quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Costa quer mais e melhor eucaliptal

  • Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra, liderada por Joana Cardoso, descobriu novas proteínas envolvidas na patogenicidade do nemátodo da madeira do pinheiro (Bursaphelenchus xylophilus). A equipa quantificou e comparou as proteínas (enzimas) produzidas naturalmente pelas duas espécies de nemátodes e libertadas para o meio envolvente tendo descoberto que «a espécie B. xylophilus liberta uma quantidade muito maior de determinadas proteínas do que a B. mucronatus, podendo ser esta a causa para a sua patogenicidade, ou seja, o aumento da secreçao destas proteínas é responsável pela destruição das células do pinheiro e consequente morte da árvore», explica Joana Cardoso. Penacova Actual.
  • «Nas instalações da Celbi foram assinados, com o Estado português, dois contratos de investimento que prevêem um investimento de 125 milhões de euros em duas unidades da Altri (85 milhões na Celtejo – Vila Velha do Ródão e 40 milhões na unidade da Figueira da Foz). Os contratos assinados, na presença do primeiro-ministro e dos ministros da Economia e da Agricultura, pressupõem a introdução de processos inovadores na produção de pasta, gerando “ganhos de eficiência energética e ambiental”. Na cerimónia, [o primeiro-ministro] António Costa garantiu que o Governo vai disponibilizar 18 milhões de euros para “melhorar a produtividade” na produção de eucalipto. Diário de Leiria. Entretanto, o governo da Galiza prepara um decreto que vai proibir a plantação de eucalipto em algumas zonas do seu território. O Ambiente Ondas3 não se esquece de que foi no dia 30 de Maio de 2013 que em Conselho de Ministros, Pedro Passos Coelho, Miguel Macedo e Assunção Cristas assinaram o Decreto-Lei nº 96/2013, que viria a ser conhecido por Lei do Eucalipto. Aliás, convirá reler o que João Camargo escreveu na Sábado de 24 de agosto de 2016 (Limpar o rabo à floresta), texto reproduzido, na íntegra, aqui.

Malta proíbe glifosato e POE-seboamina

Rio Paiva em Ameixiosa. Foto de Judite Pinho15jan2017.
  • Em Davos, no Forum Económico Mundial, grandes multinacionais como a Unilever, a Proctor and Gamble, a Coca-Cola, a Danone e a Dow Chemical assinaram um protocolo para aumentar 5 vezes a atual percentagem da reutilização e reciclagem das embalagens de plástico. DW.
  • A Dinamarca tem, neste momento, a maior central solar do mundo, diz o CPH Post Online.
  • Paris começou a aplicar sistema de etiquetas em automóveis e motociclos com base no nível de poluição produzida para regular o acesso à cidade. Troposfera.
  • A Holanda determinou a suspensão da extração de gás natural em Loppersum, uma cidade no norte do país afetada por incessantes tremores de terra. Lusa/Observador.
  • Os herbicidas com glifosato e POE-seboamina passam a ser proibidos em Malta apartir de abril deste ano. Times of Malta.
  • Nova York mapeou todas as suas árvores, sendo possível conhecer a importância ecológica e económica de cada uma delas. Via Nexo. Em Aveiro, algo semelhante foi feito nos finais dos anos 90, por uma equipa do departamento de Biologia da Universidade de Aveiro. Precisa de ser atualizado.

Reflexão – O programa europeu de redução de emissões é desastroso

Imagem captada aqui.

O programa europeu de redução de emissões é desastroso (notas)
por Diane James in HP 11jan2017.

O programa europeu do comércio de emissões resultou precisamente no contrário daquilo que se pretendia. 
Em vez de ter contribuído para a redução efetiva da poluição, acabou dando biliões de euros de subsídios aos maiores poluidores europeus e de encher os bolsos de criminosos internacionais, ao mesmo tempo que fez aumentar imenso essas mesmas emissões de carbono. Pior: a União Europeia arrogou-se o direito de atribuir a si mesma privilégios de manipulação de mercado, coisa que teria mandado para a prisão um banqueiro que tivesse tentado fazer o mesmo. 
A recessão de 2008 causou uma contração maciça da produção industrial, deixando os grandes poluidores com biliões de dólares em créditos de carbono livremente alocados, vendidos no mercado por enormes somas. Ao fazê-lo, a União Europeia contrariou o seu próprio princípio do poluidor-pagador. Poder-se-ia razoavelmente argumentar que o poluidor fora pago. 

Mas os maiores crimes ainda estavam para ser cometidos. 
Através de lacunas no ETS foram gerados 600 milhões de toneladas de CO2 em excesso na Ucrânia e na Rússia (cerca de 4 mil milhões de euros) para criar créditos de carbono falsos para venda aos conglomerados industriais e de energia da UE. O Instituto do Meio Ambiente de Estocolmo sublinhou que os principais beneficiários desses créditos eram os gangues do crime organizado.
Surpreendentemente, contrariando um tratado internacional, cerca de 2 biliões de toneladas de hidroclorofluorocarbonetos foram gerados (principalmente na China e Índia) de acordo com a Agência de Investigação Ambiental para capturar um subproduto e criar créditos de carbono Cerca de 20 mil milhões de euros, considerado, na altura, «o maior escândalo ambiental da história». Estes créditos foram de novo vendidos às empresas de energia e gigantes industriais da UE.
E como se isso não bastasse, o fracasso da UE em relação aos diferentes regimes fiscais criou a maior fraude ao IVA que o mundo já viu. Calcula-se que cerca de 15 mil milhões de euros tenham sido defraudados através deste sistema mal construído e mal gerido. Quando o preço dos créditos de carbono baixou, a UE começou a retirar créditos da circulação para manipular e aumentar os preços, o que tornou a indústria europeia menos competitiva. 

Mão pesada

Membros do movimento Resist Spectra foram multados e condenados a cumprir serviços comunitários por protestarem contra a extensão do gasoduto Algonquin que está a ser construído no estado de Nova York. Já foram detidos mais de 250 ativistas em 2 anos de protestos contra este projeto. O gasoduto pretende transportar combustível de Lambertville, New Jersey para Boston, Massachusetts. O problema é que não só vai passar por baixo do rio Hudson, como passará a 30 metros da central nuclear de Indian Point, palco de vários casos de violação de regras de segurança nos últimos 18 meses. RT.

Bico calado

Peneireiro-das-torres. Foto de Tom Martins. Imagem captada aqui.
  • «Nunca tinha visto uma ave de rapina. Agora é raro e triste o dia em que não dê com uma ou duas nos meus passeios. Se calhar, sem saber, procuro-as em certas horas nada secretas, nos campos de onde teimosamente não saem. Há pessoas que trabalharam muito para que estas aves voltassem a estas terras e nelas ficassem. É bom ver que, por uma vez na vida, contra todas as nossas tendências destruidoras, o dia de hoje é mais rico do que o de ontem. Os peneireiros pairam tão imobilizados que, ao longe, parecem drones. Enganam-nos como enganam as presas. Há também falcões-peregrinos. Caem à maior velocidade de qualquer animal, acelerando cada vez mais, até agarrarem o pobre bicho que surpreenderam completamente. Na segunda-feira parámos para fotografar uma das duas águias de Bonelli que já todos conhecem e acarinham. Ela levantou voo — chateada, claro, mas faria o mesmo só para exibir o recorte dramático das asas contra o céu azul e frio de Janeiro — e foi pousar noutro poste. Assim aconteceu quatro vezes. Nós só tínhamos a estrada. Ela tinha toda a serra de Sintra, os prados, as colinas e os mares do Cabo da Roca — mas recusava-se a sair da linha dos postes. Fez bem. Enchia a alma saber que ela estava ali confortável, com uma indiferença majestática, sem medo do inimigo humano. Aquela era a coutada de caça que lhe pertencia. Por que raio havia ela de se mudar ou de se aborrecer? Há organizações maravilhosas a que devemos agradecer este resultado. Não é uma sorte: é uma missão. Tornemo-la nossa também.» Miguel Esteves Cardoso in A rainha do mundo – Público 17jan2017.
  • «Agora que as referidas obras estão praticamente concluídas, e embora lamentando o abate de algum património arbóreo (árvores idosas e juvenis não são a mesma coisa), acho que os amantes das árvores, como eu, ficaram a ganhar. Mantiveram-se espécies significantes (como as tipuanas na Praça do Saldanha) e aumentou-se significativamente o número de árvores. Segundo o que foi noticiado, passará a haver quase 900 árvores em vez das até agora menos de 200, e com maior diversificação: entre outras, jacarandás, algumas espécies de Prunus, Koelreuteria, freixos, plátanos e tipuanas. Excelente!» Bagão Félix in Choupos e não só. Em Lisboa e não só – Público 17jan2017.
  • «Nenhuma sociedade ocidental vive sem electricidade – há 10 milhões de portugueses dependentes da EDP que foi privatizada só quando esta rede esteve pronta. Tudo o que a EDP dá hoje é lucro, porque a EDP só foi privatizada quando todo o trabalho estava feito. Os custos ficaram todos connosco, em várias décadas. Como remunera capitais nacionais e internacionais (chineses, entre outros, com a exportação de energia, ah país de patriotas!) a «taxa de exploração do trabalho» (extracção de mais valia) aqui em Portugal tem que ser maior. O que significa este palavrão? Que a EDP tem que elevar as taxas fixas, em primeiro lugar; e em segundo pagar mal a quem trabalha (que o digam os call centres sub contratados); e em terceiro que exporta a energia que produzimos – produzimos mas não consumimos porque os salários não permitem pagar o que produzimos. Em Portugal hoje não se vai morrer de frio, mas de falta de consciência (e de revolta) de que os pés quentes de António Mexia – que faz parte do 1% mais ricos do mundo – são as mãos geladas de quem está em casa com uma mantinha, como nem a Agáfia está… na Sibéria de há 1000 anos, em pleno século XXI.» Raquelk Varela in Ninguém morre de frio.
  • «As redes sociais não precisam de jornalistas, como não precisam de jornalistas as conferências de imprensa sem direito a perguntas. E os meios de comunicação social também não precisam de jornalistas que vão a conferências de imprensa sem perguntas para fazer. E não precisam de jornalistas que não são capazes de procurar e encontrar a informação que as fontes não querem revelar. (…) Os leitores não precisam de nós para lhes dar conta dos tweets, dos vídeos virais, das polémicas artificiais no Facebook. Não há ninguém a decidir pelos jornalistas as opções que os jornalistas fazem. Ser jornalista é fazer perguntas, insistir até ter respostas.» Paulo Baldaia in Pode vender-se a alguém o que alguém não quer comprar?DN 16jan2017.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Almaraz: Portugal entregou queixa em Bruxelas

Pico da Pedra, S. Miguel-Açores. Foto de Manuel Moniz. 
  • «Hoje à entrada do Pico da Pedra, um pelotão de gaivotas a descansar, provavelmente antes de irem comer lixo no Aterro e defecar na Lagoa do Fogo. Pobre deste terreno, que ficará totalmente contaminado com a fezes tóxicas destes pássaros, que há muito ultrapassaram o número aconselhável. Estratégia parece que ainda não há -- o que se percebe pela multa ao Aterro pelo envenenamento patético a que procedeu nos últimos meses. Talvez quando se detetar metais pesados na água de consumo da Lagoa do Fogo se faça alguma coisa.» Manuel Moniz. Sexta feira, o Açoriano Oriental contava que «a empresa da Associação de Municípios da Ilha de São Miguel incorre no pagamento de uma multa que pode ir de 12 mil a 216 mil por ter usado método ilegal para controlar população de gaivotas no aterro.»
  • Almaraz: Portugal já entregou queixa em Bruxelas. «A queixa refere-se à omissão pela parte espanhola de informação sobre o eventual prolongamento da vida da central nuclear para além de 2020. Portugal invoca como fundamento para a queixa a nova diretiva comunitária que obriga os Estados membros da União Europeia a consultarem os vizinhos sempre que estejam em causa decisões com efeitos transfronteiriços.» RTP.

Oslo proibe circulação de veículos a gasóleo durante dois dias

O perfil da Rocalva, cabana do Cando. Foto de Américo Alves
  • Oslo proibiu a circulação de veículos a gasóleo durante dois dias. O objetivo é reduzir os elevados níveis de poluição do ar da capital da Noruega. Os automobilistas estão zangados porque lembram-se de, em 2006, o seu governo ter aconselhado os cidadãos a comprarem automóveis a gasóleo, um combustível, na altura, considerado mais amido do ambiente. The Guardian. Recorde-se que, em outubro de 2015, o governo norueguês anunciara a intenção de proibir, até 2019, o trânsito automóvel no centro da capital. 
  • O lago Skadar, o famoso parque natural de Montenegro, uma zona selvagem protegida, está ameaçado por um projeto de construção de um resort turístico. The Guardian.
  • A Arábia Saudita divulgou um programa de energia renovável no valor de 30-50 biliões de dólares até 2023. A energia nuclear vai também merecer forte investimento. Reuters.
  • Cuba e os EUA subscreveram um acordo de cooperação na prevenção, contenção e limpeza conjunta de derrames de petróleo e de outros derrames tóxicos no Golfo do México. Reuters.
  • A abelha Bombus affinis foi incluída na lista de espécies em via de extinção pelo ministério do Ambiente dos EUA. A sua população diminuiu 90% nos últimos 10 anos no norte daquele país devido ao abuso de pesticidas do tipo neonicotinóides aplicados nos jardins, relvados, terrenos de cultivo e florestas. The Guardian.
  • Foi lançado um novo mecanismo das Nações Unidas que envolve o pagamento de crédito em dinheiro a países pobres que protejam as florestas e o carbono armazenado dentro delas. O Paquistão será um dos países que pode ganhar entre 400 milhões e 4 biliões de dólares por ano apenas para salvar as florestas. The Nation.
  • A China suspendeu a construção de 85 centrais a carvão. ED.

Reflexão – o impacto ambiental da indústria do vestuário


Investigação e reportagem de Jennifer Collins – algumas notas

O pronto-a-vestir barato aumentou exponencialmente a procura e encurtou significativamente o ciclo da moda; em vez de duas coleções, temos hoje 20 por ano!
Apenas 10% das roupas são reutilizadas, indo a maior parte das roupas usadas parar a lixeiras ou a mercados de países pobres, onde destroem as indústrias de vestuário locais.
O vestuário é a segunda indústria mais poluente do mundo, depois do petróleo. Representa 10% das emissões globais. Um quarto dos produtos químicos do mundo são usados para têxteis, que acaba em rios e lagos.
Os países pobres é que aguentam com a poluição desta indústria e com a exploração laboral que ela fomenta e aplica.

A situação está a melhorar?
Embora a Adidas esteja a reduzir o uso de substâncias químicas perigosas nos seus processos de fabrico e a H&M e a Zara tenham começado a publicar dados sobre as quantidades de águas residuais produzidas pelas suas fábricas e muitas empresas tenham melhorado os direitos dos seus trabalhadores, o facto é que, havendo tantos intermediários neste negócio, é muito difícil garantir a veracidade de todas as promessas propagandeadas.
Algumas pequenas empresas de vão de escada tentam fazer vingar a ética neste negócio, embora reconheçam que os preços sejam mais altos e que seja difícil conquistar mercados.

Bico calado

Foto de Joe Black.
  • Dinheiro sujo de negócios de minas africanas são lavados na City de Londres, denuncia um relatório da Rights and Accountability in Development. A RAID acusa as autoridades britânicas de, em 10 anos, nada terem feito para estancar esta situação, ao contrário do departamento de Justiça dos EUA que, em setembro de 2016, acusou o Och-Ziff Capital Management Group LLC, um fundo de investimentos na Wall Street, de conspiração por violar as leis anti suborno. A investigação daquele departamento tinha descoberto e comprovado subornos de dezenas de milhões de dólares pagos a funcionários da República Democrática do Congo, a fim de garantir investimentos para o fundo em diamantes e mineração. Foram também investigados e comprovados pagamentos de subornos a funcionários da Líbia, Chade, Níger, Guiné e Zimbábue, e o  Och-Ziff foi condenado a pagar 412 milhões de dólares para liquidar as acusações. Via RT.
  • «O Record, no seu "fact-check" aos lances polémicos do jogo deste fim-de-semana entre o Benfica e o Boavista, decidiu apagar um jogador do Boavista com recurso ao Photoshop (ou a um software semelhante). Depois, decretou a sentença - "Lance legal! Não há fora de jogo!" - como se após manipular imagens lhe restasse alguma autoridade para decretar o que quer que seja.» Os truques da imprensa portuguesa, FB.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

REN encolhe no litoral alentejano

Imagem captada aqui.
  • O litoral dos municípios de Alcácer do Sal e Grândola viram reduzidas as zonas incluídas na Reserva Ecológica Nacional. Os fins serão imobiliários e turísticos, acusa João Branco, da Quercus, lamentando este «poder arbitrário» manifestado por certas autarquias. Público.
  • O número de zonas poluídas sobe para 38 na Escócia, diz a BBC.
  • O primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, propôs que o Canadá reduzisse gradualmente a sua produção de petróleo via fraturação hidráulica, conta a DW.  Imaginem como não estará o pessoal de Alberta…
  • A tribo Chippewa exige a retirada de 12 milhas de oleoduto do seu território, Bad River Band of Lake Superior. Não querem que a fonte da água que consomem seja contaminada por derrames. ABC.
  • No leste e sudeste asiático, o volume de resíduos eletrónicos aumentou cerca de dois terços entre 2010 e 2015. Só a China mais que duplicou a produção de resíduos. PHYS.
  • Os anfíbios não perdem a memória enquanto hibernam, conclui uma investigação cordenada por Anna Wilkinson, da University of Lincoln.

Reflexão: quem leu o Ambiente Ondas3 e quais as preferências?


Boston. Imagem retirada daqui.

No Ambiente Ondas3, os três textos mais populares dos últimos oito dias foram, segundo a Google Analytics:


Durante o mesmo período, as visitas vieram dos seguintes países, por ordem decrescente: Portugal, Brasil, EUA, França, Reino Unido, Espanha, Suíça, Índia, Alemanha e Holanda.

Ainda durante este período, a proveniência, também por ordem decrescente, dos leitores de língua portuguesa foi a seguinte: Espinho, Porto, Lisboa, Coimbra, São Paulo, VN de Gaia, São João da Madeira, Wolcott e Boston.

Bico calado

Lake Erie. Foto de Dave Sandford.
  • «(...) promovemos programas de suposto debate que, exacerbando clubites já de si agudas, não debatem coisa nenhuma e só contribuem para degradar o nível do debate público; somos, enquanto jornalistas, veículo da publicidade dos patrocinadores de campeonatos ou clubes; fazemos entrevistas rápidas em cenários de marcas comerciais; designamos campeonatos com o nome dos patrocinadores... Há anos, o Parlamento quis impor restrições à livre circulação dos jornalistas em S. Bento; durante um mês, omitimos o noticiário parlamentar, em protesto contra essa ideia e os deputados recuaram. Pelos vistos, é mais fácil enfrentarmos o poder político que o poder do futebol (…) Claro que não é só o futebol o problema. Matamos o jornalismo e o melhor de nós, também, pelo facto de não querermos saber, muitas vezes, da vida das pessoas. Saúde, educação ou justiça, por exemplo, interessam, na maior parte dos casos, mais pelas guerras políticas do que pelos efeitos para cidadãos e utentes. Suspiramos por equipas Soptlight mas não investigamos coisas básicas até ao fim: em Fevereiro de 2010, o então presidente do governo regional da Madeira decretou que havia 47 mortos nas inundações no Funchal. Bastaria perguntar aos vários padres da cidade quantos funerais tinham feito e contar a história de cada pessoa que morrera para perceber se aquele número é verdadeiro ou não. (…) Suicidamo-nos enquanto profissionais quando misturamos informação e entretenimento; quando abdicamos de ser jornalistas e entregamos esse papel a comentadores que mais não são que políticos ou economistas com interesses a defender; quando destratamos a língua, adoptando o “economês”, o “politiquês” ou o inglês porque é mais sexy; quando nos encerramos cada vez mais numa bolha, sem conhecer a realidade de tantas vidas; quando as questões laborais passam a interessar quase só na sua vertente económica ou economicista; quando o emprego e o desemprego são estatísticas que se debitam sem rosto e sem nome; quando não somos críticos para com os verdadeiros poderes que hoje nos dominam e que ninguém elegeu – o financeiro e o económico. O que se passou, por exemplo, com a inconsequente divulgação dos Panama Papers, é revelador. Mas essa falta de espírito crítico revela-se na forma como se acolhe cada vez mais, no jornalismo, a legitimidade de banqueiros, agências de notação financeira e outras entidades que não são escrutinadas por ninguém e que ameaçam a sobrevivência da própria democracia enquanto escolha livre dos cidadãos sobre a forma como querem ser governados (…) Também desvirtuámos o nosso papel: passámos a ter directores e editores que, em boa parte do tempo, abdicam dessas funções e da exigência de pensar o trabalho editorial, para passar a ser gestores do tempo, de orçamentos e de dinheiro; pior: em vez de assumirem o seu papel de jornalistas e se colocarem ao lado dos seus jornalistas e redacções, colocam-se, muitas vezes, contra eles, ao lado das administrações.» Antónmio Marujo in Sobre o futebol e outros suicídios do jornalismo (ou como jornalistas e católicos são tão parecidos) - Religionline.
  • «No dia 15, o congresso será encerrado com o debate “E Agora?”. Entre jornalistas e entidades responsáveis pelo sector, o debate será marcado (condicionado?) pela presença de algumas das pessoas mais poderosas e influentes do país: Daniel Proença de Carvalho, Francisco Pinto Balsemão, Paulo Fernandes e Rosa Cullell, dos grupos Global Media, Impresa, Cofina e Media Capital, respectivamente. Ou seja, após passarem alguns dias a falar da importância da imparcialidade e da independência, os jornalistas chamaram os patrões para encerrarem o debate. Os verdadeiros responsáveis pela precariedade e pelo eventual condicionamento da informação vão fechar o debate que falará, precisamente, da precariedade e do condicionamento da informação. Irónico, não é?» Uma página numa rede social, FB.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Almaraz: Portugal pede à Comissão Europeia que intervenha no caso do cemitério nuclear

Pateira de Fermentelos. Foto de Carla de Menezes.
  • Portugal vai solicitar a intervenção da Comissão Europeia no caso da construção de um cemitério nuclear em Almaraz, afirmou o Ministro do Ambiente, Matos Fernandes, no final de uma reunião com os Ministros da Energia, Turismo e Agenda Digital, Álvaro Nadal, e da Agricultura, Pesca, Alimentação e Meio Ambiente, Isabel Tejerina, em Madrid. Tudo isto após o governo de Espanha não ter aceitado a exigência portuguesa de que se fizesse a avaliação de impactos transfronteiriços, que deveria ter sido feita antes do licenciamento, considerando que a construção «está licenciada e tem condições para poder iniciar-se», disse Matos Fernandes. Ministério do Ambiente.
  • O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes apresentou o Programa de Monitorização da Faixa Costeira de Portugal Continental (COSMO). O programa conta com um investimento de 3 milhões de euros e visa melhorar a acessibilidade à informação sobre a dinâmica e tendências evolutivas da faixa costeira, por forma a dar suporte ao planeamento estratégico e gestão costeira. O Programa COSMO terá uma duração de 36 meses e integra a realização de vários trabalhos de monitorização das praias, dunas, arribas, designadamente a realização de levantamentos topográficos e hidrográficos numa série de locais da faixa costeira de Portugal Continental, permitindo assim a identificação dos problemas atuais, a programação das intervenções de gestão e/ou de proteção/defesa costeira, a avaliação do grau de sucesso das intervenções de engenharia e a compreensão dos impactos das intervenções no sistema costeiro. Ministério do Ambiente.
  • António Costa defendeu parceria com a Índia na área das energias renováveis. O Instalador.
  • Ciclovia é um site fabuloso. Resulta de um projeto pessoal sem fins lucrativos, assente em trabalho voluntário realizado nos tempos livres, que pretende ser, apenas, um apontador das Ciclovias, Ecopistas, Ecovias e Circuitos Cicloturísticos de Portugal. O sítio reúne páginas que incluem dados relevantes e informação específica sobre cada Ciclovia, bem como hiperligações para os respetivos mapas e outros sítios ou páginas sobre as mesmas. Ciclovia é  jurídica, política e financeiramente independente das entidades responsáveis pelas Ciclovias apresentadas, não recebendo delas qualquer tipo de contrapartida financeira, económica ou outra.

A Fiat Chrysler fez o mesmo que a Volkswagen

Imagem captada aqui.
  • Quatro crianças morreram em Amarillo, Texas, depois que alguém, na sua casa, ter pulverizado água sobre um pesticida previamente aplicado, causando uma reação que produziu gás fosfina tóxico. CNN.
  • As autoridades norte-americanas anunciaram o cancelamento de dois contratos de concessão de petróleo e gás numa zona selvagem que faz fronteira com o Parque Nacional Glacier, que é sagrado para as tribos Blackfoot de Montana e do Canadá. CSMonitor.
  • O ministério do Ambiente dos EUA acusa a Fiat Chrysler de manipulação das emissões dos seus veículos a gasóleo, nomeadamente os jipes Grand Cherokees e os Dodge Ram 1500. EPA.

Reflexão - Só a gestão pública da água garante a sua universalidade e acessibilidade

Ermesinde. Grafito de Daniel Eime

Só a gestão pública da água garante a sua universalidade e acessibilidade
por Paula Santos in Expresso 11jan2017.


«Os defensores da privatização dos serviços públicos de abastecimento de água e saneamento (podem chamar-lhe o que quiserem, privatização, concessão, a verdade é que há uma gestão privada em que, obviamente a sua principal preocupação não é qualidade do serviço público prestado, mas a obtenção de lucro) veem na água não um direito, mas mais uma mercadoria e uma oportunidade de negócio.
Não foi por acaso que muitos fontanários foram fechados no nosso país. Foram fechados exatamente para criar as condições de rentabilidade económica e financeira, em claro prejuízo das populações.
Embora procurem enaltecer as vantagens da gestão privada, a verdade é que no mundo se constata que há uma tendência de remunicipalização dos serviços de água. Muitas populações compreenderam da pior maneira que a privatização dos serviços públicos de água não era solução. São disso exemplo as cidades de Berlim, de Paris, de Buenos Aires, de Atlanta ou de Maputo. Há países europeus, como a Dinamarca, o Luxemburgo, a Holanda e a Áustria em que os serviços de água são exclusivamente públicos. Em Portugal conhece-se as consequências profundamente negativas da privatização dos serviços públicos de águas em Barcelos e veio a público recentemente que Mafra iria remunicipalizar os serviços públicos de água.
As razões para a remunicipalização são comuns: mau desempenho das empresas privadas, aumento de preços e das tarifas, dificuldades na monitorização da gestão privada, redução de trabalhadores e desrespeito pelos seus direitos e degradação da qualidade do serviço.
A realidade já demonstrou que só a gestão pública dos serviços de abastecimento de água e de saneamento é que defende os interesses públicos e os interesses das populações, bem como a universalidade e a acessibilidade à água. (…)»

Mão pesada

  • A Innophos Holdings Inc., de Cranbury, New Jersey, foi multada em 1,4 milhão de dólares por envio de resíduos perigosos para sítio não licenciado. AP/Newsday.
  • O Ibama multou em  R$ 122,5 mil o proprietário da embarcação que naufragou no litoral do Rio Grande do Norte em 23 de dezembro, derramando cerca de 4,5 mil litros de gasóleo nas proximidades dos Parrachos de Maracajaú, polo turístico da região. O empresário foi autuado por não instalar barreiras de absorção de óleo em torno da embarcação, por omitir informações no Cadastro Técnico Federal e por deixar de apresentar os Relatórios Anuais Obrigatórios do CTF referentes a 2014 e 2015. 

Bico calado

Lago Erie. Foto de Dave Sandford.

«Isabel dos Santos, a mulher mais rica de África tem a sua empresa-fantasma no offshore da Madeira, a NIARA, com uns míseros 6 mil euros de capital social, que usufruiu de benefícios fiscais que ascenderam a 2,6 milhões de euros em 2015. Isabel dos Santos é filha do presidente de Angola e CEO da petrolífera estatal Sonangol, que por mero acaso tem duas subsdiárias-fantasma no offshore da Madeira e que também por mera coincidência não figuram nas contas consolidadas da petrolífera angolana. Já não é por acaso que através do offshore da Madeira passem grande parte dos negócios de corrupção do Estado angolano e que ali funcione o epicentro de uma sofisticada rede de paraísos fiscais que passa por Malta e vem controlar a banca, as comunicações, a imprensa e outros setores importantes da atividade económica em Portugal.» João Pedro Martins in Petróleo fantasma e diamantes santos, FB.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Cemitério nuclear de Almaraz: acordo à vista?

Imagem captada aqui.
  • Terminou a operação de limpeza de cerca de 20 km de areal das praias das ilhas da Armona, Culatra e Deserta, na jurisdição das capitanias de Olhão e de Faro, nas quais, no passado dia 3 de janeiro, apareceu uma substância poluente na linha de costa. A remoção deste resíduo envolveu mais de 500 pessoas. Foram recolhidas cerca de 90 toneladas de substância poluente, que foi colocada em cerca de 3.000 sacos. As análises feitas às amostras da substância poluente recolhidas no local confirmaram as suspeitas: a substância poluente é um óleo vegetal, muito provavelmente óleo de palma. AMN, FB.
  • O Secretário de Estado do Ambiente avisou em Torres Novas que as empresas poluidoras seriam fechadas, porque o desenvolvimento não podia ser feito à custa do ambiente. Carlos Martins respondeu desta forma quando questionado sobre os casos de poluição em Torres Novas, sobretudo o da Fabrióleo, que tem sido acusada de fazer descargas para as linhas de água. O Mirante.
  • Finalmente, a RTP informa que a S.O.S. Rio Paiva - Associação de Defesa do Vale do Paiva tem em curso uma petição. Já em 1 de abril de 2016 o Ambiente Ondas3 falava desta petição. Não, não era peta.
  • Espanha admite que há espaço de manobra para um diálogo com Lisboa sobre o futuro do cemitério nuclear que Madrid pretende construir junto à central nuclear de Almaraz, banhada pelo rio Tejo e a 100 Km da fronteira portuguesa. Alfonso Dastis terá falado com o seu homólogo Augusto Santos Silva sobre a questão e admitiu que vai haver um encontro, esta quinta-feira, em Madrid, com titulares das pastas do Ambiente dos dois países. Público 11jan2017. Sabe-se, entretanto, que o Rei de Espanha, Felipe VI, garantiu a Marcelo Rebelo de Sousa que nada vai ser decidido sem ter em conta a posição portuguesa sobre este cemitério nuclear. 
  • A Câmara do Porto vai plantar dez mil novas árvores no espaço público da cidade até 2021. Os novos núcleos, designados biospots, são, por enquanto, 14, e muitos deles estão instalados ao longo da Via de Cintura Interna (VCI), em nós ou taludes. Público 11jan2017.
  • O Governo português vai apostar na criação de mais centrais de biomassa mas de menor dimensão, afirmou o secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural. Ambiente Magazine.

Atitude de Trump estimula adesão de cidadãos a organizações ambientalistas

Nelson Miller, um agricultor do Idaho, libertou um pássaro que estava com as patas presas pelo gelo.
  • A pequena aldeia de Newtok, perto da costa oeste do Alasca, tem vindo a deslizar para o rio Ninglick. A subida das temperaturas tem vindo a descongelar o permafrost debaixo da aldeia, provocando a perda anual de 21 metros por ação da erosão. A aldeia quer que Washington declare a área como zona de desastre e que financie a sua deslocalização. NPR.
  • A Câmara dos representantes aprovou uma lei que poderá facilitar a entrega a privados de enormes áreas incluídas em parques nacionais, florestas e rios até agora controladas pelo governo federal. Os ambientalistas norte-americanos estão preocupados porque, se concretizada, esta medida vai permitir a introdução de operações de mineração e extração de gás e petróleo em espaços até agora protegidos para atividades lúdicas. BuzzFeed.
  • A eleição de Trump provocou uma corrida à inscrição de mais sócios em organizações ambientais, fenómeno que só encontra paralelo nos tempos de George W. Bush, conta o BuzzFeed. Quem mandou ele fazer chacota das alterações climáticas e convidar executivos das petrolíferas para o seu governo?
  • Os enormes impactos da barragem de Belo Monte, no rio Xingu, estão bem à vista. Uma reportagem da BBC evidencia-os:  deslocalização de comunidades e destruição dos seus modos de vida e desflorestação massiva. Outra barragem com impactos desastrosos é a do Tapajós, numa zona que é berço da comunidade Munduruku. Tudo para transformar aquele rio pouco profundo num canal que permita o transporte industrial de soja e outros produtos do centro e do sul do Brasil para o estrangeiro. Entretanto, o Congresso cozinha nova legislação favorável à flexibilização e à agilização de antigas leis ambientais e à redução dos poderes que os departamentos do Ambiente, como o IBAMA, ainda detêm. Informação complementar pode ser consultada neste artigo, - Belo Monte: A sociedade brasileira não tem consciência do seu custo social e ambiental -, publicado pelo EcoDebate.

Reflexão – Eólicas escocesas ultrapassam a procura


As eólicas escocesas produziram mais energia do que a procura durante 4 dias seguidos. Aconteceu em 23, 24, 25 e 26 de dezembro. The Independent.

Situação idêntica se verificou, durante o mesmo período, na Suécia, onde as as eólicas geraram tanta energia como seis centrais nucleares. A tempestade Urd, que atingiu o sul da Suécia durante o Natal, foi responsável por este recorde. O custo da eletricidade diminuiu cerca de um terço para os suecos.

Também em Portugal, durante 4 dias e num total de 107 horas, apenas se consumiu energia renovável. O recorde foi estabelecido entre as 6h45 de sábado, 7 de maio, e as 17h45 de quarta-feira, 11 de maio. Portugal ultrapassava, assim, a Alemanha na produção de energia proveniente de fontes renováveis. Naquele país, por volta da 1h da tarde de domingo, 8 de maio, as renováveis forneceram tanta energia que os preços permaneceram negativos por várias horas. Ambiente Ondas3 3jan2017.

Bico calado

Lago Erie. Foto de Dave Sandford.
  • «Os directores ocupam o seu tempo a procurar patrocínios, a frequentar feiras empresariais, a promover produtos, a almoçar com clientes, a cortejar anunciantes. Ou seja, a concorrência entre órgãos de comunicação é determinada pelo mercado a montante e não pela qualidade da informação e pelo público a jusante. Não escolhemos o que vemos e lemos, o mercado é que nos escolhe.» Francisco Louçã in Não sei se o jornalismo morreu, também não sei se quer viver, FB.
  • «Regra mais simples não há: quando o passeio é estreito, quem vem contra o sentido dos carros é que deve ir de fora - e mesmo, se necessário, descer do passeio. Confere? Há bocado tive de explicar a uma senhora, com a mais paciente das pedagogias, que ela tinha dois olhos à frente e eu só um atrás, para mais tapado por umas boxers caríssimas (25 euros) e um par de calças baratas (9 euros), por isso ela estava em vantagem. Moral: a senhora chamou-me malcriado» Rui Zink, FB.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Quem quer facilitar a privatização da água?

Por motivos desconhecidos, a poeira de enxofre que cobre a superfície da zona hidrotermal de Dallol, na Etiópia, começou subitamente a arder gerando as espetaculares chamas azuis da imagem. O incêndio durou três dias, libertando ácido sulfúrico para a atmosfera. Foto de Olivier Grunewald.


  • O Parlamento português rejeitou, com os votos do PS, PSD e CDS, os projetos de lei que retomavam na íntegra o conteúdo da iniciativa legislativa de cidadãos «Proteção dos direitos individuais e comuns à água», apresentada em 2013. Em 2014, esta iniciativa legislativa merecera o apoio do PS, mas fora rejeitada pela maioria PSD-CDS. Ficam, assim, abertas as portas da privatização da água que submete este bem essencial à lógica do lucro, lesando gravemente os direitos das populações. FB.
  • A Procuradoria-Geral da República considera que a Portfuel, de Sousa Cintra, não tem direito à devolução de rendas e taxas pagas desde 2015 para a prospeção e exploração exclusiva de petróleo no Algarve. Lusa/ASMAA.
  • Em Moçambique, apesar da proibição da exportação de madeira em bruto, apinham-se contentores cheios de madeira nos portos do norte com destino à China. Madeireiras como a Mofid e a Peng Pai Forest Company andam muito ativas no porto de Pemba, e os cargueiros à sua conta navegam sob bandeiras de Singapura e das ilhas Marshall. As autoridades de Cabo Delgado cancelaram a licença de exploração à Mofid por abate ilegal de madeira, mas a empresa continua a operar através de empresas a que se associa, como a Henderson International, a Jian International e a Kam Wam, ou através de filiais como a Pemba Construction e a Hui Yuan Fishery.  A Environmental International Agency já denunciou o envolvimento neste negócio ilegal de pessoas como o ministro da agricultura José Pacheco e o antigo ministro Tomas Mondlane. Entretanto, as autoridades já apreenderam 1.300 contentores de madeira no porto de Nacala. Oxpeckers.

Reflexão – agricultura intensiva estimula a erosão


«Alguns dos responsáveis pela destruição do Tejo são os agricultores. A ganância de cultivar mais dois palmos de terra levou à destruição dos caminhos marginais ao rio. A destruição sistemática do salgueiral, sem qualquer fiscalização (apesar de ilegal), leva à perda de margem, de terras aráveis e consequente assoreamento do leito do rio. 

Os pescadores Avieiros protegiam as margens ganhando terra com uma técnica simples de cortar os Salgueiros até metade do tronco derrubando-os para dentro de água onde cresciam e protegiam a margem (maracha, como lhe chamavam). 

Hoje, temos a voracidade do lucro imediato. Destruímos, não pensando nas gerações futuras. Raros são os pontos onde se consegue chegar ao rio. Os caminhos foram lavrados, tragados na ganância de obter terra arável. Sabem que num futuro próximo vão pagar a factura. Muitos já a estão a pagar agora. Não querem saber! São tão criminosos como os que poluem. A culpa a quem a tem.» 

Bico calado

Causeway, Antrim-Ireland.
  • «Clones, drones, gigantones: a procissão humana cada vez vai mais bizarra. A supervisão sistemática das belezas naturais torna-as monótonas. Onde antes havia pasmo — e segredo e excitação em lá chegar — sobram apenas desktop wallpapersMiguel Esteves Cardoso, Pùblico 10jan2017.
  • A gigante da construção brasileira Odebrecht pagou apenas 900 mil dólares em subornos para ganhar o projeto de construção do aeroporto de Nacala orçado em 216,5 milhões de dólares. O aeroporto tornou-se um elefante branco, mas Moçambique ainda deve imenso ao Brasil. CM.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Paris: 2017, o ano da bicicleta

Pico, Açores. Foto de Álvaro Lopes.
  • «Através de conversa, enquadrada no programa “Chá na Montanha”, aos domingos à tarde, na Casa da Montanha do Pico, o “Montanha Pico Festival” incentiva debate sobre as nossas ações e atitudes para com o ambiente. Assuntos de erosão, lixo, apoio à nossa montanha e ambiente, em geral, são debatidos com artistas a liderar as conversas falando sobre seus trabalhos.» Info Fajãs.
  • Um movimento de grande contestação tenta suspender um empreendimento residencial e comercial no porto de Bulloch, em Dalkey, a sul de Dublin. Os críticos não querem nada que se pareça com uma qualquer urbanização ao estilo de uma Costa del Sol. The Irish Times.
  • 2017, o ano da bicicleta, proclama Paris. Para além de reduzir significativamente o trânsito automóvel no centro da cidade, o município vai investir imenso em mais infraestruturas de apoio ao uso da bicicleta. 
  • Mais de 400 mil belgas receberam uma verba por terem utilizado a bicicleta nas suas deslocações para o trabalho. São as empresas que lhes pagam, deduzindo depois nos seus impostos. Os empregados, por sua vez, podem deduzir a compra e manutenção de suas bicicletas ma sua declaração de impostos. Em 2015, cerca de 406 mil belgas beneficiaram deste programa, que custou 93 milhões de euros ao governo. Cycling Today.
  • A partir do início deste ano, toda a energia elétrica que alimenta os edifícios e instalações municipais de Madrid é proveniente de fontes renováveis. Energías Renovables.
  • Nos últimos dois anos, a cobertura florestal dos Cárpatos, na Ucrânia, foi reduzida drasticamente por ação humana. A exportação da madeira desta zona é ilegal porque provém de uma zona considerada reserva. Mas parece que as autoridades competentes estão conluiadas com os negociantes, porque as denúncias não surtem efeito e os ativistas são mal tratados e agredidos. A madeira exportada para países ocidentais é posteriormente transformada e usada no fabrico de móveis que são vendidos a preços altos na Ucrânia. As multas são ridiculamente baixas. Os impactos já se fazem notar: as margens dos rios daquela zona já estão desprotegidas e agora estão expostas à erosão. Mais pormenores aqui.

Mão pesada

  • A Shell foi judicialmente intimada a indemnizar a cidade de Clovis, Califórnia, em 22 milhões de dólares por responsabilidades na contaminação da rede de abastecimento de água ao domicílio com 1,2,3- tricloropropano, uma substância cancerígena. Aquela verba será aplicada na descontaminação dos poços de água que abastecem a cidade. Chemistry World.
  • O FBI deteve um executivo da Volkswagen por conspiração para defraudar os EUA. Este é o segundo funcionário detido no âmbito da investigação sobre o escândalo do software instalado nos automóveis VW para manipular os resultados doas análises às suas emissões. NYTimes.

Bico calado

Lake Erie. Foto de Dave Sandford.

O governo regional dos Açores e a câmara municipal de Lagoa apoiam o projeto «Produção de microalgas e suplementos». O objetivo é «a produção intensiva da microalga Haematococcus pluvialis através de processo industrial patenteado, a sua desidratação e obtenção por processo extractivo de um dos seus metabolitos, designadamente a Astaxantina para posterior incorporação em suplementos alimentares de efeito antioxidante para comercialização fundamentalmente no mercado internacional».
Mais informação na página do FB da CM de Lagoa.

O projeto é liderado, entre outros, por Luís Filipe Teves e Gonçalo Teixeira da Mota, que já desempenharam funções importantes na Fábrica de Tabaco Micaelense
Curiosamente, em 2010, Diana Rita da Silva Duarte defendeu uma tese de mestrado, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, intitulada «Alimentos funcionais com microalgas: nova fonte de pigmentos, antioxidantes e ácidos gordos ómega 3»

Mais curioso ainda é saber-se que este produto já se encontra à venda no portal do Alibaba.