lima não tem dúvidas de que o problema da radioatividade na Terceira também é conhecido das autoridades. O caso do suposto avistamento de um extraterrestre a um de fevereiro de 1968 - que na verdade terá sido o rebentamento de um explosivo radioativo -, o processo de um militar norte-americano aos EUA por exposição a radioatividade na Terceira e as análises aos contaminantes na Base das Lajes, não deixam, para o antigo funcionário da secção de Ambiente, muito espaço para dúvidas.
Para Orlando Lima, as consequências de todos estes problemas só deverão ser conhecidas daqui a duas gerações, com um aumento de casos de cancro e de mutações genéticas. 
Todo o problema da descontaminação, avança em entrevista à Antena 1/Açores, é difícil de resolver, mas exige, em primeiro lugar, uma maior consciencialização da sociedade.
"(…) A nossa perceção de risco geralmente não é real e não havendo essa perceção de risco também não existe uma mobilização social. Terá de ser ao nível das elites, mas as elites têm outras agendas que não são, obviamente, a preocupação com a saúde pública e com a descontaminação de uma pedra no meio do Atlântico", concluiu.
Entretanto, foram encontradas munições em areia dragada ao largo da Praia da Vitória. (…)
“Aquilo que existe em termos de conhecimento popular é que houve grandes transportes de armamento, nomeadamente de bombas — umas vinham em atrelados de uma, outras de duas, consoante a sua dimensão — que eram transportadas com todo o cuidado. Entravam nas barcaças aqui no porto da Praia e na altura em que lhes estavam a dar o destino final, a descartar o armamento, as barcaças andavam numa roda-viva (…)  [O aparecimento das munições] é um risco enorme para os trabalhadores, para os equipamentos, porque tanto quanto se ouve falar existem lá explosivos de grande dimensão. Não estamos a falar de granadas que existem no fundo, estamos a falar de explosivos de grande dimensão da II Guerra Mundial. As consequências disso podem ser muito, muito graves. Eu neste momento não penso em termos de cadeia alimentar, de contaminação, penso em termos de segurança para as populações e para as pessoas que lá estão. Os barcos que fazem a dragagem tem uma sucção muito, muito potente e largam âncoras naqueles espaços. Penso que isso exige da nossa autoridade marítima uma ação imediata na procura, na busca, deteção e avaliação se de facto isso se comprova. Talvez o primeiro passo fosse interditar a exploração de areia até que se saiba mais alguma coisa sobre isso. (…) Eu até fico admirado de não ter havido nenhuma interdição.”»
in Diário Insular de 17.05.2017

Porto: Sindicato da Construção preocupado com amianto

Foto de Svetlana Foote/Alamy Stock Photo
  • As Câmaras de Carregal do Sal e Santa Comba Dão dizem que é preciso dinheiro para pôr as estações de tratamento de águas residuais a funcionar. Pedem, por isso, ajuda ao governo para resolver a poluição verificada nos dois concelhos. TSF. Como o dinheiro não dá para tudo e terá havido outras prioridades, presume-se que estas autarquias, em 40 anos, não terão considerado o tratamento de águas e de esgotos como uma missão básica, essencial. Apesar de tudo, mais vale tarde do que nunca. 
  • «O Porto é a cidade do país com mais amianto, alerta o presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro, que pede medidas às entidades competentes. A título de exemplo, Albano Ribeiro revelou que a esquadra da PSP da Bela Vista e que o edifício da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), no Porto, estão "cheios de amianto". A Câmara do Porto lembra que, há cerca de três anos, “realizou um estudo que permitiu identificar todos os edifícios com amianto” e que “ofereciam risco em edifícios públicos”. Fonte da autarquia assegura que, até 2015, “todo o amianto foi retirado em todos os bairros sociais, escolas e outros edifícios públicos” e que aquele que permanece em “edifícios públicos não oferece qualquer risco, de acordo com os parâmetros da OMS”, devendo ser retirado brevemente no âmbito das obras de reabilitação em curso”. O Ministério do Ambiente revela que, desde maio de 2016 até ao dia 30 de Março deste ano, “foi concluída a remoção de amianto em 166 edifícios”.» RR.

Veneza expõe escultura alertando para a subida do nível das águas do mar

Imagem recolhida aqui.
  • Uma artística e imponente mensagem de alerta para a subida do nível das águas do mar está a ser exibida no famoso Grande Canal de Veneza. A escultura de Lorenzo Quinn foi inaugurada a 13 de maio.
  • A suíça Power-Blox desenvolveu uma nova tecnologia que imita sistemas complexos da natureza para criar redes de energia totalmente autónomas em qualquer lugar do mundo. A tecnologia Swarm Power permité que qualquer pessoa crie uma rede de energia completamente autónoma, escalável e descentralizada, sem necessidade de gestão, configuração ou manutenção. O sistema é considerado como um grande avanço na tecnologia energética, porque qualquer um pode criar uma Swarm Grid para alimentar uma escola, hospital ou uma cidade inteira, simplesmente adicionando uma Power-Blox ao sistema. RE.
  • A energética norte-americana Noble Energy, contratada por Israel, foi acusada de poder estar a pilhar as reservas de gás do campo de Noa, contíguo à fronteira com a Palestina, revela um relatório da SOMO, uma organização holandesa de defesa dos direitos humanos, subsidiada pela Holanda e pela Comissão Europeia. Este pormenor exige um acordo prévio com a Autoridade Palestiniana, segundo os acordos de Oslo, o que não foi feito. A revelação surge um mês depois de Israel e a União Europeia terem celebrado um acordo de cooperação para a construção de um gasoduto de 2.200 km para transportar gás para a Grécia, a Itália e restante Europa a partir de 2025. MEE.

Reflexão - A Defesa norte-americana é a maior poluidora do país, talvez até mesmo do planeta

Imagem recolhida aqui.

A Defesa norte-americana é a maior poluidora do país, talvez até mesmo do planeta, diz Whitney Webb na MPNews.

A semana passada, a basa naval de Virginia Beach derramou 356 mil litros de combustível de aeronaves numa linha de água a menos de uma milha do Oceano Atltântico. Os media pouco ou nada disseram. 
Produzindo mais resíduos perigosos do que as cinco maiores empresas químicas dos EUA combinadas, o Departamento de Defesa dos EUA deixou a sua herança tóxica em todo o mundo sob a forma de urânio empobrecido, óleo, combustível de aviação, pesticidas, Agente Laranja e chumbo, entre outras. Em 2014, a antiga responsável pelo programa ambiental do Pentágono declarava à Newsweek que, só no território dos EUA, ela tinha que se desembaraçar de 39 mil áreas contaminadas …
Isto para não esquecer que os EUA realizaram mais testes de armas nucleares do que todos os outros países juntos, também são responsáveis pela enorme quantidade de radiação que continua a contaminar muitas ilhas no Oceano Pacífico. As Ilhas Marshall, onde os EUA despejaram mais de 60 armas nucleares entre 1946 e 1958, são um exemplo particularmente notável. Que o digam os habitantes das Ilhas Marshall e Guam que continuam a sofrer de elevados casos de cancro. Que o digam as comunidades dos índios Navajo, cujos territórios foram esventrados para se extrair urânio. Que o digam os iraquianos, com 90% do seu território desertificado por ação do urânio empobrecido. Que o digam os militares norte-americanos que participaram na invasão do Iraque em 2003 e que agora sofrem de cancro galopante