terça-feira, 24 de outubro de 2017

Resíduos de hidrocarbonetos contaminam areal da Reserva Natural das dunas de S. Jacinto

Reserva Natural Das Dunas de S. Jacinto. Foto de Carlos Leal, 22out2017

«Que autoridades ambientais temos nós que nada fazem para evitar situações destas?
Isto é vulgar! Os comandantes dos navios, que passam ao largo, sabem que podem lavar os tanques na nossa costa porque praticamente não há fiscalização.» FB.

Gestão de resíduos: operadoras em conflito

Imagem colhida aqui.
  • A gestão de resíduos ameaça chegar aos tribunais caso o Ministério do Ambiente não consiga apaziguar a guerra aberta entre a Sociedade Ponto Verde, que nas últimas duas décadas deteve o monopólio do setor, e a sua nova concorrente Novo Verde, a operar desde 1 de abril de 2017 e detida em 30% pelo Pingo Doce. À equação acaba de se juntar a Amb3E, que começará operar a partir de janeiro de 2018. Um dos pomos da discórdia é o uso do símbolo Ponto Verde, que assinala as embalagens que podem ser reutilizadas. Outro problema é a exigência de auditorias aos stocks de resíduos de embalagens detidos pelos sistemas de gestão de resíduos urbanos a 31 de dezembro de 2016; a fixação de uma data para o termo do ciclo das embalagens, até ao fim de março de 2017; a constituição de uma rede própria de recolha; e um mecanismo de compensação entre os dois SIGRE. «Não vamos pagar nada que não seja a nossa obrigação legal», avisa José Eduardo Martins. A Novo Verde contesta que lhe sejam imputados encargos indevidos com o tratamento de resíduos do ano passado, dos quais não recebeu o devido ecovalor. A SPV discorda e defende que «o único método justo de contabilizar custos deverá ser a partir do dia e do ano de entrada em vigor das licenças atribuídas às entidades gestoras, 1 de janeiro de 2017». DV.
  • O Bloco de Esquerda de Ovar, alertado por populares, denunciou uma queimada de dimensões consideráveis, com cheiro intenso, realizada no dia 18 de outubro, cerca das 20h30, nas instalações da empresa Safina, na Rua da Gândara, Zona Industrial da freguesia de Cortegaça, concelho de Ovar. Pedro Coelho, administrador da Safina, confirma «a queimada realizada pelo meu pai, envolvendo paletes e outros resíduos e materiais velhos, num espaço amplo». Embora admita que possa haver lugar a críticas, Pedro Coelho explica que «quando a GNR chegou, a acção terminou e nunca chegou a constituir perigo». ON.
  • Os veículos mais antigos e mais poluentes vão pagar umasobretaxa diária de 10 libras para circularem no centrode Londres, para além da taxa de congestionamento de 11.50 libras aplicada desde 2003. The Guardian.
  • As emissões de gases de efeito de estufa dos navios aumentaram 2,4% entre 2013 e 2015, revela um relatório recente do International Council on Clean Transportation (ICCT). O maior número de emissões verificou-se nos porta-contentores (23%), seguido dos graneleiros (19%) e dos petroleiros (13%) – três classes de navios que representam 84% do transporte marítimo global. Dos 223 Estados de bandeira (países de registo dos navios), os países cuja bandeira está mais associada à poluição são o Panamá (15%), a China (11%), a Libéria (9%), as Ilhas Marshall (7%), Singapura (6%) e Malta (5%). Estas bandeiras têm um grande número de navios registados e, também por isso, representam maior poluição – 66% da frota global de tonelagem em porte bruto – pelo que a redução das emissões de gases requererá maior esforço da parte destes países, por forma a reduzir os impactos, principalmente em Estados mais vulneráveis. JE do Mar.

Bico calado

Foto: Glenn Campbell/AAP
  • Quem dá mais ou o Péron de Celorico, por O Jumento.
  • A nova primeira-ministra da Nova Zelândia considerou o capitalismo um «fracasso colossal»  antes de referir os números de sem-abrigo e salários baixos como evidência de que «o mercado falhou» para os pobres do seu país. The Independent.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Algarve: seca não melindra relvados

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A seca chegou ao Algarve mas há gente que ignora as evidências e continua a fazer jardins à inglesa com amplos relvados, como se o que mais houvesse nestas paragens fosse água. 
«Se a seca continuar, vamos ter de ir salvar peixes», diz Ana Cristina Cardoso, do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas. A operação não é inédita. Quando se deu a grande seca de 2004/2005, recorda, algumas das espécies endémicas ameaçadas, tais como a boga-do-guadiana e o barbo-de-cabeça-pequena, foram salvas pela equipa do Parque Natural do Vale do Guadiana. A empresa Águas do Algarve, responsável pelo abastecimento de água na região, desdramatiza: «Mesmo que não chova no próximo ano, está assegurado o abastecimento doméstico», garante a porta-voz da empresa, Teresa Fernandes, salvaguardando que não poderá dar a mesma garantia em relação à água para a agricultura. Público.

Memórias curtas: «Há 28 anos um povo lutou contra os eucaliptos»

«E a terra nunca mais ardeu. 
(...) A 31 de março de 1989 o povo de Valpaços invadiu uma quinta no vale do Lila para arrancar os 200 hectares de eucalipto que a Soporcel tinha plantado na região. (...)
A ação fora concertada entre sete ou oito povoações de um escondidíssimo vale transmontano, e depois juntaram-se ecologistas do Porto e de Bragança à causa. (...)
À sua espera tinham a GNR, duas centenas de agentes. Formavam uma primeira barreira com o objetivo de impedir o povo de arrancar os pés das árvores, mas eram poucos para uma revolta tão grande. (...)
Mas também lá estava a imprensa, e ainda hoje o homem acredita que foi por isso que a violência não escalou mais. Algumas cargas, pedrada de um lado, cacetadas do outro, mas nada que conseguisse calar um coro de homens e mulheres, canalha e velharia: «Oliveiras sim, eucaliptos não».

A guerra tinha começado a ser preparada um par de meses antes, quando António Morais, proprietário de vários hectares de olival no Lila, percebeu que uma empresa subsidiária da Soporcel se preparava para substituir 200 hectares de oliveiras por eucaliptal para a indústria do papel. «Tinham recebido fundos perdidos do Estado para reflorestar o vale sem sequer consultarem a população», revolta-se ainda, 28 anos depois.
«Nessa altura o ministério da agricultura defendia com unhas e dentes a plantação de eucalipto.» Álvaro Barreto, titular da pasta, fora anos antes presidente do conselho de administração da Soporcel e tornaria ao cargo em 1990, pouco depois das gentes de Valpaços lhe fazerem frente.
«A tese dominante dos governos de Cavaco Silva era que urgia substituir o minifúndio e a agricultura de subsistência por monoculturas mais rentáveis, era preciso rentabilizar a floresta em grande escala», diz António Morais. O eucalipto adivinhava-se uma solução fácil.
Crescia rápido e tinha boas margens de lucro. Portugal, aliás, ganharia em poucos anos um papel de destaque na indústria de celulose e os pequenos proprietários poderiam resolver muitos problemas de insolvência abastecendo as grandes empresas com uma floresta renovada. A teoria acabaria por vingar em todo o país, sobretudo no interior centro e norte. Mas não em Valpaços.
«Comecei a ler coisas e percebi que o eucalipto nos traria grandes problemas», continua António Morais. «Por um lado, numa região onde a água é tudo menos abundante, teríamos grandes problemas de viabilidade das outras culturas. Nomeadamente o olival, que sempre foi a riqueza deste povo. E depois havia os incêndios, que eram o diabo. São árvores altamente combustíveis e que atingem uma altura muito grande.»
Na terra quente transmontana o ano são oito meses de inverno e quatro de inferno. O fogo, tinha ele a certeza, chegaria com aquele arvoredo.
Uns meses antes da guerra, começou a conversar sobre o seu medo com algumas das mais relevantes personalidades do vale. Grandes proprietários, políticos da terra, as famílias mais reconhecidas. «Lentamente começou a formar-se um consenso de que o lucro fácil do eucalipto seria a médio prazo a nossa desgraça. Não queríamos deixar secar a nossa terra. E não queríamos arder aqui todos. Tínhamos de destruir aquele eucaliptal, custasse o que custasse.»
O núcleo duro estava formado, era constituído por dezena e meia de agricultores capazes de mobilizar o resto do povo. «Aos domingos, íamos às aldeias e no fim da missa explicávamos às pessoas o que podia acontecer à nossa terra», lembra Natália Esteves, descendente de uma família de grandes produtores de azeite feita de repente líder de protesto ecológico. «E também íamos de casa em casa, esclarecer quem não tinha estado nas assembleias.»
Ao início houve renitência, a madeira valeria sempre mais do que a azeitona, e a castanha ainda não rendia o que rende hoje. «Mas tentámos sempre centrar a conversa no que aconteceria daí a uns anos, dizer que os eucaliptos secariam os solos e o povo ficaria refém de uma única cultura, que se alguma coisa corresse mal não teriam mais nada.»
O que mais assustava aquela gente, no entanto, era o fogo. «Onde há eucalipto, tudo arde. E então o povo já não chamava a árvore pelo nome, mas por fósforos.» A primeira batalha estava ganha: tinham o apoio da população.
João Sousa era nessa altura presidente da junta da Veiga do Lila. «Oficialmente não podia dizer que era contra os eucaliptos, nem ir contra a polícia. Mas, quando falava com as pessoas, dizia-lhes o que haviam de fazer», conta agora com uma gargalhada e sem ponta de medo.
«Então se tínhamos o melhor azeite do país íamos dar cabo dele para enriquecer uns ricalhaços de fora?» Tem 86 anos e uma destreza de 30, hoje estuga o passo para mostrar a zona que podia ter sido caixa de fósforos. «Vê, nem um eucalipto plantado. E o nosso vale há mais de 30 anos que não arde. Se o povo não se tem unido hoje estávamos a viver a mesma desgraça que vimos por esse país fora.»
Essa é aliás a conversa mais recorrente por estes dias no vale do Lila. A tragédia florestal portuguesa dá a este povo a impressão que eles sim, tinham razão há muitos anos, quando o governo e as autoridades lhes diziam o contrário.
«Podem achar que somos gente do campo, sem educação nem conhecimento, mas nós cá soubemos defender a nossa terra», diz o velhote. «Temos chorado muito por esta gente que perdeu vidas e animais e casas. E há uma coisa que o meu povo sabe: se temos deixado ficar os eucaliptos, também hoje choraríamos pelos nossos.» (...)
Esse ataque tinha feito notícia no Jornal de Notícias e trazido uma mão-cheia de jornalistas à terra, nomeadamente Miguel Sousa Tavares, da RTP. «Percebi que as coisas estavam a tornar-se muito grandes e foi então que contactei a Quercus. Precisávamos de ajuda.»
Do outro lado da linha atendeu Serafim Riem, que dirigia o núcleo do Porto da organização ambientalista. O ecologista partiu imediatamente para o terreno. Nesses dias ouviriam do parlamento em Lisboa várias palavras de solidariedade. Sobretudo do PCP, d’Os Verdes e de um jovem deputado socialista chamado José Sócrates.
Agora não valia a pena esconder mais nada. A 31 de março de 1989, domingo depois da Páscoa, o povo juntar-se-ia todo na Veiga do Lila para dar cabo do eucaliptal que restasse. A aldeia enchera-se de jornalistas, havia até um helicóptero a cobrir os acontecimentos do ar.
A direção nacional da Quercus demarcar-se-ia da organização dos protestos através de um comunicado, mas os núcleos do Porto e Bragança encheriam cada um o seu autocarro de ambientalistas carregados de cartazes. Às duas da tarde o sino começou a tocar a rebate. Oito centenas de vozes entoavam «oliveiras sim, eucaliptos não» e largaram por um caminho de terra batida para a quinta do Ermeiro.
Não era preciso usar enchadas nem sacholas, os eucaliptos tinham sido plantados há pouco tempo e arrancavam-se com as mãos. A polícia tentava fazer uma linha de defesa, mas duas centenas de agentes não chegavam para aquela gente toda.
Numa hora, foram arrancados 180 hectares de pequenas árvores. «Alguns gozavam com os agentes na cara e levaram umas bastonadas das boas», recorda Natália Esteves. Os que eram de perto diziam-lhes assim: «Tendes razão, por isso vamos fingir que não vemos.» Viravam as costas e o povo ia subindo o terreno.
Num instante, o casario da quinta tornava-se no último reduto da investida. Uma dezena de guardas saíram a cavalo, era demonstração de força mas não surtiu resultado. A Soporcel tinha construído socalcos para plantar os eucaliptos e, agora, os animais não conseguiam descê-los.
«O povo ia atirando pedras aos guardas, houve um que acertou no cavalo e mandou-o abaixo», diz João Morais. Foi nesse momento que entrou em campo o corpo de intervenção, disposto a levar toda a gente pela frente. «Aí as coisas podiam ter descambado definitivamente.» (...)
António Morais, Natália Esteves, João Sousa e mais uma dezena de organizadores do protesto também seriam chamados à barra da justiça, um ano depois enfrentaram acusação de invasão de propriedade privada e foram condenados com pena suspensa.
«Ainda vieram uns engenheiros da Soporcel dizer que retirariam a queixa se nos comprometêssemos a não destruir uma nova plantação de eucalipto. Disse-lhes que nem pensar, aqui nunca teríamos árvores dessas no nosso vale.»
Nas noites seguintes arrancou-se à socapa quase tudo o que faltava, ficaram apenas meia dúzia de hectares a rodear o casario da quinta, mais passível de vigia. A Soporcel acabaria por desistir e vender a propriedade e a família que a comprou, quando ousou confessar a Natália Esteves que pensavam plantar eucaliptos, foram logo avisados: «Se os botais nós os arrancamos.»
Hoje, o Ermeiro é terra de nogueiras e amendoeiras, oliveiras e pinho. Nunca ardeu. Serafim Riem, o ambientalista da Quercus, diz que até hoje a guerra do povo de Valpaços é um marco, a maior ligação jamais vista no país entre o mundo rural e o ativismo ecológico.
«A única maneira de travar os incêndios em Portugal é reduzir drasticamente o eucaliptal e substituí-lo pela floresta autóctone, que não só tem melhor imunidade ao fogo como gera uma riqueza mais diversificada para as populações. (...)»

Reflexão – Desmontando confusões sobre o armazenamento de carbono

Imagem captada aqui.

Há gente a tentar fazer passar a ideia de que os impactos da plantação de árvores são os mesmos que parar de queimar combustíveis fósseis. 
É uma fraude científica afirmar que o carbono capturado pelas florestas e pelo solo é climaticamente o mesmo que o carbono armazenado no subsolo sob a forma de combustíveis fósseis. 

Plantar árvores não é a mesma coisa que deixar os combustíveis fósseis no subsolo. O carbono armazenado nos combustíveis fósseis do subsolo é estável, não entra na atmosfera enquanto as multinacionais não o extrairem e o queimarem. Os combustíveis fósseis armazenaram carbono no subsolo durante milhões de anos em segurança. O carbono armazenado em ecossistemas não é estável. As florestas podem incendiar-se, podem ser dizimadas por pragas, podem ser abatidas, arrasadas para dar lugar a albufeiras, removidas para dar lugar a minas, pradarias, plantações de soja, de óleo de palma. Por isso, o carbono só pode ser armazenado em ecossitemas de modo temporário. REDD.

Bico calado

Imagem: AFP Contributor#AFP/Getty Images
  • «Nos conturbados anos do PREC (Processo Revolucionário Em Curso) em finais de 1974 e até finais de 1975, foi a única época política em que se formaram alguns governos provisórios integrando o PCP. Com o PM General Vasco Gonçalves (comunista) e Álvaro Cunhal como ministro sem pasta, a esquerda, com PS incluído, estava a governar contra todos os interesses da direita e extrema-direita que tinham levado um grande murro no estômago com o 25 de Abril e que continuavam a estrebuchar com as medidas revolucionárias em curso. Depois de recomposta desse atordoamento inicial, essa direita saudosa, apoiada pelo CDS e pela Igreja Católica iniciou a sua luta contra esses governos de esquerda. Como? Para enquadrar e dar a conhecer a quem não sabe, passo a relatar com um extrato do Correio da Manhã de 12-06-2005, que historiou a época: “O Norte a ferro e fogo. O arcebispo de Braga, D. Francisco Maria da Silva, foi arrastado para apoiar o terrorismo de extrema-direita. O povo do Norte do País foi surpreendido, a partir do início de Junho de 1975, por vários panfletos do ELP (Exército de Libertação Português) – um grupo de extrema-direita disposto a travar a tiro, à bomba e pelo fogo os que chamava de “assassinos comunistas”. A propaganda distribuída clandestinamente pelo ELP era um claro apelo ao terrorismo: “Cada Português deve ser um Combatente”. Sedes do PCP, do MDP/CDE e da UDP foram atacadas à bomba, assaltadas ou reduzidas a cinzas por fogo posto. Ao lado do ELP nestas acções directas o Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP) – dois movimentos ligados à extrema-direita civil e militar que actuavam clandestinamente a partir de Espanha.”Nestes tempos a ICAR era um dos acicatadores à violência, sendo o Cónego Melo (com direito a estátua em Braga) um dos seus principais chefes operacionais. Desde incêndios, ataques terroristas com bombas em sedes de partidos e assassinatos (padre Max), tudo foi feito com a ajuda da CIA comandada pelo embaixador dos EUA, Frank Carlucci. Temos, portanto aqui alguns pontos comuns com o presente que não quero deixar de relevar: 1º- A situação política tinha semelhanças: a esquerda total apoia o governo. Em 1975 e em 2017. 2º – A direita e extrema-direita estão desesperadas e veem o poder cada vez mais distante. Há que fazer qualquer coisa para alterar essa situação. 3º – Em 1975 e 2017 criam-se factos e, com uma onda terrorista, desestabiliza-se a situação e fragiliza-se o poder, o que foi conseguido nas duas épocas. (...) Portanto a dúvida que me parece ser de colocar é esta: Como seria possível existirem quinhentos incêndios/ignições num só dia, sem uma concertação e planeamento para que tal acontecesse, de modo a serem obtidos os resultados que estão à vista. (...)» Armando Leal Rosa, in O Ribatejo.
  • «(...) Marcelo mede o sucesso do seu mandato em beijinhos, frases de velório, mensagens de dó a velhinhas, ao mesmo tempo que de forma subliminar vai promovendo a destruição da imagem e credibilidade dos políticos e das instituições, ele trata-se de se promover a si próprio aproveitando-se dos sentimentos primários das populações em situações de crise e de tragédia. Como não tem responsabilidades executivas e nunca poderá ser criticado pelas consequências do seu desempenho, ignora que o subdesenvolvimento exige muito mais do que as suas mezinhas populistas e que as prioridades não devem ser definidas em função da sua agenda populista. Em vez de um país pensado a médio e longo prazo Marcelo quer um país governado segundo metas conjunturais e em função da sua popularidade. Em vez de um governo que aplica um programa aprovado no parlamento pelo qual irá responder, Marcelo deseja um governo que seja um anexo à sua Casa Civil. (...)» O Jumento.
  • »(...) Quando o Daniel Oliveira lhe perguntou se tinha lido o dito despacho para assim falar, engasgadamente reconheceu que não. Contudo, a esperteza ainda lhe chegou para dizer que não mas que tinha lido a narrativa que colegas do Expresso tinham feito sobre o assunto e que isso lhe chegava. Clara Ferreira Alves é isto. Come comida mastigada por outros e parece que isso lhe chega. Ou seja, com aquele seu ar emproado, não passa de uma catatua que papagueia o que outros dizem. Em primeira mão não sabe nada nem tem um pensamento consciente e bem informado sobre coisa alguma. Histriónica, descontroladamente excitada, ela é como muitos outros a quem a televisão dá palco: acham que é portando-se como caniches acéfalos que ladram constantemente e que se mostram prontos a morder as canelas de quem esteja debaixo de fogo por parte dos PàFs que garantirão o bem remunerado emprego de comentadeiros. (...) Ao fim do dia, vínhamos no carro e ouvimos uma notícia na Antena 1. Dizia o jornalista que Marcelo tinha avisado o Governo: que os milhões que vão ser gastos nos apoios não deviam fazer esquecer a necessidade de manter o défice baixo. Ouvimos e ficámos perplexos. O meu marido exclamou: 'Este gajo... primeiro quer medidas e agora avisa para a aplicação das medidas não dar cabo do défice?'. Mas, logo a seguir, passaram as palavras do próprio Marcelo. Afinal não era nada do que o jornalista tinha dito. Marcelo concordava com as medidas de que já tinha conhecimento e referia apenas que a fórmula de cálculo do défice não deveria contar com estas verbas excepcionais e as palavras dele eram dirigidas sobretudo a Bruxelas e a quem monitoriza as contas públicas. Ou seja, o jornalista não tinha percebido nada. Mas, mais grave, logo a seguir passam a palavra a Raul Vaz. O que achava ele das palavras de Marcelo? Pois bem. Mostrando não ter ouvido as palavras de Marcelo mas apenas o disparate do jornalista, Raul Vaz, com voz assertiva, encheu a conversa de censura ao Governo, dos apelos de Marcelo para que não esquecesse o controlo do défice, para que não use o dinheiro que agora parece que salta das pedras para dar cabo do défice. Nem queríamos acreditar naquilo. Não se tinha dado ao trabalho de ouvir as palavras de Marcelo e ali estava a desfiar disparates, papagueando o que outro tinha dito. A desinformação espalhada pelos comentadores é uma mancha que alastra pelas rádios, pelas televisões e jornais. (...)» Um jeito manso.

domingo, 22 de outubro de 2017

Canadá: Nestlé acusada de ultrapassar o prazo de extração de água

«Isto dá para meia dúzia de garrafas de água» Cartoon captado aqui.

A Nestlé continua a extrair milhões de litros de água de duas cidades canadianas mesmo depois de ultrapassado o prazo do contrato. A empresa argumenta que compensa as comunidades onde trabalha através da doação de dezenas de milhares de dólares e que a situação foi provocada pela alteração das regras de gestão de água introduzidas recentemente pelas autoridades do Ontário. Os ambientalistas sublinham os impactos negativos das garrafas de plástico na região. Canadá: Vice.

Reflexão - «Incêndios: um apelo à inquietação cívica»

Foto: Zé Manel/National Geographic.

«(...) Mas é preciso lembrar mais uma vez que o estado a que se chegou não foi precipitado de um dia para o outro: são décadas de políticas de desinvestimento na floresta e no Estado, que assumiram o auge (?) no tempo do governo desses dois partidos articulados com a Troika. Sinteticamente lembre-se a transferência das competências de combate dos incêndios florestais para as corporações de bombeiros e o Serviço Nacional de Bombeiros, que deixou as próprias Matas Nacionais privadas dos meios que detinham para defesa dos recursos que o Estado administrava (1980/81, PPD/CDS); o desmantelamento do Instituto Florestal e retirada do corpo de mestres e guardas florestais da gestão das matas (1996, PS); o desligamento das tarefas de gestão florestal desse corpo, afecto à gestão e vigilância directa das matas nacionais e perímetros florestais, passando a integrar o Corpo Nacional de Guarda Florestal com funções quase exclusivas de fiscalização das leis em todo o território ; novamente a verticalização dos Serviços Florestais do Estado em 2003/4 (PSD), já sem conseguir recuperar dos estragos provocados pela "reforma" anterior (por exemplo, não existe reforço e rejuvenescimento do corpo técnico de gestão florestal desde 1994/95); transferida para a GNR a gestão da Rede Nacional de Postos de Vigia, mesmo dos que se situam no interior das Matas Nacionais e perímetros florestais e nela integrado o Corpo Nacional da Guarda Florestal (2006, PS); o impedimento pelo Ministro das Finanças Bagão Félix (2004, PSD/CDS) da adopção dos incentivos fiscais indispensáveis à transformação da floresta que hoje ele próprio reclama; o fortalecimento da prevalência do Combate em detrimento da Prevenção, pelas mãos do Ministro da Administração Interna Miguel Macedo (2011, PSD/CDS).
É confrangedor e inadmissível que muitos dos que ontem tiveram posições activas e decisivas impedindo modificações essenciais (como aconteceu também por responsabilidade de dirigentes da ANMP, que ameaçaram o Ministro da Agricultura do seu próprio governo PSD (2004), venham hoje fazer coro contra as medidas que este governo não tomou!
(...) No plano estritamente florestal, lembremo-nos de que as coisas têm de ter a participação efectiva dos profissionais: é preciso utilizar o Conhecimento que eles detêm (ninguém quereria ser submetido a uma cirurgia feita por um motorista ou por um farmacêutico...).
Refazer a floresta ardida não é substituí-la por novas plantas das espécies que arderam nos mesmo locais: é dar a racionalidade que faltava à distribuição dos espaços e das espécies. A opção necessária pela utilização em maior escala de espécies autóctones implica apoios financeiros que façam face às necessidades das pessoas que íam procurar satisfazer com os eucaliptos - os quais são absolutamente necessários a um ramo das indústrias de base florestal mais evoluído e economicamente mais forte. É o momento de pôr ordem na sua utilização, até agora tão desregrada. Como não há muitos marqueses de Pombal... é precisa sensatez, conhecimento e participação.
(...) não escancaremos agora as portas aos estrangeiros que quererão socorrer-se da pretensa liberdade de mercado para nos impingirem os seus materiais florestais de reprodução (sementes e plantas). As sementes necessárias não se importam: têm de ser colhidas cá! O nosso pinhal bravo certificado para colheita de sementes é do melhor que há no mundo. As quantidades de sementes que vão ser necessárias e a diminuição drástica das áreas de recolha exigem a maior parcimónia e eficiência na utilização dos stocks.
As tarefas que a revitalização impõe são um fortíssimo incentivo ao emprego - bem necessário para substituir os empregos que foram destruídos. Mas emprego qualificado é preciso! A capacidade empresarial existe: precisa é de confiança!
Mas antes de tudo isso está o problema do uso das propriedades. Tornou-se evidente para toda a gente que quem não tenha condições para cumprir os planos ou directivas que venham a ser adoptadas, tem de resolver o seu problema (ou o problema que herdou) transferindo para outrém as suas obrigações: não precisa de vender (não faltariam abutres!), mas precisa de transferir, sem deixar de ser dono: arrendando, integrando-se numa ZIF, associando-se de qualquer modo - o que não pode mais acontecer é que toda a sociedade tenha de pagar os efeitos do abandono (justificado ou não).
Quando se reclama - bem e justamente - que isto não pode mais acontecer, é preciso ter a noção de que a responsabilidade das soluções não é só do Governo: é de todos, desde logo os proprietários das terras. E isto não se compadece com pressas... nem com delongas, nem com demagogias!
É indispensável que se tenha consciência de que as árvores não crescem como o milho: demoram anos (algumas, muitos anos) até poderem ser utilizadas nas fileiras industriais - é nelas que ganham valor. E até lá?
Esta hora de muita dor tem de ser a hora de construir a floresta de que o País precisa, capaz de contribuir seriamente para a melhoria das condições de vida das pessoas, para a melhoria do ambiente, para a economia, para o equilíbrio do território! Que a tragédia seja transformada em oportunidade ganhadora.» 

Victor Louro in Incêndios: um apelo à inquietação cívica - DN 19out2017.

Mão pesada

O diretor de uma empresa de sucata e reciclagem de Melksham foi condenado a 8 anos de prisão se não pagar uma multa de 2 milhões de libras por atividade ilegal. Em 2016, este indivíduo já tinha sido condenado  a 18 meses de prisão por motivos semelhantes. GovUK.

Bico calado

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  • «Quantas vezes Marcelo fez voluntariado junto dos sem abrigo antes de ser presidente, quando até tinha uma agenda mais ligeira? Quantos comentários e propostas fez Marcelo nos seus comentários televisivos em matéria de incêndios? Quantas vezes Marcelo usou os seus comentários para fazer previsões económicas? Quantas vezes bebeu Encosta do Alqueva reserva de 2014 com pobres? Até parece que Marcelo enjoou a comida dos jantares de banqueiros para onde era convidado.» O Jumento.
  • «(...) E também perguntou a que título, depois de Pedrogão, não foram requisitadas as Forças Armadas para tarefas de prevenção aos incêndios, apontando tal inoperância como mais uma das falhas do governo. Ó Pacheco, aí falhaste tu, e o tiro saiu ao lado. Então quem manda na tropa, não é o Presidente da República, que é o Comandante em Chefe das Forças Armadas? Marcelo que se mete em tudo, que demite ministros pela televisão, que abraça velhinhas e visita destroços, não terá culpas no cartório nesse quadro de ausência dos militares? Parece-me bem que sim, e por isso me parece também que Marcelo tem também, nesse quadro os seus telhados de vidro. Mas adiante. O que está na agenda é o ataque ao Governo (...)» A estátua de sal, in A quadratura do fogo.
  • «Só um idiota urbano, daqueles que precisam de ser submetidos a 35 graus centígrados em meados de Outubro, depois de seis meses sem chover, para chegar à conclusão de que aquilo a que insistentemente chamaram “bom tempo” é uma catástrofe, é que não percebe que aquele mar verde de oliveiras a perder de vista, alimentadas para crescerem mais num ano do que os antigos olivais cresciam numa década, e ocupando o terreno com a mesma densidade que uma plantação de couves, consomem água e fertilizantes em porções criminosas. Em pouco tempo, a terra fica exaurida e o deserto cresce. Noutros lugares do Alentejo, os olivais com mil anos não precisam que lhes seja erguido um “memorial” porque são eles que transportam a memória do mundo. Aquele lagar imponente no meio da planície não homenageia o olival português: insulta-o.» António Guerreiro, in Os azeiteiros excelentíssimosPúblico 20out2017.
  • «(...) O Povo diz que “depois de casa roubada trancas à porta”! É dos livros. É que o Estado falhou e falhou rotundamente, digo eu. Mas quem é o Estado? Que fique bem claro: somos todos! E cada um com a sua pequena ou grande quota de responsabilidade. Falhou, e foi fatal, no nosso egoísmo. Falhou quando durante mais de cinquenta anos, nos conduziu à emigração e ao abandono da agricultura. Falhou quando lhe deu a estocada final e, nos macabros tempos do Cavaquismo, negociou a tenebrosa PAC. Falhou antes quando nos obrigou massivamente a ir para uma guerra longe da Pátria. Falhou quando, no ajustamento, sob o chavão da improdutividade e do não há alternativa obrigou milhares e milhares de jovens a emigrarem. E quando, querendo depois que regressassem, lhes oferecia uma côdea em relação ao que lá fora ganhavam… Falhou também quando, depois e na sequência disso tudo, foi retirando às populações do interior tudo aquilo que significava Estado: o Hospital, o Centro de Saúde, o posto da GNR, o Tribunal, os CTT, a Estação dos Caminhos de Ferro, o Autocarro e a Escola! Resultado? O óbvio! A culpa? De todos…e de ninguém… (...)» Joaquim Vassalo Abreu in As manifs contra os incêndios – À esquerda do zero.
  • «As armas furtadas em Tancos no passado 27 de Junho apareceram anteontem, 18 de Outubro, na Chamusca. Entre as duas datas, chefias do Exército e outros militares (um deles foi Vasco Lourenço) alertaram para a possibilidade de não ter havido furto. As armas ‘desaparecidas’ fariam parte de um lote abatido ao stock mas não registado como tal. Acontece muito, repetiu gente insuspeita. Fui dos que aceitaram a tese como boa. Mas eis que as armas surgem do nada após denúncia anónima. Dando de barato o facto de o seu desaparecimento e ulterior aparecimento terem ocorrido no pós-Pedrógão Grande e no pós-Domingo Negro, respectivamente, curiosa coincidência, o factor Chamusca muda tudo. Ou não?» Eduardo Pitta, in Coisas sérias.

sábado, 21 de outubro de 2017

Alemanha: 3/4 dos insetos voadores desapareceram das reservas naturais

Imagem captada aqui.
  • Três quartos dos insetos voadores desapareceram das reservas naturais alemãs nos últimos 25 anos, conclui um estudo de investigadores da Radboud University, na Holanda, e da Sussex University, no Reino Unido, publicado na revista Plos One.
  • Na República Checa, nem um único hectare foi cultivado com milho transgénico em 2017. Em Portugal, a previsão oficial é de uma redução de 10,3%. InfOGM.
  • Ali and Aysin Büyüknohutçu foram assassinados após terem conseguido uma vitória judicial para o encerramento de uma pedreira de mármore na Turquia. The Guardian.
  • Um grupo de cidadãos está a lutar judicialmente contra a concretização de um megaprojeto em Miami-Dade Couty, na Florida. O centro comercial da Walmart e 900 apartamentos vão arrasar uma floresta junto do parque nacional de Everglades, uma área de riquíssima biodiversidade. OIANews.
  • A popularização de carros de auto-condução poderá aliviar o congestionamento rodoviário, mas vai incentivar a expansão urbana. OIANews.

Reflexão – Como recuperar florestas ardidas?

Foto: Zé Manel/National Geographic

Se queremos recuperar as florestas ardidas, é fundamental proteger o solo e reduzir os processos erosivos agravados pelas chuvas, sugere a Greenpeace

Duas estratégias: 
  • (1) extrair a madeira queimada sem a arrastar no chão, evitando a formação de sulcos que só facilitam a circulação de água e dificultam a recuperação natural do coberto vegetal
  • (2) erguer pequenos diques perpendiculares à inclinação de encostas íngremes para travar o arrastamento de terra, evitar a perda de solo e, consequentemente, reduzir o perigo de cheias e de contaminação de cursos de água 

Bico calado


Imagem captada aqui.
  • «(...) Talvez a culpa seja minha, porque fui deputado e participei na construção de uma democracia que a páginas tantas se distraiu e não soube resolver problemas estruturais, como o reordenamento do território e das florestas, assim como o combate ao abandono e à desertificação do país. Não se ouviu como se devia ter ouvido o arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles. É certo que por vezes protestei, mesmo contra o meu próprio partido. Mas não foi suficiente. Não consigo calar-me e sinto-me culpado. Já disse que não sou um especialista. Mas acho que os meios de combate aos incêndios devem passar para o Estado. Os meios aéreos para a Força Aérea Portuguesa. E é óbvio que se torna urgente a criação de um corpo nacional de bombeiros profissionais organizado segundo normas e regras de tipo militar (...)» Manuel Alegre in Não consigo ficar caladoDN 18out2017.
  • «Moçambique é um dos países mencionados no relatório. O consórcio de jornalistas africanos destaca o caso de Montepuez, na província de Cabo Delgado, onde os habitantes são violentamente expulsos dos campos de exploração de rubis detidos por generais e ministrosMacua.
  • A autoridade bolsista dos EUA acusou a mineira Rio Tinto e dois antigos executivos de fraude por inflacionarem o valor de ativos de carvão adquiridos por 3,7 mil milhões de dólares. Lusa/Macua.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Suiniculturas na mira do ministro do Ambiente

Imagem: Biju Boro/AFP/Getty Images
  • O ministro do Ambiente vai apertar as regras aplicadas aos resíduos e efluentes das suiniculturas. João Matos Fernandes pretende que as indústrias percebam que têm de cumprir a lei e afirma que outras medidas de fiscalização, já aplicadas anteriormente, como os drones que vigiam o Tejo e a equipa de intervenção rápida, têm ajudado. TSF. Ouço este fadinho há anos...
  • As nossas cidades precisam de menos automóveis, não de automóveis limpos, lê-se no The Guardian.
  • Um grupo de fotógrafos uniu-se para, através das suas imagens, recolher fundos para ajudar a combater o tráfico ilegal de vida selvagem. The Guardian.
  • Uma plataforma de petróleo explodiu no lago Pontchartrain, na Louisiana durante uma operação de limpeza de substâncias químicas, hvendo um morto e 6 feridos a lamentar. HP.

Bico calado

  • «(…) é evidente que o combate a fogos tem que ser público e militarizado - enquanto der lucro apagar fogos não teremos segurança. O "pior dia do ano" vai repetir-se quantos anos mais?» Raquel Varela, FB.
  • «(...) Enquanto incendiários apanhados em flagrante continuarem a ser mandados em paz, ou a serem punidos  com penas ridículas (quase sempre suspensas); Enquanto as autoridades continuarem a fechar os olhos a quem faz queimadas; Enquanto não forem proibidos os foguetes e fogos de artifício em tudo quanto é romaria, durante os meses de Verão; Enquanto não forem punidas severamente as faltas de civismo dos condutores, propiciadoras de provocar ignições; Enquanto não se repensar a Floresta e o Ordenamento do Território; Enquanto os partidos políticos continuarem a usar os incêndios como arma de arremesso político, em vez de se porem  de acordo sobre as medidas essenciais e urgentes que são necessárias para diminuir o risco de incêndios ( repensar a Floresta, o Ordenamento do Território, a política dos baldios e um conjunto alargado de penas dissuasoras para comportamentos cívicos que funcionam como ignição de incêndios); Enquanto as estradas florestais continuarem a ser caminhos de cabras destinados apenas a veículos todo terreno; Enquanto não houver coragem de combater as mafias dos fogos; Enquanto continuarmos a ser este maldito país de Brandos Costumes, onde proliferam os irresponsáveis e egoístas, os incêndios continuarão a consumir o país e os nossos recursos naturais.  Tudo isto, aliado à incontornável questão das alterações climáticas ( que muitos continuam a negar, apesar das evidências ) contribuirá para destruir o nosso património Natural. (...)» Carlos Barbosa de Oliveira in Crónicas do rochedo.
  • Um carro-bomba assassinou Daphne Caruana Galizia, de 53 anos, a jornalista que coordenou a divulgação de casos de corrupção incluídos nos Panama Papers, entre as  quais das ligações entre o primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, e o governo deo Azebaijão. Mais pormenores aqui.


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Construtoras e imobiliárias acusadas de usar dados de tráfego desatualizados para ocultar o impacto da qualidade do ar

Ponte Nova ou Cava da Velha, Rio Laboreiro. Foto: Portugal em caminhadas 7out2017
  • Imobiliárias e construtoras na região de Northampton estão a ser acusadas de usar dados de tráfego desatualizados para ocultar o impacto da qualidade do ar. Tudo para avançarem com um mega projeto de construção de 380 casas no norte da cidade, o que, segundo estudo do Green Party, vai despejar diariamente mais de 3 mil automóveis em Kingsthorpe, aumento substancialmente a poluição. Northampton Chronicle.
  • Cientistas da Sussex University alertaram os deputados britânicos para o facto de o governo está a usar o projeto da central nuclear de Kinkley Point C para subsidiar os militares através da manutenção das suas capacidades nucleares. The Guardian.
  • A França e a Índia vão assinar em dezembro um acordo de cooperação em energia solar, informa o The Times of India.
  • A Toyota está a testar camiões pesados, movidos a hidrogênio, numa uma série de viagens curtas no final deste mês, transportando carga de portos e terminais em Los Angeles. As células de combustível de hidrogênio permitem que os camiões funcionem com energia limpa, com apenas emissões de vapor de água. Futurism.

Mão pesada

Yiannis Kourtoglou/Reuters

A «fraternidade» Pi Kappa Alpha da California State University, em Chico, foi intimada a realizar 9 800 horas de serviço comunitário por abater 32 árvores na Floresta Nacional de Lassen durante uma praxe. Além disso, a «fraternidade» foi multada em 4 mil dólares e intimada a indemnizar a Lassen National Forest em 4.388 dólares. O seu ex-presidente foi multado em mil dólares. SacBee.

Bico calado

Imagem captada aqui.

Cerca de 4 mil prisioneiros combatem os incêndios florestais na Califórnia. Ganham 1 dólar por hora. Após cumprirem as suas penas, não poderão trabalhar como bombeiros por a lei regional não permitir bombeiros com cadastro criminal. Mais pormenores no Daily Beast.


domingo, 15 de outubro de 2017

Poluição e seca destroem pesca no Tejo

Um caixote de lixo flutuante está a ser testado em rios ingleses. Consegue recolher mais de um quilo de plástico, cerca de 80 mil sacos de plástico por dia.
  • A poluição, aliada cada vez mais à seca, está a afetar a atividade piscatória no rio Tejo, originando o desaparecimento ou a escassez de peixes como a enguia ou o linguado. DN.
  • A despesa total consolidada do Ministério do Ambiente vai ascender a 2142,2 milhões de euros em 2018, um aumento de 923,6 milhões de euros (+75,8%) em relação à estimativa de execução prevista para o final de 2017. Este crescimento é justificado com o pagamento dos contratos swap celebrados pelo Metropolitana de Lisboa, Metro do Porto, Sociedade Transportes Coletivos do Porto e a Carris – no final de 2016 o valor em dívida era de 317,6 milhões. O ministério destaca ainda o acréscimo da despesa relativa à reabilitação do parque habitacional e às transferências para as empresas públicas reclassificadas, em particular no setor dos transportes (332 milhões de euros). As receitas consignadas geradas pelo imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP) e adicional ao ISP também aumentam 8,5 milhões (+33,3%). Estas verbas destinam-se a apoiar a expansão das redes do metro de Lisboa e do Porto. O ministério vai ainda ajudar os municípios na resolução do problema das dívidas aos sistemas de água e saneamento, através de um empréstimo ao BEI com um prazo máximo de 25 anos, no valor de 200 milhões de euros. DV.
  • As florestas continuam a desaparecer em Moçambique, apesar de há 7 anos ter sido lançado um projeto de fundo para contrariar a desflorestação. Jordão Matimula, responsável da Associação Nacional de Extensão Rural, diz que a corrupção e o envolvimento das elites políticas na exploração de florestas vai continuar a adiar o reflorestamento no país. DW.
  • A Luminant, filial da Vistra anunciou o encerramento de 2 centrais a carvão no Texas, para além de outra anteriormente prevista. Reuters. O encerramento destas 3 centrais a carvão é irónico se soubermos que a administração Trump acaba de rechaçar a legislação de Obama que favorecia de algum modo o combate às alterações climáticas.
  • Cientistas do clima alertaram para o facto de a investigação em geoengenharia poder ser sequestrada pelos negacionistas das alterações climáticas como uma desculpa para nada fazerem para reduzir as emissões de CO2, considerando a administração Trump uma grande ameaça para o seu trabalho. No início de 2017, David Keith, professor de física aplicada em Harvard, anunciou planos para realizar um teste ao ar livre na injeção de aerossol estratosférico, envolvendo o lançamento de um balão de alta altitude que irá pulverizar uma pequena quantidade de partículas reflexivas na estratosfera. Keith acredita que a experiência pode ajudar a medir a viabilidade e os riscos envolvidos na geoengenharia, um termo abrangente para uma série de técnicas para ajustar o clima no sentido de mitigar o aquecimento global. Elas incluem refletir a luz solar do espaço, adicionar grandes quantidades de cal ou ferro nos oceanos, bombear águas profundas e ricas em nutrientes para a superfície dos oceanos e irrigar vastas áreas de deserto para cultivar árvores. Os defensores da investigação em geoengenharia argumentam que suas técnicas poderiam ajudar a diminuir alguns dos impactos das alterações climáticas. No entanto, o bom senso recomenda que as técnicas devem ser utilizadas para além de todo um trabalho de redução das emissões de CO2. «Todas as técnicas que têm sido apresentadas têm impactos ambientais potencialmente severos», sublinha Silvia Ribeiro, do Grupo ETC. Por exemplo, a injeção de aerossol estratosférico, que alguns especialistas dizem poder reduzir a quantidade de chuva das monções asiáticas e africanas, pode ter um impacto devastador no fornecimento de alimentos as biliões de pessoas. A injeção de aerossol também pode reduzir a camada de ozono e aumentar o risco de exposição à radiação ultravioleta. Outros possíveis efeitos colaterais da geoengenharia podem ser o aumento na acidificação dos oceanos, a mudança nos padrões climáticos, o rápido aumento das temperaturas e a sobreexploração dos terrenos agrícolas, o que pode provocar a migração em massa de milhões de refugiados vítimas das alterações climáticas. The Guardian.

Reflexão

Foto: Zé Manel/National Geographic

«(…) Na véspera da apresentação do relatório dos incêndios florestais, o primeiro-ministro e o ministro do Ambiente juntaram-se na Culturgest para apresentar o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050. Este objectivo foi anunciado por António Costa na última Cimeira do Clima em Marraquexe, e supostamente seria o cumprimento por parte de Portugal do Acordo de Paris, isto é, manter o aumento da temperatura abaixo dos 2ºC até 2100. O evento pretendia mostrar o compromisso do Governo na redução das emissões de gases com efeito de estufa, tendo Costa destacado a importante vulnerabilidade do país aos efeitos das alterações climáticas como um dos motivos centrais da sua proposta “ambiciosa”. 
O que ficou demonstrado foi que há a percepção do tema como potencial ganho político, mas que se mantém a inação como política de Estado. A habilidade contábil pautou o evento, especialmente quando o primeiro-ministro anunciou uma redução de emissões de 30 a 40% até 2030, quando comparado com os níveis de 2005. A escolha de 2005 como base para a redução é central: as emissões nesse ano, ainda antes da crise financeira, eram particularmente altas (86,3 Mt de CO2, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente) e uma redução de 30 a 40% até 2030 significaria apenas atingir um valor entre 52 e 60 Mt. Em 2016, o nível de emissões foi de 66,5Mt de CO2, pelo que o corte anunciado por António Costa é na verdade entre 9 e 22%. Ora, para ambicionarmos sequer atingir os tais 2ºC do Acordo de Paris, devemos atingir um nível de emissões próximo das 24 Mt de CO2 em 2030. Isso significa um corte de 44 Mt. A proposta “ambiciosa” do Governo para cortes de emissões é cerca de um terço dos cortes em emissões necessários e assim, infelizmente, dirigimo-nos para o caos climático através, entre outros, de uma fraude contabilística de carbono. Para cumprir os seus objectivos, não foram elencadas quaisquer medidas concretas, baseando-se até ao momento o “Roteiro” em declarações vazias e evitando temas quentes como as concessões petrolíferas e a lei da prospecção, pesquisa e produção de petróleo (que aumentaria as emissões), o encerramento das centrais a carvão no Pego e em Sines (responsáveis por perto de 20% das emissões nacionais) e o facto de o maior sumidouro de carbono, a floresta, estar a perder uma área de dez mil hectares por ano há mais de duas décadas, além de ter recorrentemente a maior área ardida da Europa. (…)» 

João Camargo in Incêndios florestais, uma fraude de carbono e uma Ofélia ameaçaPúblico 14out2017.


Bico calado

Imagem colhida aqui.
  • «Rui Rio. Para ser franco, não sei bem quem seja e seguramente não lhe recordo uma única ideia ou pensamento que me tenha chamado a atenção. Sei, claro, que foi presidente da Câmara do Porto, muito elogiado pela imprensa e intelectualidade lisboeta por se ter atrevido a enfrentar o FC Porto e Pinto da Costa. Porém, só o fez depois de ser eleito e não antes — mostrando logo aí o que viria a revelar-se uma característica muito sua: o gosto pelos combates ganhos à partida, a aversão pelos outros. (…) Quanto a Santana Lopes, a outra proposta, esse, o país inteiro conhece-o, até bem demais — com ele é como se fossemos todos família. A imprensa adora-o, porque ele é um incansável fabricante de emoções, animações e trapalhadas — o “menino guerreiro”. Tem sobre Rio essa vantagem: a ele não assustam as guerras perdidas (enfim, não todas…), e não há festa nem festança a que não compareça, convidado ou não. Infelizmente, tem, em relação a Rio, a imensa desvantagem daquele trágico e breve governo de 2002, que Durão Barroso deixou cinicamente de herança ao país quando se pirou para Bruxelas e que Santana chefiou como se chefia um clube de amigos. (…)» Miguel Sousa Tavares, in Expresso, 14/10/2017 – Via A estátua de sal.
  • A China acabou de estabelecer um sistema de «pagamento versus pagamento» (PVP) para oficializar as transações entre o yuan chinês e o rublo russo. O objetivo é «reduzir os riscos e melhorar a eficiência» do seu sistema de câmbio. O novo mecanismo, que poderá rivalizar com o velho monopólio do sistema de pagamento interbancário SWIFT dos EUA (que permite a liquidação simultânea de transações em duas moedas diferentes), foi lançado na segunda-feira após ter recebido a aprovação do banco central da China. Este movimento será visto pelos oligarcas financeiros da Wall Street como um ato de agressão porque desafia a preeminência do dólar dos EUA como moeda de reserva global do planeta - que está inextricavelmente ligada e quase completamente dependente do Petrodollar dos Estados Unidos para apontar o valor da moeda fiat dos EUA. Académicos da Universidade de Georgetown consideram que este desenvolvimento coincide com outros movimentos recentes, nomeadamente notícias de que a China «obrigará» a Arábia Saudita a negociar petróleo em yuans. Se isso acontecer, o resto do mercado mundial de petróleo poderia seguir o exemplo, o que seria um desastre para o dólar americano como a moeda de reserva do mundoGR.